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Ex-São Paulo, Lucas Farias busca novo clube no Brasil e faz faculdade à distância

Depois de passar pelo futebol dos Estados Unidos, Lucas Farias busca um novo clube no Brasil para retomar a carreira. O jogador, que também é estudante universitário, foi uma das revelações do São Paulo na última década e venceu em 2013 o Torneio de Toulon, na França, pela seleção brasileira.

O jovem atuou em três escolinhas antes de passar em um teste na base do time tricolor. Destaque na equipe do Morumbi, ele foi campeão da Copa Nike em Old Trafford (casa do Manchester United) e a servir as seleções do Brasil desde a categoria sub-15.

“O United chegou a me monitorar por algum tempo Eu só fiquei sabendo depois porque trabalhei com um rapaz que era scout e me disse que o Arsenal me olhou também”, disse ao ESPN.com.br.

Quando tinha 17 anos, Lucas foi efetivado aos profissionais a pedido do então presidente Juvenal Juvêncio.

“O São Paulo estava carente na minha posição e eu tinha ido bem na Copinha. Fui achando que ia fazer um treino e voltar para a base, mas chegando na Barra Funda entendi que era uma transição mesmo. O treinador era o Leão, que não sabia também. Era uma decisão do presidente”, recordou.

Em poucas semanas, ele já sentiu adaptado por causa da boa recepção que teve dos colegas.

“Foi a realização de criança estar trabalhando com os caras que você via apenas pela televisão. O Rogério [Ceni] conhecia o São Paulo como a palma da mão e me dava conselhos que levei para a vida”, contou.

O lateral ganhou mais moral com a chegada do técnico Ney Franco, mas não teve muitas chances no profissional.

“Ele não durou tanto tempo e não tive chances com ele. Ele me disse que eu me tornaria o melhor lateral do país em pouco tempo. Era apostar na minha qualidade e trabalhar a longo prazo. Depois, tive um bom relacionamento com o [Paulo] Autuori, que sempre conversava comigo e talvez tenha sido o melhor treinador que eu já tenha trabalhado, mas ele também ficou pouco tempo. Nisso, entrou o Muricy e não tive oportunidades”.

Com 20 anos e 9 jogos profissionais pelo São Paulo, Lucas queria atuar e foi emprestado para Boa Esporte e Náutico, no qual jogou com o técnico Lisca e quase subiu para a Série A do Brasileiro.

“Eu era jogador da Traffic [empresa de marketing esportivo] e surgiu o Estoril para jogar a primeira divisão de Portugal com o treinador Fabiano Soares”, explicou.

Portugal e EUA

Na Europa, ele jogou como um ponta e duelou contra grandes clubes como Porto e Sporting.

“O futebol é bem diferente em relação ao Brasil, é mais dinâmico e a bola não para. Você precisa sempre dar opção de passes aos colegas a todo instante. Tive que me focar muito nisso”, contou.

Lucas sofreu uma lesão no joelho e precisou operar. Depois, voltou ao São Paulo para se tratar por um ano. A retomada da carreira foi no São Bento com o técnico Paulo Roberto.

“Eu joguei quase todo o Paulistão e estava revezando na Série B como titular e reserva. O problema é que o Paulo foi mandado embora depois do oitavo jogo da competição e perdi espaço”, lamentou.

Como não poderia mais jogar por outra equipe, ele foi para o Indy Eleven-EUA, da USL, a segunda liga de futebol mais importante dos Estados Unidos.

“Achei que fosse uma chance de mudar o rumo da carreira e morar em um lugar legal. Foi um ano muito aprendizado. Você vê outros idiomas e outras culturas. A pressão é bem diferente porque não tem acesso ou rebaixamento”, analisou.

Após ser pai, em dezembro do ano passado, Lucas resolveu voltar ao Brasil com a família para retomar a carreira. Enquanto isso, ele faz faculdade de gestão comercial via ensino à distância junto com a esposa.

“Educação nunca é demais. Ainda estou no começo e queremos ter uma formação que vai nos ajudar para minha carreira e para depois do futebol”, afirmou.

“Eu estou com o Pedro [Guti Football], meu novo agente, e estamos mantendo conversas com times de Série A e Série B do Brasileiro, mas por cauda da pandemia está tudo um pouco parado. Vai aparecer um clube bacana para eu voltar a atuar”.