Reportagem originalmente publicada em 15/02/2017
Arjen Robben voava pela direita, cortava para a esquerda e batia. Golaço!
Se você acompanha o futebol internacional, quantas vezes já viu essa cena?
Foi com essa jogada que o holandês construiu sua fama e ajudou clubes como PSV, Chelsea, Real Madrid e principalmente Bayern de Munique a ganharem muitos títulos. Mesmo depois de estar aposentado, ele é apontado como alvo do Botafogo para 2020,
Mas, afinal, se todos sabiam que Robben fatalmente iria correr, cortar para a esquerda e chutar, por que ninguém conseguia marcar essa jogada tão manjada?
Para obter essa resposta, o ESPN.com.br procurou atletas que jogaram junto e também contra o ponta, na esperança de que eles possam solucionar o mistério.
Talvez quem melhor possa explicar a impossibilidade de marcar Robben seja o meia Marquinho Alves, que viu o craque "nascer".
Alves e Robben foram companheiros por duas temporadas no PSV Eindhoven, e o meio-campista revelado pelo São Paulo foi testemunha do crescimento do holandês.
"O Robben começou a carreira num time pequeno, o Groningen, e dava um trabalho danado para a gente quando jogava contra. Nessa época ele ainda tinha cabelo (risos)", brinca o brasileiro, também ex-jogador de Atlético-MG, Vasco e Botafogo.
"Ele jogava mais aberto pela ponta esquerda, só às vezes pela direita, mas bagunçava demais. Quando o PSV o contratou, no primeiro ano já fez chover em campo. É um fenômeno. Desde o começo já dava para ver que era diferenciado", lembra Marquinho.
Pelo time de Eindhoven, o atacante foi campeão holandês em 2002/03 (fazendo 12 gols no torneio) e ainda faturou a Supercopa da Holanda de 2003 (anotou o primeiro tento da vitória por 3 a 1 sobre o Utrecht), sempre causando terror nas defesas adversárias.
Como atesta Marquinho Alves, desde que iniciou a carreira o atacante sempre baseou sem jogo ao redor da jogada mais famosa: o corte rápido para a perna boa e chute preciso.
Mas por que ninguém conseguia marcar sua jogada mais famosa?
A resposta, segundo Marquinho, é porque isso é "quase impossível".
"Você lembra do Felipe, ex-meia do Vasco e Flamengo? É a mesma coisa! Todo mundo sabia que ele ia cortar para a esquerda, mas ninguém pegava (risos)", compara.
"O Robben é muito rápido, é absurdo, fora que tem muita força física. É algo fora do normal, sobrenatural. Você junta tudo isso com o talento dele e já viu... É quase impossível marcar!", analisa.
O lateral Kevin Grosskreutz, ex-Borussia Dortmund, sofreu muito para marcar o holandês em seus tempos de BVB. Para o tetracampeão do mundo com a seleção alemã, a única maneira de tentar parar o canhoto é com marcação dupla.
"Robben é um jogador de classe mundial. Ele pode, e eu sei bem disso por experiência própria, decidir um jogo sozinho. Para pará-lo, você tem que montar uma marcação dupla em cima dele. Se não for assim, não tem jeito", ensinou o experiente ala.
Segundo Marquinho, a potência física que Robben usava para bater seus rivais se deve muito ao fato do ponta sempre ter sido um atleta exemplar, que cuidou bem do corpo desde os tempos de juniores na Holanda.
"Ele é um cara que tem um cuidado enorme. Quando jogamos juntos, ele não bebia nem fumava, ao contrário de vários outros. Por isso joga em alto nível até hoje. Olha só o que ele correu na Copa-2014, isso com mais de 30 anos! Ele é fera", elogia o meia.
"No tempo do PSV ele não machucava nunca, era um touro. Isso o ajudou demais a ter a regularidade no tempo de Holanda e depois ir para o Chelsea, quando ele deslanchou de vez", cita Marquinho.
Dos tempos em que jogaram juntos, Alves e Robben guardaram boa amizade.
"Nos treinos, ele era um cara muito sério, como todos os holandeses. Não tem gracinha. Mas, depois dos treinos, sempre brincava muito com os brasileiros. A gente jogava um futevôlei da hora, rolava uns Brasil x Holanda (risos)", relembra o brasileiro.
"Os holandeses são apaixonados e meio fascinados pelo Brasil. Além dos jogadores brasileiros, que eles admiram muito, eles sempre perguntavam sobre as mulheres, as praias, e também falavam que tinham medo, porque só passava desgraça na televisão, tiro, assalto, essas coisas. Por isso eles ficavam com um pé atrás, mas a gente explicava que não era assim, que na maior parte do tempo é um país maravilhoso", conta.
