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Como Youri Djorkaeff fazia para sempre ter a bola na Inter de Milão

Quando a seleção da França fez a trinca de títulos internacionais, entre 1998 e 2001, conquistando Copa do Mundo, Eurocopa e Copa das Confederações, muitos se lembram do brilhantismo de Zinedine Zidane ou dos gols de Thierry Henry e David Trezeguet. Mas havia um outro craque no meio-campo daquela equipe que fazia o time funcionar como um relógio.

Trata-se de Youri Djorkaeff, meio-campista que foi revelado pelo Grenoble, em 1984, e que passou por vários clubes tradicionais durante a carreira, além de ter sido multicampeão com os Bleus.

Por times, ele ganhou títulos por Monaco e Paris Saint-Germain, da França, além de ter atuado em alto nível com a camisa do Kaiserslautern, da Alemanha.

Mas foi talvez na Inter de Milão, entre 1996 e 1999, que Djorkaeff demonstrou seu futebol em mais alto nível.

Nestes três anos, ele ganhou a Copa da Uefa em 1997/98 e anotou 39 gols em 127 jogos, número alto para um meia com característica de armador.

Segundo o ex-volante Zé Elias, que vestiu a camisa da Inter no mesmo período do craque francês e hoje é comentarista da ESPN Brasil, Djorkaeff era um atleta que impressionava pela calma em campo, não importanto a grandeza da partida.

"Era um cara fantástico. O mundo poderia estar caindo, mas ele não estava nem aí. Era sempre muito tranquilo e sossegado. Um craque", exaltou Zé.

O ex-meio-campista da seleção brasileira, inclusive, lembrou um episódio divertido, que mostrou um pouco da estratégia adotada por Djorkaeff para sempre ter a bola em seus pés durante o jogo.

"Uma vez, durante uma partida contra o Venezia, eu toquei a bola para um lateral-esquerdo nosso que era muito forte, mas era ruim. Na hora, o Djorkaeff virou para mim e disse: 'Zezé, joga a bola para mim! Aquele cara ali é ruim, não sabe jogar!'. E eu olhei e falei: 'Tá bom!' (risos)", divertiu-se.

"Depois disso, eu só entregava a bola para ele", contou.

Djorkaeff ficou na Inter até a temporada 1998/99, quando foi comprado pelo Kaiserslautern (que, à época, ainda era uma equipe do bloco superior da Bundesliga).

No decorrer da carreira, o francês passaria ainda por Blackburn Rovers, da Inglaterra, e New York Red Bulls, dos Estados Unidos, encerrando a carreira neste último, em 2006.

Uma das melhores formações da Inter de Milão nos anos 90, aliás, era a que tinha o losango formado por Zé Elias, Diego Simeone, Aron Winter e Youri Djorkaeff, além do ataque com Ronaldo "Fenômeno" e Iván Zamorano.

Além do francês, Zé Elias ressalta a importância de Winter para a equipe.

O atleta da seleção holandesa não tinha tanto prestígio quanto outros craques dos nerazzurri, mas era querido por todos tanto pela raça e técnica em campo quanto pelo temperamento carismático.

"O Winter foi o cara mais gente boa e decente que eu encontrei no futebol. Estava sempre sorrindo e tratava a todos muito com e com enorme educação e disposição", recordou.

Zé recorda, inclusive, que os meio-campistas também eram muito próximos fora de campo.

"Eu, o Ronaldo, o (goleiro Andrea) Mazzantini, o Winter e o Djorkaeff estávamos sempre juntos. Uma vez, um cara que tinha um açouque tipo boutique em Milão e conhecia o Ronaldo convidou para ir lá e falou para ele levar alguns amigos. Aí o 'Fenômeno' levou a gente e, meu Deus do céu, fizemos um estrago! (risos)", gargalhou.

"O cara nunca mais esqueceu da gente. Começamos com presunto cru, depois salame... Comemos demais! O coitado teve um prejuízo gigante", brincou.

Assim como Djorkaeff, Winter deixou Milão em 1998/99, retornando ao Ajax, time que o revelou.

Ele se aposentou em 2002/03, pela equipe de Amsterdã.