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Técnico da Inter de Milão teve que encerrar treino depois que Ronaldo desmoralizou zagueiro Taribo West

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Simplesmente fenomenal: reveja a lendária arrancada de Ronaldo contra o pequeno Compostela (0:38)

Em 1996, com a camisa do Barcelona, o artilheiro brasileiro anotou um dos gols mais bonitos da sua carreira (0:38)

Na temporada 1997/98, o atacante Ronaldo mostrou um nível técnico impressionante pela Inter de Milão, anotando 34 gols em 47 jogos e faturando a Copa da Uefa com uma atuação absurda, que é lembrada até hoje.

Neste período, muitos zagueiros sofreram com seus pedaladas, arrancadas e finalizações fulminantes. Mas não eram apenas os adversários que eram aterrorizados pelo "Fenômeno".

Nos próprios treinamentos da Inter, o eterno camisa 9 nunca aliviava, fazendo seus próprios colegas de equipe passarem vergonha.

O ex-volante Zé Elias, que também fazia parte do elenco nerazzurro na época e hoje é comentarista da ESPN Brasil, lembrou um episódio marcante envolvendo Ronaldo e o nigeriano Taribo West, atleta da seleção africana que havia sido contratado pelo clube de Milão para 1997/98.

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Simplesmente fenomenal: reveja a lendária arrancada de Ronaldo contra o pequeno Compostela

Em 1996, com a camisa do Barcelona, o artilheiro brasileiro anotou um dos gols mais bonitos da sua carreira

Durante um treino, o "Fenômeno" pintou e bordou para cima do companheiro de time, e o técnico interista teve até que agir para evitar uma desmoralização ainda maior.

"Teve uma vez que ele deu duas canetas lindas no Taribo West, uma em seguida da outra. Foi uma loucura! Nosso treinador, o 'Gigi' Simoni, encerrou o treino na hora", recordou Zé.

"Acho que na hora ele ficou com medo do Taribo, que era muito forte, ficar bravo e dar uma porrada no Ronaldo, que era o principal jogador do time. Mas o Taribo era um cara muito tranquilo. Só dava risada e levava na boa (risos)", brincou.

O ex-meio-campista da seleção brasileira, que havia chegado à Inter de Milão praticamente junto com R9, não economiza palavras para descrever as qualidades do ex-atacante.

"Ele tinha uma velocidade de raciocínio e de execução que eram incríveis. Nos treinos, muitas vezes nós, os jogadores de defesa, quando pensávamos em ir para a bola, ele já tinha finalizado", recordou.

"Uma vez, num treino de dois toques em campo reduzido, bateram um escanteio. Em dois toques ele fez o gol (risos). Já no domínio ele me deu um chapéu e, antes da bola cair, ele chutou pra dentro. Essa era a grande diferença dele", exaltou.

"A técnica dele era inigualável. Vai ser difícil a gente ver outro jogador assim. Ele tinha força, velocidade, explosão e habilidade. Era completo", complementou.

Zé Elias também lembra que o "Fenômeno" desempenhava bem seu papel em qualquer condição de tempo e gramado.

A maior prova disso foram os jogos contra o Spartak Moscou, pela semifinal da Copa da Uefa, nos quais os brasileiros foram decisivos.

"Na primeira partida, eu joguei muito bem. Fiz um gol, dei uma assistência e ganhamos de 2 a 1. No jogo de volta, infelizmente eu não pude jogar, pois estava suspenso, mas viajei com o resto da equipe", contou.

"Nós sabíamos que seria muito difícil a partida, porque estava um frio danado. Além disso, o campo estava horroroso, era só terra e areia. E o que o Ronaldo fez? Jogou demais! Ele estava acostumado a jogar em 'terrão' no Brasil, então não teve a menor dificuldade", divertiu-se.

Naquele 14 de abril de 1998, em um gramado castigado e com um frio congelante, R9 fez dois gols, comandou a virada interista e classificou o clube de Milão para a final do torneio europeu.

Era, de fato, um "Fenômeno".