<
>

As 10 histórias esquecidas que ocorreram na Copa do Mundo 1994

No último domingo, a TV Globo reprisou a final da Copa do Mundo de 1994 e deixou a nostalgia no ar.

Por isso, a ESPN lembra nesta segunda-feira algumas histórias esquecidas do Mundial que até hoje tem um lugar especial no coração dos brasileiros.

Você se lembra, por exemplo, da gafe cometida pela cantora que fez o show de abertura do campeonato?

Além disso, consegue recordar quem era a seleção "favoritaça" ao título, de acordo com Pelé, o "Rei do Futebol"?

Confira abaixo esses e outros causos da Copa de 1994:

10 HISTÓRIAS ESQUECIDAS DA COPA DE 1994

1. Diana Ross, a maior perna-de-pau da Copa

A Copa do Mundo de 1994 começou no dia 17 de junho, na partida entre Alemanha, que defendia o título de 1990, e Bolívia, no Soldier Field, em Chicago.

Antes da partida, o show de abertura ficou a cargo da cantora Diana Ross, uma das maiores divas do soul.

Na ocasião, os coreógrafos acharam que era uma boa ideia que a estrela da música batesse um pênalti, bem de pertinho, para ilustrar bem o soccer aos americanos.

Diana, porém, mostrou pouquíssima intimidade com a bola, chutando muito para fora, num momento cômico e que entrou para a história.

2. Pelé apontou Colômbia como "favoritaça"

Antes da Copa-1994 começar, Pelé, então comentarista da TV Globo, cravou: "A Colômbia é uma das favoritas ao título".

A previsão do "Rei do Futebol" certamente foi baseada na excelente campanha dos cafeteros nas elimintórias do Mundial, que ficou marcada pela goleada de 5 a 0 imposta sobre a Argentina em pleno Munumental de Nuñez, em Buenos Aires.

Na Copa, porém, a Colômbia foi talvez a maior decepção: perdeu para Romênia e Estados Unidos e só ganhou da Suíça. Com 3 pontos somados, foi eliminada ainda na 1ª fase, mesmo com três equipes de seu grupo se classificando para os mata-matas.

Enorme decepção para o timaço de Carlos Valderrama, Freddy Rincón, Faustino Asprilla e tantos outros craques, que foram vitimados pela famosa maldição do "pé frio" de Pelé...

3. Baresi operou e... Voltou na final!

O zagueiro Franco Baresi, craque e titular asboluto da Itália, lesionou seu menisco no 2º jogo da fase de grupos, uma vitória por 2 a 0 sobre a Noruega.

O defensor passou por uma artroscopia ali mesmo, nos Estados Unidos, e muitos davam sua participação no Mundial como encerrada.

No entanto, como a Azzurra conseguiu chegar até a final, Baresi se recuperou a tempo e, mesmo no sacrifício, foi titular na grande decisão contra o Brasil.

No tempo normal e na prorrogação, o gênio teve ótima atuação. Na decisão por pênaltis, porém, as cãibras cobraram preço caro, e o astro perdeu sua batida.

4. O espetacular gol da Arábia Saudita

O jogo entre Arábia Saudita e Bélgica, pela 3ª rodada do grupo F, era decisivo para classificação ao mata-mata. Esperava-se, portanto, muita cautela das duas equipes.

Só que, logo aos 5 do 1º tempo, o meia Saeed Al-Owairan deixou os 52.959 presentes no RFK Stadium, em Washington, completamente embasbacados com um lance de gênio.

O camisa 10 arrancou de antes do meio-campo, passou por seis (sim, seis!) jogadores da Bélgica e tocou com maestria na saída do goleiro, marcando um golaço absurdo.

O então atleta do Al-Shabab foi alçado à fama mundial, e, mais recentemente, seu gol foi eleito o 6º mais bonito da história das Copas em enquete feita pela Fifa.

Nada mal para Al-Owairan, que agora figura em uma lista ao lado de nomes como Diego Maradona , Pelé, Carlos Alberto Torres, Roberto Baggio e Lothar Matthaus.

5. O fiasco de goleiros da Grécia

A Grécia foi uma das piores seleções da Copa do Mundo de 1994, despedindo-se do torneio com 0 ponto, 0 gol marcado e 10 sofridos.

A tragédia defensiva dos helênicos ficou comprovada pelo vexaminoso rodízio de goleiros realizado pelo técnico Alketas Panagoulias.

Na estreia, o arqueiro Antonis Minou levou quatro gols da Argentina e foi sacado do time. Elias Atmatsidis foi titular contra a Bulgária, mas levou mais quatro.

Com isso, coube a Christos Karkamanis, teoricamente o 3º goleiro, atuar contra a Nigéria. E ele acabou sendo o de melhor desempenho: tomou só dois gols.

6. Trifon Ivanov, o ídolo cult

Hristo Stoichkov e Yordan Letchkov eram os grandes craques da Bulgária, que foi talvez a maior surpresa e sensação da Copa de 1994.

Outro atleta, porém, conquistou o coração dos fãs: o zagueiro Trifon Ivanov.

Com seus olhos semicerrados, sua vasta cabeleira e seu futebol mais do que sério, ele ajudou a levar os búlgaros ao 4º lugar no Mundial.

O defensor acabou tornando-se o ídolo cult daquela Copa, e até mesmo no Brasil! Atualmente, há até uma competição amadora de futebol em São Paulo que leva o seu nome.

Ivanov acabou falecendo cedo, em 2016, com apenas 50 anos, vítima de um infarto fulminante.

7. A cotovelada de Leonardo em Tab Ramos

A vitória por 1 a 0 do Brasil sobre os Estados Unidos, nas oitavas de final da Copa de 1994, foi marcada por enorme tensão, ainda mais porque a partida foi disputada em um 4 de julho, Dia da Independência americana e um feriado de enorme orgulho para a população local.

Um dos momentos mais lembrados daquele jogo foi a fortíssima cotovelada do lateral Leonardo no uruguaio naturalizado americano Tab Ramos.

Leonardo foi expulso direto, enquanto Ramos foi levado para o hospital com uma grave fratura no crânio.

Mais tarde, foi visitado pelo brasileiro, que chorou muito ao confessar seu arrependimento e pediu desculpas.

Em 2014, 20 anos depois da pancada, o americano deu entrevista e revelou que ainda sente dor no local da pancada.

Ele também contou que a cotovelada o tirou dos campos por cinco meses, e ele acabou sendo vendido pelo Betis ao futebol mexicano, perdendo a chance de atuar em LaLiga.

8. O triste fim de Escobar

O zagueiro Andrés Escobar era um dos grandes destaques da Colômbia em 1994. O atleta tinha apelido de "O cavalheiro", por sempre jogar limpo.

No duelo contra os Estados Unidos, porém, o defensor deu azar ao tentar cortar um cruzamento e acabou causando a derrota dos cafeteros.

O resultado ajudou a eliminar a Colômbia ainda na 1ª fase do Mundial, e, no retorno ao país natal, Escobar seria assassinado de forma trágica com seis tiros, no estacionamento de uma boate em Medellín, cidade dominada pelos cartéis do narcotráfico.

O assasinato do zagueiro ocorreu em 2 de julho, dia dos primeiros jogos das oitavas de final da Copa. Ou seja: ele morreu apenas 10 dias depois do jogo contra os EUA.

Essa triste história foi contada de forma magistral no documentário "The Two Escobars", da ESPN, lançado em 2010 por Jeff e Michael Zimbalist.

9. Ravelli x Romário

3ª colocada naquela Copa do Mundo, a seleção da Suécia tinha uma fortaleza defensiva no goleiro Thomas Ravelli.

Além de bom jogador, o sueco também era famoso por ser um fanfarrão e brincalhão de primeira - uma de suas características era dar "piruetas" em campo para irritar os rivais.

Antes da semifinal do Mundial, Ravelli cansou de provocar Romário, principalmente por causa da altura do camisa 11 brasileiro, ainda mais comparado aos gigantes escandinavos.

Mas o tiro saiu pela culatra. Na semi, deu Brasil por 1 a 0. Gol de Romário. E, para piorar para o falastrão sueco, o tento ainda foi de cabeça, no meio dos gigantes zagueiros rivais.

10. O "voo da muamba"

Após a conquista do Tetra, a seleção retornou ao Brasil no famoso "voo da muamba", já que o avião veio lotado de compras feitas pela delegação nos EUA.

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu um chilique no aeroporto do Galeão, no Rio, ligou até para Brasília e conseguiu evitar que a Receita Federal examinasse as malas brasileiras.

De acordo com reportagens da época, a quantidade de "muamba" foi absurda: o avião brasileiro decolou com 3,4 toneladas de bagagem em junho e voltou com 14,4 toneladas em julho.

O caso mais escandaloso foi o do lateral Branco, que trazia na bagagem uma cozinha completa, avaliada em US$ 18 mil, sendo que o limite legal era US$ 500 por pessoa.

Já Teixeira foi acusado de aproveitar a viagem para contrabandear equipamentos para o bar El Turf, de sua propriedade, no Rio de Janeiro.