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Liverpool, United, brasileiros e até River Plate: Como foi a louca corrida para contratar Rivaldo após o Penta

Muitos concordam que, apesar de Oliver Kahn ter sido o eleito pela Fifa e Ronaldo "Fenômeno" ter acabado como artilheiro, Rivaldo foi de fato o grande craque da Copa do Mundo de 2002, conquistada pelo Brasil na vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha.

O que poucos lembram é que, logo após a conquista do Penta, houve uma verdadeira "corrida maluca" para contratar o camisa 10 brasileiro, que estava sem clube, já que o contrato do craque com o Barcelona havia sido encerrado pelo técnico Louis van Gaal, seu inimigo mortal.

Ou seja: simplesmente surgiu para o planeta bola a oportunidade de contratar de graça um dos melhores jogadores da história, que ainda estava com apenas 30 anos e que havia sido, nos últimos anos, melhor do mundo pela Fifa e multicampeão por clube e seleção.

Segundo Carlito Arini, que era empresário de Rivaldo à época, chegaram ofertas dos quatro cantos do mundo, principalmente de gigantes da Europa e da América do Sul.

"A história da corrida pelo Rivaldo começa na verdade seis meses antes da Copa, quando a Lazio, que era uma potência da Itália na época, quase o contrato, mas o clube teve muitos problemas financeiros depois e não deu certo", lembrou o agente, atualmente trabalhando no Taubaté, em entrevista à ESPN.

"Logo em seguida, ele foi o melhor da Copa do Mundo, na minha opinião. Depois da Copa, posso te falar com sinceridade: todo o mundo queria o Rivaldo", recordou.

Arini revela, inclusive, alguns dos clubes que enviaram propostas.

"Muitos times da Inglaterra procuraram, como Liverpool, Manchester United e Fulham. Da Turquia, lembro que teve o Fenerbahce. Houve também clubes do Oriente Médio e vários clubes do Brasil. Até mesmo o River Plate fez uma consulta para mim", rememorou.

Vale lembrar que, de todas as equipes citadas, várias tinham cofres carregados.

O United, por exemplo, era o clube mais rico do mundo na época. O Liverpool também seguia com seu prestígio de sempre, enquanto o Fulham era propriedade do bilionário egípcio Mohamed Al-Fayed, dono da rede de hotéis Ritz e da loja de departamentos Harrods.

O Fenerbahce e os clubes do Oriente Médio, por sua vez, sempre foram forças financeiras, enquanto, no Brasil, havia equipes carregadas de grana vindas de obscuras parcerias com bancos e empresas do exterior.

Por fim, o River Plate vinha reforçado de dólares, já que, tanto em 2001 quanto em 2002, havia faturado alto com a venda de craques para o futebol europeu, como a negociação do atacante Javier Saviola para o Barcelona.

No entanto, apesar das várias ofertas, a situação se resolveu rapidamente quanto um gigante específico entrou em contato.

"Teve um clube que chegou e não teve jeito: era o Milan. O (Silvio) Berlusconi (antigo dono) e o (Adriano) Galliani (então executivo) mandaram o (Ariedo) Braida (o poderoso diretor de futebol) vir para o Brasil, e nós fechamos um grande negócio", contou.

No dia 7 de agosto de 2002, pouco mais de um mês depois da conquista do Penta no Japão, Rivaldo era apresentado sorridente no CT de Milanello ao lado de Adriano Galliani para vestir a camisa de um dos maiores clubes da Europa, com contrato de três anos.

E de graça!

Carlito Arini ainda revela ainda que toda essa história quase não aconteceu, já que o craque ficou sob risco de ser cortado da equipe que disputou a Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão por causa de uma contusão.

"Antes da Copa, ele teve uma lesão no joelho contra o Zaragoza, num jogo pelo Espanhol, e tinha o problema com o Barcelona, porque o contrato estava no fim. O médico do Barça foi até um treino e disse que não tinha condições dele disputar a Copa. Estavam forçando uma situação", relatou o empresário.

"Por fim, o Rivaldo trouxe um fisioterapeuta do Brasil para cuidar dele e treinou de manhã, de tarde e de noite. Isso me impressionou. Se fosse outro cara, não teria jogado o Mundial. Como era ele, foi lá e comeu a bola", finalizou.

No fim das contas, o craque ficou só uma temporada no Milan, já que, apesar de ter faturado Champions League, Copa da Itália e Supercopa da Uefa, não se adaptou ao clube italiano, pelo qual disputou 38 partidas e anotou oito gols.

Em 2004, ele rescindiria o contrato e voltaria ao futebol brasileiro, para defender o Cruzeiro.