Reportagem originalmente publicada em 31 de outubro de 2017
O ex-goleiro Marcos está há muitos anos sem qualquer contato com o futebol profissional, desde que encerrou sua carreira pelo Palmeiras. Em suas aparições públicas, porém, dificilmente ele escapa de falar sobre sua carreira ou dar pitacos sobre o desempenho do clube alviverde.
Foi exatamente este o caso em 2017, quando ele lançou sua marca própria de cerveja, a 'Cerveja 12', e bateu um papo cheio de bom humor com a ESPN durante o evento.
Verdadeiro apaixonado por uma "loira gelada", Marcos garante que a cerveja não lhe dá dor de cabeça. No entanto, ele ainda tem uma leve enxaqueca ao lembrar os tempos de jogador e os atacantes que mais temia enfrentar.
"O Romário me dava muita dor de cabeça. Ele era o mais preocupante. O Túlio 'Maravilha' também sempre me deixava preocupado. Esses dois não me deixavam dormir direito de noite. Ficava preocupado, porque os caras eram matadores", contou o ídolo palmeirense.
"Mas te garanto que nunca pipoquei de perder o sono por causa de atacante (risos). Ainda mais depois que fui pra seleção em 1999 e treinava chute a gol com Rivaldo, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho... Depois que você começa a treinar com esses caras, nem se preocupa mais com os outros. 'Ah, mano, se eu pego pênalti desses caras, dos outros eu vou pegar também (risos)'", brincou.
Marcos, no entanto, surpreendeu ao eleger quem foi seu maior carrasco.
"O cara que sempre marcava gols em mim era o Kelly. Você acredita?", questionou um perplexo ex-goleiro, lembrando o ex-meia Clesly Evandro Guimarães, mais conhecido como Kelly, que passou por clubes como Flamengo, Grêmio e Cruzeiro, mas que se destacou especialmente com a camisa do Athletico-PR.
"Eu lembro certinho do Kelly quando ele estava no Bragantino, ali nos anos 90, e depois no Athletico-PR, no começo dos anos 2000. Esse cara sempre deitava, p*** que o pariu (risos)! Eu encontrava o cara na 'casa do chapéu' e ele fazia gol em mim. Era tipo um Romarinho do passado (risos). Aquele time do Bragantino era chato demais, sempre me dava trabalho", completou o eterno camisa 12, que também citou o atacante Nunes, ex-Santo André, Vasco, Sport, Coritiba, Avaí e muitos outros clubes como outro de seus piores carrascos.
Hoje com 42 anos, Kelly pendurou as chuteiras em 2008, pelo Athlético-PR.
Atualmente, ele é auxiliar-técnico e faz parte da comissão de Tiago Nunes no Corinthians.
'NEM SE EU TIVESSE UM FOGUETE NO RABO'
Ao falar do passado, Marcos elegeu a defesa que fez na final da Copa do Mundo de 2002, contra a Alemanha, como a mais bonita da carreira.
No lance em questão, o placar ainda estava 0 a 0 quando ele tirou a bola com a ponta dos dedos e ainda viu a redonda bater na trave antes de sair, salvando a seleção que conquistaria o penta naquele dia.
"Na seleção minha maior defesa foi na falta que o Neuville cobrou. Eu toco nela com a mão esquerda e ela ainda vai na trave. Mas, ao mesmo tempo que foi uma bela defesa, todo mundo ia estar me enchendo o saco até hoje falando que eu falhei se tivesse tomado o gol naquela p*** bomba que o cara soltou (risos)", divertiu-se.
No entanto, o "Santo" diz que sua defesa mais importante foi o pênalti que ele defendeu de Marcelinho Carioca, ídolo do Corinthians, na semifinal entre os clubes na Libertadores de 2000.
Ao barrar a cobrança do meia alvinegro, Marcos colocou o Palmeiras em sua segunda final consecutiva do torneio continental.
"Pelo Palmeiras, minha grande defesa foi o pênalti do Marcelinho, tanto pela importância do jogo quanto por ter sido contra o Corinthians. Já faz bastante tempo, né (risos)? Mas você vê como foi marcante, porque até hoje todas as pessoas lembram", relatou o agora cervejeiro profissional.
Marcos ainda puxou longe na memória ao se lembrar do gol mais bonito que levou.
Primeiro, citou um de bicicleta anotado pelo colombiano Aristizábal em um jogo contra o São Paulo, nos anos 1990. Depois, pensou melhor e rememorou um lance ocorrido há 16 anos.
"O maior golaço que levei foi aquele do Osmar, contra o Santo André, lá no Bruno José Daniel, na Copa do Brasil de 2004. Foi um empate de 3 a 3, e o gol dele foi o primeiro do Santo André no jogo. Ele pegou a bola quicando e sentou uma 'bambuzada' que mandou ela lá no trinco. Esse foi bem bonito", recordou.
Relembre:
"No dia lá eu saí meio p*** e falei que nem se tivesse um foguete no rabo eu chegava naquela bola (risos). Mas é verdade, não dava pra pegar", completou.
Pouco depois, Osmar acabaria contratado pelo próprio Palmeiras e virou amigo.
"Quando ele veio jogar com a gente eu brincava que agora ele tinha que fazer esses golaços do outro lado. 'Não quero mais você me dando dor de cabeça' (risos)", gargalhou o ex-camisa 12, que ainda elogiou mais o jogador que foi apelidado carinhosamente pela torcida como "Golsmar" no Palestra Itália.
"Ele foi um dos melhores cobradores de pênalti que conheci na minha vida. Era muito difícil ele errar, fosse treino ou jogo. Parece o que o Henrique 'Ceifador' faz hoje em dia. Ele cobrava bem demais, além de ser muito gente boa", exaltou.
