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Antônio Carlos Zago: 'Romário foi melhor que Ronaldo 'Fenômeno''

Reportagem originalmente publicada em 29 de setembro de 2017


Atualmente treinando o Kashima Antlers, do Japão, após ter sido campeão da Série B 2019 com o Red Bull Bragantino, Antônio Carlos Zago foi um dos grandes zagueiros da história do futebol brasileiro.

Durante sua carreira, foi campeão pelos quatro grandes paulistas (São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos) e também levantou a Copa América de 1999 pela seleção brasileira.

Ademais, ganhou títulos e virou ídolo da Roma, na Itália, e do Besiktas, na Turquia, antes de se aposentar, em 2007, pelo Santos.

Foram ao todo 21 anos de carreira, desde que começou em 1986, no pequeno Ubiratan Esporte Clube, do Mato Grosso do Sul. E, nessas duas décadas, Zago marcou outros grandes nomes da história do futebol, principalmente os grandes craques dos anos 90. Por isso, tem conhecimento de causa para falar de muitos deles.

"Eu tive a chance de jogar contra todos os melhores atacantes do mundo nessa época. Marquei o George Weah, que era muito forte e rápido, logo no meu primeiro ano de Roma. Senti muita dificuldade de jogar contra ele. Também era muito difícil marcar o Vieri, que era um 'touro'", lembrou o ex-defensor, em entrevista à ESPN.

Zago, aliás, também marcou dois dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro: Romário e Ronaldo "Fenômeno".

E se há uma eterna discussão sobre quem foi melhor entre os dois, o hoje treinador não se omite de dar sua opinião, reforçada pelo fato de ter enfrentado ambos no mano-a-mano (e no auge) em várias ocasiões.

"No auge, o Romário foi melhor e mais difícil de marcar. Foi o cara que mais me impôs dificuldades durante minha carreira", decretou Antônio Carlos.

"Ele era mais imprevisível que o Ronaldo. Não teve um outro jogador de área no futebol como Romário. Ninguém! Era pura velocidade aliada à técnica. Os movimentos que ele fazia já 'queimavam' os zagueiros na saída. Foi o melhor atacante que marquei, um cara que fazia coisas inacreditáveis", exaltou.

Para justificar sua opinião, Zago se lembrou de um episódio que lhe marcou a memória.

Aconteceu em 3 de setembro 1995, quando ele era um dos grandes nomes do Palmeiras da Parmalat, e foi ao Maracanã enfrentar o Flamengo do "melhor ataque do mundo", pelo Brasileirão. O "Verdão" até venceu por 2 a 1, mas o "Baixinho" quase fez Antônio Carlos perder os poucos cabelos que lhe restavam.

"Fomos para o Rio enfrentar aquele Fla de Sávio, Romário e Edmundo. Eu falava para o Célio Lúcio [seu companheiro de zaga] toda hora: 'Vamos prestar atenção no Romário, tem que ficar de olho nele'. Porque o Sávio e o Edmundo estavam em má fase, mas o Romário era herói do Tetra e estava vivendo o auge", recordou.

"Aí abrimos 1 a 0 e estávamos controlando a partida. Só que, numa bobeira, o Romário fez sei lá o que, acho que ele 'cavucou' a terra, saiu do outro lado e fez o gol na gente (risos)! Eu olhei para o Célio e falei: 'E aí?', e ele me olhou de volta assustado e respondeu: 'Antônio, não vi por onde ele passou, te juro por Deus!' (risos)", gargalhou.

"Ele estava morto em campo, sumido, e, de repente, num lance de gênio, fazia isso. Por isso eu te falo que o melhor atacante que marquei na vida foi o 'Baixinho'. Ele enlouquecia qualquer zagueiro", elogiou.

E apesar de ter ficado atrás de Romário na lista, Ronaldo "Fenômeno" também ganha muitos elogios do ex-defensor.

Mas Zago bate o pé e reafirma: era mais difícil anular o eterno camisa 11 do que o icônico 9 de Real Madrid, Barcelona, Inter de Milão, Milan, PSV Eindhoven, Corinthians, Cruzeiro e seleção brasileira.

"Joguei bastante contra o Ronaldo também, mas ele se movimentava mais em campo, então você conseguia vê-lo na maioria das situações e tê-lo como referência. Dava para ver o que ele estava fazendo e tentar antecipar ou ao menos atrapalhar. Já o Romário às vezes 'sumia', e, quando aparecia, já estava na cara do gol e comemorando. Aí não tinha mais o que fazer... Só lamentar (risos)", finalizou.