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Maikon Leite descartou Flamengo, Corinthians e Santos de Neymar pelo Palmeiras: 'Nunca me arrependi'

Há alguns anos, Santos e Palmeiras protagonizaram uma transferência que chocou torcedores das duas equipes: em 2011, o atacante Maikon Leite, que vinha jogando o fino da bola pela equipe da Baixada ao lado de Neymar, Paulo Henrique Ganso e cia., surpreendeu ao acertar sua ida para o Verdão, que vivia algumas das temporadas mais turbulentas de sua história.

Atualmente com 31 anos e em ação pelo Amazonas FC, jovem clube criado em Manaus em maio de 2019, Maikon Leite conversou com a ESPN e revelou que ainda havia outros interessados naquela negociação: o Corinthians e o Flamengo.

Mesmo entre tantas opções, o atacante acabou escolhendo o Alviverde, clube no qual viveu altos e baixos. E garante: nunca se arrependeu.

"Lembro até hoje que eu tinha na mão propostas de Flamengo, Palmeiras e Corinthians. Nosso time no Santos era muito bom, mas eles me ofereceram menos (que os outros clubes) para continuar. Neste momento, eu tinha só 21 anos, precisava pensar no meu futuro", lembrou.

"Eu quase acertei com o Flamengo, mas, no último momento, eu fui para o Palmeiras, que tinha uma oferta muito parecida. Foi muito bom também, porque são dois clubes gigantes", elogia Maikon, que viu sua família fazer a balança pender para o lado palestrino.

"Escolhi o Palmeiras porque, apesar de não serem anos fáceis, o time estava em um momento de querer voltar a ser respeitado. Além disso, minha família é toda palmeirense, o que acabou influenciando. Nunca me arrependi dessa escolha", assegura.

Ao acertar com o Verdão, Maikon teve que ouvir várias "cornetadas" de pessoas próximas, já que ele havia conquistado a Libertadores com o clube, e teria chance de disputar o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro de 2011. No entanto, acabou abrindo mão disso ao Palestra Itália.

"Quando eu saí do Santos, muita gente me falou para eu não sair, porque iria jogar o Mundial. Só que eu saí de um clube excepcional e fui para outro. São dois gigantes", justificou.

"No Palmeiras, eu ganhei a Copa do Brasil. Infelizmente, não consegui conquistar outras Libertadores. Mas o futebol é assim. Temos que tomar uma decisão no momento e eu tomei a minha. E volto a dizer: não me arrependo", bradou.

Na capital paulista, Maikon Leite caiu nas graças do técnico Luiz Felipe Scolari e foi parte importante da conquista da Copa do Brasil de 2012, fazendo dupla de ataque com o argentino Hernán Barcos.

"O Felipão é um cara que tem um respeito muito grande até hoje. Com o trabalho dele, vencemos um título em que poucos acreditavam em nós. Vou sempre levar essa conquista comigo, porque fazia muito tempo que o Palmeiras não vencia um título de expressão", rememorou, antes de eleger seu momento favorito daquela competição.

"Foi o gol que fiz nas quartas-de-final contra o Atlético-PR, fora de casa, na parte final. Com isso, conseguimos empatar por 2 a 2 e ficar mais tranquilos para definir a vaga em São Paulo. Aqui, dominamos e passamos com tranquilidade para pegar o Grêmio na semifinal", recordou.

Nessa época, o atleta também fez fortes laços de amizade com vários atletas alviverdes. Maikon era vítimas constante de brincadeiras de seus colegas de equipe, principalmente pela baixa estatura - houve uma vez em que ele foi até colocado dentro de uma lata de lixo, fazendo todos na Academia de Futebol caíram na gargalhada.

"Teve uma vez que o 'São' Marcos abaixou a cabeça no dia do aniversário dele só para eu poder jogar um ovo nele. Ele falava assim: 'Vai, Maikon, vamos ver se assim você alcança' (risos). Ele é uma figura, gente boa demais", garagalhou.

Também em 2012, porém, o Palmeiras fez um péssimo Campeonato Brasileiro e acabou rebaixado para a Série B, o que acabou "condenando" a maior parte do plantel.

"Depois que caímos no Brasileiro, comecei a ser emprestado em sequência e nunca mais consegui ter sequência no time. Por isso, dá para dizer que minha passagem pelo Palmeiras acabou de forma precoce. No começo, foi tudo muito bem, depois nem tanto... São as coisas do futebol", ressaltou.

Maikon Leite teve contrato com o Alviverde até 2015, quando foi emprestado a Sport e Al-Shabab. Depois disso, deixou o Palestra Itália para jogar no Toluca-MEX.

TEMPOS DE SANTOS E ATHLETICO-PR

Nascido no interior de São Paulo, Maikon Leite começou sua carreira na zona metropolitana da capital.

"Quando era moleque, tentei fazer testes em vários times, mas não deu certo. Até que fui jogar em uma equipe de Franco da Rocha e chegamos nas semifinais dos Jogos Regionais. Recebi um convite para fazer um teste na base do Santo André e passei", contou.

"Joguei com o Willians e o Júnior Dutra, depois subi para o profissional no final de 2007, começando a jogar no início de 2008. Eu fui reserva no título da Série A2 do Paulista, mas entrava em quase todos os jogos. Depois, na Série B, eu comecei como titular e acabei vendido ao Santos após cinco jogos", relatou.

"Nessa época, eu ainda morava nos alojamentos debaixo das arquibancadas do (estádio) Bruno José Daniel e nem tinha carro. Eu só andava a pé, de 'busão' e trem. Meu salário era de juniores ainda quando o Santos veio atrás de mim, em 2008. Eu tinha só 18 anos e quase não tinha jogado, fiquei muito surpreso quando chegou a proposta! Foi uma mudança surreal, nem passava pela minha cabeça", confessou.

Na Vila Belmiro, Maikon Leite fez parte de um dos elencos mais vitoriosos da história recente da equipe alvinegra, ganhando, além de uma Libertadores, uma Copa do Brasil e dois Paulistas.

No entanto, antes de curtir todo esse sucesso, ele teve que superar uma lesão rara e gravíssima no joelho, fruto de uma dividida fortíssima com o ex-goleiro Bruno.

"Cheguei no Santos e ninguém me conhecia, mas peguei um baita de um time, que infelizmente não passava por uma fase boa. O Cuca já me colocou logo de cara para jogar, me deu sequência. Meu começo foi meteórico, tudo muito rápido. Estava jogando muito bem e feliz. Só que eu tive aquela famosa lesão na dividida com o Bruno, e aí foi muito difícil. O médico me disse que eu iria voltar ao futebol um dia, mas ele não tinha certeza de nada. Era a pior lesão que já tinha visto na história do futebol, não tinha outra parecida para comparar...", recordou.

"Eu voltei a jogar em 2009 e, depois de cinco partidas, me lesionei de novo. Foi muito complicado, porque só quem passa por isso sabe o que é... Mas consegui dar a volta por cima e depois jogar em alto nível de novo", exaltou.

"Joguei bem no primeiro semestre de 2010 pelo Santos e fomos campeões do Paulista. A molecada era feliz e a alegre. É um time que sempre revelou a postou na molecada. O Neymar e o Ganso já subiram jogando muita bola. O Neymar é tipo um Pokémon, que foi evoluindo a cada dia mais (risos). Quando fui ver, já estava daquele jeito e hoje está assim (risos)", brincou.

No meio da temporada, no entanto, ele pediu para ser emprestado ao Atlético-PR, já que, em Curitiba, teria mais oportunidades.

"Saí pouco antes do fim da Copa do Brasil. Eu era reserva do Santos e precisava de sequência. Minha ida ao Atlético-PR foi a melhor escolha para a minha carreira. Fui treinado pelo Carpegiani e pelo Sérgio Soares. Não sabia se iria jogar bem ou não, cheguei ao Athletico na zona de rebaixamento e o pensamento era não cair. Depois, quase chegamos na Libertadores", contou.

"Nosso time era muito bom, e dentro de casa não tinha para ninguém. Foi a melhor fase da minha carreira. Nosso elenco tinha Paulo Baier, Branquinho, Neto, Chico, Rhodolfo, Marcio Azevedo e Wagner Diniz. Timaço! Depois disso, voltei ao Santos com uma moral muito boa, em 2011, mas meu contrato estava perto do fim e acabei depois acertando a ida para o Palmeiras", lembrou.

EXPERIÊNCIA NO AMAZONAS

Após deixar o Palmeiras, em 2016, Maikon Leite foi para o Toluca-MEX, já que tinha enorme moral no México, pelo fato de ter vivido uma ótima passagem por empréstimo no Atlas, entre 2013 e 2014, por empréstimo do Verdão.

"No Atlas, foi um dos melhores anos da minha careira. Eles queriam que eu ficasse por lá depois do empréstimo, mas, por alguns detalhes, não deu certo. Não digo que sou ídolo por lá, mas até hoje a torcida pede a minha volta nas redes sociais. Eu fui muito feliz no Atlas. É um clube tradicional, que estava carente. Infelizmente, não conseguimos títulos, mas fomos bem no campeonato", recordou.

Depois do Toluca, o atacante voltou ao Brasil.

"Retornei e consegui o título da Copa do Nordeste pelo Bahia, o acesso à Série A do Brasileiro pelo Ceará e o Catarinense pelo Figueirense. O que a gente leva da carreira são as conquistas", celebrou.

"Depois, joguei ano passado pelo Brasiliense no Estadual, mas não consegui ter tanta sequência depois no Brasileiro. As coisas não aconteceram da forma como queríamos. É um baita de um clube, mas tem muita troca de treinadores e jogadores. As coisas infelizmente não aconteceram para gente", lamentou.

No início deste ano, Maikon Leite recebeu contato do jovem Amazonas FC, time que foi fundado há apenas nove meses.