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Nunes, ex-Vasco, conta que acertou com Gama para 'bater' no Brasiliense, que o chamou de 'velho'

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Se você é fã do futebol "raiz", certamente se lembra do atacante Nunes, conhecido por seus gols e provocações nos muitos times que atuou, como Vasco, Avaí, Sport e muitos outros.

Mas se você acha que ele já pendurou as chuteiras, está muito enganado!

O "último dos moicanos" segue na ativa aos 38 anos, e segue colocando bolas na rede - sempre com muita irreverência.

Hoje com 38 anos, Nunes comanda o melhor ataque do Brasil: o do Gama, do Distrito Federal, que tem incríveis 39 gols em 10 jogos na temporada (ou seja, uma média absurda de quase 4 por partida).

O matador contribuiu com 8 tentos nestes 10 duelos, uma ótima média de 0,8 gol/jogo.

Tudo isso vem ajudando o clube alviverde a manter viva uma série fantástica de 28 jogos seguidos sem perder.

A última derrota da agremiação data de exatos dois anos atrás, em março de 2018. Desde então, são 23 vitórias e cinco empates.

POR QUE O GAMA?

Nunes chegou ao Gama sob olhares desconfiados dos torcedores. Afinal, ele teve duas passagens pelo maior rival dos alviverdes, o Brasiliense, inclusive sendo campeão do Distrito Federal pelo Jacaré.

Em entrevista à ESPN, porém, o artilheiro conta que foi para o novo clube extremamente motivado por um pensamento fixo: "bater" em sua ex-equipe, que não o quis mais.

"Eu joguei duas temporadas pelo Brasiliense. Fomos campeões em um ano e vice e outro. Na última temporada, eu era o artilheiro do time, joguei 28 de 29 jogos na temporada e fiz uns 15 gols. Mas, no final, me chamaram para renovar só até o meio do outro ano, e eu não quis", contou.

"Minha avó faleceu e, no dia seguinte, eu estava em campo fazendo gol pelo Brasiliense. Tinha tudo para ser valorizado, mas não fui e saí. A família do Luiz Estevão [ex-senador que comanda o time] gostava muito de mim, mas um diretor lá não gostava... Tem muita briga entre os diretores e o pessoal da presidência lá dentro", revelou.

"Aí, em 2019, apareceu o Gama com uma proposta e eu disse para a minha esposa: 'Vou para o Gama, porque preciso bater no Brasiliense e mostrar para esses caras'. O Eduardo (Ramos, diretor do Brasiliense) disse que eu estava velho e acabado, e eu precisava mostrar para ele que estava errado", disparou.

"Foi o que aconteceu: três jogos contra eles, três vitórais nossas. Fomos campeões em cima deles! Mostrei que eu ainda tinha muita coisa para fazer. Depois, até me ligaram para eu voltar ao Brasiliense, mas eu não quis. Estou feliz aqui no Gama", completou.

O MELHOR ATAQUE DO BRASIL

Para liderar o melhor ataque do Brasil em 2020, Nunes conta que vem treinando como louco.

"Tem sido um ano muito bom, individualmente e coletivamente. Cheguei numa idade em que eu preciso treinar muito mais do que os outros. Sou o jogador que mais treina no elenco. A comissão tem até a preocupação de me poupar um pouco. Mas eu sei que, se não treinar, os moleques mais novos vão me atropelar. Por isso, me preparei bem nas férias para chegar voando esse ano", relatou.

"Nosso time encaixou demais. A equipe toda está fazendo muito gols, e eu também. Uma pena que teve essa pausa (pelo coronavírus), mas tem tudo para ser um ano positivo. Temos Copa Verde e Série D ainda em 2020", lembrou.

"Nosso ataque não tem segrego. Montamos um time bom e sem vaidade. Temos os números mais positivos do Brasil e estamos ganhando na honestidade. A equipe é muito unida e tem tudo para dar certo. Quando o ambiente é bem, isso faz o time render. Estamos há quase 30 jogos sem perder, é a melhor série da história do time. Se Deus quiser, vamos buscar o bi do Candangão", sonhou.

Já perto dos 40, Nunes sequer pensa em aposentadoria.

"Tenho 38 e estou em uma das melhores fases da minha carreira, tanto fisicamente quanto tecnicamente. Eu me cuido muito, treino demais, mesmo nessa pausa. Minha inspiração é o Ricardo Oliveira, que joga em alto nível e na Série A, além de seguir finalizando muito bem. Não tenho lesões e vou até onde meu corpo aguentar", salientou.

"Claro que não vou passar vergonha. Se eu ver que a molecada está me atropelando eu paro. Por enquanto, não estão. Quero terminar 2020 bem e aí veremos como será. Mas não penso em parar, não. É meu corpo que vai me falar a hora", observou.

Quanto aos planos para quando parar, há a certeza que será no esporte.

"Joguei futebol a vida toda e quero ficar no meio. Ainda não sei se vou trabalhar como treinador ou na parte de gestão. Primeiro vou ter que fazer os cursos de cada área, e aí eu decido para qual lado eu vou", finalizou.