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Belletti, herói do Barcelona na Champions League, vira técnico; veja quem serão suas influências

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Belletti: 'Messi é introvertido. Ronaldinho, Deco e Sylvinho o acolheram porque um vestiário como o do Barça intimida' (1:29)

Ex-lateral conta como brasileiros ajudaram na adaptação do camisa 10 na equipe principal (1:29)

Em 16 anos como jogador de futebol profissional, Belletti colecionou títulos importantes como LaLiga, Premier League e Copa do Mundo. Agora, o desafio do autor do gol do título da Champions League de 2006 pelo Barcelona será na carreira de técnico.

O ex-lateral de 43 anos conta que a ideia amadureceu depois de uma conversa com Carlo Ancelotti, comandante do Napoli, no meio deste ano. Eles se encontraram durante a pré-temporada em Miami, nos Estados Unidos, quando o Barça enfrentou o time italiano.

"Ele me perguntou por que eu ainda não tinha virado treinador. Ficamos uns 20 minutos falando e eu me convenci disso. As influências que tive no esporte foram tão boas. Já fiz inúmeros cursos e essa conversa acelerou o processo", disse, ao ESPN.com.br.

Revelado no Cruzeiro, Belletti passou por São Paulo, Atlético-MG, Villarreal, Barcelona, Chelsea e Fluminense, pelo qual pendurou as chuteiras, em 2011. Pela seleção brasileira, conquistou o Mundial de 2002.

Desde então, ele foi comentarista de televisão, diretor no Coritiba e é embaixador do Barça.

Veja a entrevista com Belletti:

Ser técnico estava nos seus planos?
As pessoas a minha volta sempre comentavam que tinha perfil de treinador. Quando fui comentarista eu ouvia que tinha uma visão tática interessante. Eu estava sempre envolvido com outra coisas porque sou palestrante e empreendedor. E pai de quatro filhos. Mas pela idade que tenho e a energia parece ser o ideal.

O que te fez mudar de ideia?
Eu sendo embaixador do Barça eu estou ligados em várias áreas do clube e aprendo com isso. No Brasil, eu fui comentarista e diretor no Coritiba que foram boas experiências. Na pré-temporada eu encontrei o Carlo Ancelotti quando o Barça enfrentou o Napoli em Miami. Depois do jogo, conversamos sobre isso e ele me perguntou por que eu ainda não tinha virado treinador. Ficamos uns 20 minutos falando e eu me convenci disso. As influências que tive no esporte foram tão boas. Já fiz inúmeros cursos de gestão de pessoas, fiz o curso de licença a e estou fazendo a licença pró. Essa conversa acelerou o processo.

O que ele te disse?
Ele me recordou o quanto eu era importante taticamente dentro de campo. Nós trabalhamos juntos em 2009 e 2010 e vencemos a FA Cup e a Premier League. Ele me utilizou em várias posições como primeiro volante, meia direita e lateral e até como extremo. Ele me disse: ‘Você jogava em várias posições porque lia o jogo taticamente muito bem. E isso me ajudava e queria aproveitar isso de você’. Na viagem de volta fui pensando em tudo que ele tinha me falado. Fui analisando tudo isso e recordado da minha carreira e dos técnicos que tive e tomei a decisão.

O que você já fez desde então?
Vou finalizar o urso da licença pro que termina em dezembro na Granja Comary. Entregar os trabalhos e finalizar o mais rápido possível. Conversei com muitos treinadores neste período sobre a tomada de decisão. Falei com empresário, jogadores e ex-jogadores e pessoas da imprensa também. As pessoas que conhecem do meo dio futebol. A coisa que eu mais faço é ouvir. Eu achava que era a melhor forma de aprender. Estou sendo direcionada para um caminho bom.

Já teve alguma experiência como técnico?
Já brinquei muitas vezes de ser treinador. Já dei aulas para crianças porque tenho um camp em uma rede de hotéis. De manhã, damos treinos para a as crianças e de tarde para os pais. Já dei treino para time de futebol feminino e para os meus amigos do clube Payneiras, em São Paulo, onde sou sócio. Gostei demais. São públicos diferentes e percebi como é expor minha ideia para saber se as pessoas faziam o que gostaria. E a resposta foi muito boa. Quando acabou o treino. Eu consegui compartilhar meu conhecimento e deu prazer compartilhar o que tinha vivenciado.

Quais as maiores influências?
Tive 29 treinadores ao longo da minha carreira em 16 anos como profissional. No Brasil tive Ênio Andrade, Vanderlei Luxemburgo, Levir Culpi, Muricy Ramalho e Felipão. O Zagallo tinha um lado legal e inspirar e pressionar o jogador. É difícil escolher um só. A nível de gestão de vestiário, leitura de jogo, compartimento nos resultados naquele estilo brasileiro de ser. E tem o lado europeu, já que fiz metade da carreira fora.

E o Frank Rijkaard, que foi seu técnico no título da Champions pelo Barcelona?
O Rijkaard tinha muita serenidade nas tomadas de decisão. Por mais que tivesse pressão, ele Barcelona ele sempre pensava bem e olhava o lado de todo mundo para tomar a melhor decisão. E ia o comportamento dele em gestão de crise, quando o Barcelona perdia. Uma coisa interessante nos técnicos europeus que não vi no Brasil era como eles buscam alternativas for do futebol para que o jogador não perca a confiança e esteja motivado. Com o Rijkaard, um dia íamos jogar tênis e isso tirava um pouco do contexto do futebol, mas praticava atividade física.

O que você absorveu dos técnicos do Chelsea?
O Mourinho não repetia treinos nunca e tinha uma leitura de jogo. Ele tem uma treinamento especifico para os jogos e você não percebe, mas nas partidas faz exatamente aquilo que ele gostaria. O Avram Grant na gestão de grupo. O Guus Hiddink sabia gerir muito bem um vestiário e tinha uma visão interessante. O Ancelotti um monstro sagrado do futebol e fazer gestão de um vestiário como Chelsea não é fácil. São muitas estrelas de países diferentes - os 30 jogadores eram das seleções de seus países - e culturas diversas. O comportamento dele fazia com que isso não fosse um problema... Ele fazia um planejamento para que fosse equilibrado e todos estivessem satisfeitos, sendo titular ou não. Ele passava que jogava quem estava melhor e as pessoas entendessem.

Ancelotti é uma grande referência para você...
Uma vez ele fez uma substituição na final da Copa da Inglaterra ele me coloco no lugar Ballack buscando melhor um passe de gol. Ele faz a alteração e ganhamos o jogo em função disso. Nosso ataque tinha Anelka, Malouda e Drogba. A gente vai aprendendo. Eu pego um pouco de cada um porque são mundos diferentes. Isso me preparou para e adaptar o mais rápido possível ao grupo que eu estiver.

Qual a sua ideia: comandar equipes no Brasil ou fora?
Quero aceitar o convite certo em um futebol profissional. Na base você trabalha com uma faixa de idade muito especifica, e o futebol profissional não é assim. Prefiro começar assim se for o ideal. Não vou dizer não a um bom convite da base. Seria interessante começar no primeiro idioma, mas tive consultas de times de fora. Em países que não estão tão evidência, mas acharam interessante ter um cara com a minha vivencia. Resolvi dizer não e estou esperando o convite certo.