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Mano, torcedor colorado quando jovem e hoje no Palmeiras, tem história mal resolvida com Inter

Neste domingo, o Palmeiras visita o Internacional, às 16h (de Brasília), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Beira-Rio.

Será o reencontro do atual técnico alviverde, Mano Menezes, com sua grande paixão de infância e juventude, mas com quem tem uma história mal resolvida.

Sim, é isso mesmo: apesar de ter surgido para o cenário nacional como técnico do Grêmio, em 2005, Mano era torcedor do Inter quando mais jovem, como confessam seus amigos próximos.

“Sei que ele não vai gostar que eu fale, mas ele é Colorado”, contou o alfaiate José Faustino, de Venâncio Aires-RS, em uma entrevista ao iG em 2010, quando Menezes foi anunciado como treinador da seleção.

No início dos anos 2000, Mano teve a chance de unir amor e trabalho, quando foi contratado para comandar a equipe de juniores do Inter.

No entanto, quando o lendário Fernando Carvalho ganhou a eleição presidencial e assumiu o comando do clube de Porto Alegre, em 2002, optou por não renovar o contrato do técnico, que deixou o Inter.

"Quando nós assumimos, o Mano era técnico do sub-20 do Inter. Só que, antes da gente assumir, eu já deixei apalavrados os nomes de vários profissionais para as categorias de base, como o Guto Ferreira e o Lisca. Nós éramos da oposição à diretoria da época, que tinha o Carlos Alberto Parreira no time principal e o Mano com os juniores", lembrou Carvalho, em entrevista à ESPN.

"Antes de assumir, eu fiz um planejamento com meus companheiros de diretoria. O contrato do Mano ia até 31 de janeiro de 2001, mas não foi renovado. Já se dizia no clube que ele era um excelente profissional e um excelente técnico, além de uma pessoa que tinha tudo para crescer na profissão. Mas ele não continuou no clube porque o contrato dele se encerrou, e nós já tínhamos contratado outros profissionais, que vieram em uma mudança de gestão e seguindo as novas orientações de dentro do clube", acrescentou.

Quem conhece Mano diz que ele nunca engoliu muito bem a saída do clube de coração...

Apesar disso, Fernando Carvalho diz se relacionar bem com Menezes.

"Depois eu o conheci melhor, e hoje temos uma boa relação. Não vou dizer que sou amigo, mas sou um admirador do trabalho dele. Sempre que nos vemos nós conversamos bastante. Mas nunca falei com ele sobre a saída do Inter. Não sei se ele guarda alguma mágoa", salientou.

Fato é que, depois disso, o treinador rodou por clubes do interior do Rio Grande do Sul, como Brasil de Pelotas e Guarani de Venâncio Aires, antes de chegar ao 15 de Novembro de Campo Bom, onde chamou a atenção do país pela primeira vez ao chegar à semifinal da Copa do Brasil de 2004.

Na sequência, comandou o Caxias antes de assumir o Grêmio, em abril de 2005, para tirar a equipe da Série B e recolocá-la de volta na elite - algo que ele conseguiu na famosa "Batalha dos Aflitos" contra o Náutico.

Depois disso, a carreira de Mano deslanchou de vez, com passagens por algumas das maiores equipes do Brasil e também pela seleção, que ele comandou entre 2010 e 2012.

No Palmeiras, ele está desde 3 de setembro, chegando após a demissão de Luiz Felipe Scolari, e no momento acumula cinco vitórias seguidas pelo Alviverde.

CARVALHO TENTOU LEVAR MANO 3 VEZES PARA O INTER

Fernando Carvalho foi presidente do Inter entre 2002 e 2006, e nos anos seguintes ocupou outros cargos ou se manteve influente na diretoria colorada.

De acordo com o ex-cartola, ele tentou ajudar o time gaúcho a contratar Mano três vezes, mas as negociações nunca deram certo.

"Já liguei para ele mais de uma vez para tentar trazê-lo ao Inter para comandar a equipe profissional. Para ser exato, cheguei a procurá-lo para ser técnico do Inter em três oportunidades. Por uma razão ou outra, acabou não dando certo", revelou.

"Eu já nem era mais presidente quando isso aconteceu. Em uma das ocasiões, eu era vice, enquanto nas outras foram pedidos dos presidentes de quem sou amigo", complementou Carvalho, que coloca Mano em um patamar elevado.

"Eu ponho o Mano na mesma prateleira do Tite. Hoje, são os dois grandes treinadores do Brasil em atividade", finalizou.