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Ronaldinho no Atlético-MG: 'migué' com horário, 'fuga' após treino até com cadeado e 'só macarrão'

A passagem de dois anos de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético-MG rendeu vários títulos – incluindo a Copa Libertadores de 2013 - e a idolatria da torcida atleticana. O antigo camisa 49 era o jogador mais requisitado para entrevistas, fotos e autógrafos.

Por causa do assédio, o meia arrumava todos os dias uma forma de sair de fininho sem precisar passar pela multidão.

“Ele gostava de todo mundo, mas tinha pavor de dar entrevistas depois dos treinos. Eram umas 40 ou 50 camisas para autografar por dia, sem contar as fotos. Ele sempre dava um jeito de escapar. O [ex-diretor de futebol] Eduardo Maluf viu essa cena várias vezes e resolveu um dia colocar um cadeado no portão para que ele precisasse passar pelos torcedores”, contou Eudes Pedro, ex-auxiliar do técnico Cuca no time mineiro, ao ESPN.com.br.

O ídolo atleticano resolveu mostrar suas habilidades em dar o famoso “migué” fora de campo.

“Os jogadores ficaram dando risada e zoando o Ronaldinho: ‘Agora eu quero ver você fugir. O que você vai fazer?’ Ele ficou olhando, até que deu um chutão na bola e foi lá para o fundo do campo. Ele foi buscá-la e subiu um morro sem ninguém ver e escapou direto para a concentração. Nesse dia, ele não deu entrevistas e não assinou camisas”, contou.

“O Maluf ficava perguntando onde estava o Ronaldinho. O pessoal brincava: ‘Tá dormindo? Ele já foi embora’”, recordou Eudes.

Eudes conta que o meia costumava chegar de carro cinco minutos antes de os treinos começarem já vestido com o uniforme e as chuteiras para não se atrasar.

“O Cuca falava: ‘Esse Ronaldinho é foda. Olha o horário que ele chega’. Um dia, o Cuca marcou o treino às 10h. O tempo passou, e nada do Ronaldinho chegar. Deu 10h15, e ele chegou do mesmo jeito de sempre. Correndo e todo pronto.”

“O Ronaldinho falou: ‘Ô Cucão, o que houve?’ O Cuca respondeu: ‘O treino é às 10h e você chegou às 10h15’ Ele respondeu: ‘A culpa é do motorista. Eu falei para ele que era às 10h, mas ele me mandou ir essa hora!’”, recordou.

Eudes costumava treinar cobranças de faltas com o craque, que foi eleito duas vezes o melhor jogador do mundo pela Fifa (2004 e 2005).

“De 20 batidas, ele fazia uns 14 gols e as outras iam na trave. Era incrível! Eu falava que estava bom, mas ele ia lá e fazia de novo em outro ângulo. Era muito acima da média”.

“Era inacreditável o que fazia nos treinos, até mais do que nos jogos. Nas partidas ele resolvia, limpava a marcação e servia os caras. Era coisa de cinema.”

Ronaldinho também treinava muito os escanteios na segunda trave.

“Ele esperava o Léo Silva se posicionar e mandava a bola perfeita. Lembra do gol que fizemos no Flu? O Léo Silva veio de fora correndo, entrou na área e fez um golaço. O Ronaldinho sabia onde colocar a bola”, contou Eudes.

Após os treinos, o camisa 49 gostava de comer apenas um prato: macarrão ao alho e óleo.

"Não adiantava dar outra coisa, era o que levantava a moral dele. Depois do almoço, ele ficava com os companheiros em uma roda contando histórias, piadas e dando risada", disse Eudes.

Reverenciado por adversários

Ronaldinho chegou ao Atlético-MG no meio de 2012 após uma passagem bastante conturbada pelo Flamengo.

“O Cuca teve uma visão muito grande para levar ele para ser o ‘cara’ do time. Foi um tiro certeiro. O Kalil tinha falado que ele ia trazer problemas para a gente, mas o Cuca confiou”, garantiu Eudes.

Ronaldinho venceu o Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet e a "Bola de Ouro" de melhor jogador do Brasileiro. Nos anos seguintes, ele faturou o Mineiro, a Libertadores e a Recopa Sul-Americana.

“O Ronaldinho é fantástico tecnicamente e como pessoa. Todo mundo corria para ele porque todos no Galo o adoravam”, afirmou.

Até mesmo os adversários gostavam de dividir o mesmo campo com o astro.

“Ninguém conseguia vencer o Bolívar na altitude na Libertadores. Nós vencemos por 1 a 0 e ele jogou o fino da bola. Achávamos que não iria aguentara, mas foi bem demais. O que ele fazia por lá nem precisou correr. Acabou o jogo e todos os caras foram reverenciá-lo”, recordou.

O antigo auxiliar do técnico Cuca conta que Ronaldinho era sempre otimista e passava confiança para os colegas.

"A gente tem que entender que ele é atleta de alto rendimento e o que faz com a vida fora do futebol é algo dele. Ele era um gênio com a bola nos pés. Depois do jogo ele gostava de fazer as festas dele na casa. Mas nunca faltava ou atrasava nos treinos, só cometeu um erro naquele dia do motorista (risos)", finalizou Eudes.