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'Novo Lukaku': quem é o brasileiro de R$ 107 milhões que virou o jogador mais caro de time da Premier League

Contratado por 22 milhões de libras (R$ 107 milhões) pelo Aston Villa é um mineiro ainda pouco conhecido no Brasil: Wesley Moraes Ferreira da Silva. O atacante de 22 anos brilhou com a camisa do Club Brugge, da Bélgica, sendo eleito o melhor jogador jovem do país há duas temporadas.

O brasileiro virou a aquisição mais cara da história do clube campeão da Champions League de 1982 e que irá disputar a Premier League na próxima temporada. Ele desbancou as 18 milhões de libras pagas por Darren Bent, do Sunderland, em 2011.

Natural de Juiz de Fora (MG), Wesley começou a jogar futsal aos seis anos em uma escolinha antes de mudar para o futebol de campo, aos 14 anos. Ele chegou a passar pela base dos maiores times de Minas Gerais, mas não ficou.

"Joguei no Sport lá da minha cidade no Campeonato Mineiro e aí fui para o Cruzeiro fazer um teste quando tinha 14 anos. Só que eu não aguentei, fiquei uma semana e pedi para ir embora porque era minha primeira avaliação. Depois, um empresário me enviou para o Atlético-MG para fazer um teste, mas não passei", contou, ao ESPN.com.br.

O garoto voltou para casa e passou a conciliar o futebol com outras atividades para se sustentar.

"Eu comecei a trabalhar em uma fábrica de pregos e parafusos aos 16 anos porque eu tenho dois filhos. Era um serviço legal porque ia de manhã para lá e dava para treinar de tarde no clube", admitiu.

"As maiores dificuldades que eu tive foram as mesmas de todos os jogadores. Você faz teste em um lugar e leva um não. Mas é preciso sempre levantar a cabeça e nunca desistir. Deus sempre tem algo melhor para a gente. Eu fui persistente e fui abençoado", relatou.

Passagem rápida na Espanha

Em 2014, o atacante foi para Itabuna-BA, no qual se profissionalizou. Apenas quatro meses depois de chegar à Bahia, ele foi para o time sub-19 do Atlético de Madrid, da Espanha.

"Foi bastante gratificante para mim ter passado por lá. Aprendi muita coisa mesmo com pouco tempo que eu fiquei. A única dificuldade que passei foi o frio porque não estava acostumado e fui no inverno", garantiu.

Wesley jogou um torneio na Croácia e outro em Bilbao, na Espanha, pelo Atlético de Madrid.

"Cheguei a treinar uma vez só com os profissionais logo na primeira semana. Joguei na base do Atlético com lateral-esquerdo que foi vendido para o Real Madrid, o Theo Hernández."

O brasileiro ficou seis meses na equipe colchonera por causa de desentendimentos entre seu empresário e o intermediário que o levou à Espanha.

"Eu voltei ao Brasil e depois fui para o Nancy (França) pra fazer teste. Fique três meses e não passei. Depois, fui ao Evian (França), mas era fim de temporada e me pediram para voltar depois das férias. Só que fui levado para o Trencin, da Eslováquia, e passei."

Consagração na Bélgica

Depois de uma temporada no Trencin, o qual fez 22 jogos e 8 gols, ele foi contratado pelo tradicional Club Brugge, da Bélgica. Como falava um pouco de inglês, ele contava com ajuda de outros jogadores brasileiros e do técnico, que jogou vários anos no Benfica e sabia falar português.

"Fui muito bem recebido por todo o grupo de jogadores e a diretoria. O treinador era o Michel Preud'homme [ex-goleiro da Bélgica na Copa de 94], um cara sensacional e que meu ajudou muito", agardeceu.

Desde então foram dois títulos da Liga Belga. Na última temporada, Wesley disputou a fase de grupos da Champions League - fez dois gols no Monaco - e a Liga Europa. No total, ele balançou as redes 17 vezes em 48 jogos.

Apesar de ter 1,91m, Wesley não se define como um típico centroavante grandalhão e trombador.

"Por causa do meu tamanho as pessoas acham que eu não tenho muita velocidade, mas sou sou bem rápido. Chuto bem com as duas pernas e tenho uma boa visão de jogo, faço muito bem o 'um dois'", garantiu o brasileiro, que chegou a ser comparado a Romelu Lukaku pela imprensa belga.

"Pelo jeito de jogar e pelo porte físico me compararam com ele. Fiquei muito feliz pela comparação porque é um ídolo para mim e todos que o acompanham. É muito gratificante", agradeceu.

Wesley espera ser chamado para a seleção brasileira olímpica.

"É um sonho muito grande desde criança. Estou vivendo um momento muito bom na minha carreira. Trabalho forte e com ajuda de Deus as coisas vão acontecer. Quem sabe eu não posso ter uma convocação?", projetou.

Uma das poucas tristezas que Wesley viveu neste período foi a eliminação da seleção brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018 para a Bélgica.

"Estávamos fazendo a pré-temporada na Holanda e vimos o jogo no hotel com todo com toda a equipe. Depois que acabou ficaram me zoando, mas foi sadio (risos). Aí eu perguntei para eles quantas Copas do Mundo eles ganharam e ficou nessa resenha (risos)", recordou.