Março é o mês da mulher e, sempre que ouvimos falar sobre ‘mulher nos esports’, logo vem à cabeça aquele papo de machismo, o quanto elas sofrem nesse meio e coisas do gênero… Só que desta vez não vai será mais um lugar onde você vai ouvir falar destas coisas.
Esse assunto já está saturado, pois todo mundo tem ciência sobre o quanto as mulheres sofrem nos esports, sobre o quão injusto e cruel é com as mulheres.
Nesse Dia da Mulher, por que não enaltecer aquelas que lutam diariamente por um cenário mais feminino e acolhedor para todas nós? Que tal conhecer um pouco das verdadeiras estrelas dos joguinhos?
VALORANT
O game tem se destacado por causa do grande apoio a comunidade feminina e seus campeonatos. Mostrando que entendem o que estão falando e dando um verdadeiro show do joguinho, destacamos Leticia Motta e Evelyn Mackuss, como casters, e Luisa “shyz” Minarelli e Natália “daiki” Vilela, como jogadoras.
Leticia começou sua carreira como caster no League of Legends, com passagens pela Superliga ABCDE e pela retransmissão da LEC (Liga Europeia de LoL) em português. Ela migrou para o VALORANT ao reconhecer um cenário recente e mais aberto a figuras femininas - e se dedicou 100% a isso.
Ela agora faz parte da equipe de casting oficial do VALORANT Champions Tour, mostrando para todo mundo o quanto entende do jogo e fazendo um excelente trabalho.
Já Evelyn teve o início da sua carreira no mundo dos esports como jornalista, cobrindo campeonatos como o CBLoL por vários veículos, incluindo o ESPN Esports Brasil. Evelyn também se encantou por VALORANT e passou a estudá-lo.
Hoje, Evelyn também faz parte da equipe de casting oficial do VALORANT Champions Tour como repórter, um sonho que devido à muito estudo e dedicação, conseguiu alcançar com maestria.
Luisa “shyz” Minarelli é jogadora de VALORANT pela INTZ e teve o maior número de abates dentre as pro players do seu time que jogaram o campeonato Girl Pwr Valorant, quando ainda fazia parte da Fire Angels. Shyz também dá aula de Raze, personagem do game que tem uma jogabilidade difícil, mostra jogadas incríveis.
Natália “daiki” Vilela é uma das revelações do cenário Com apenas 16 anos, a jogadora faz parte do time da Gamelanders, e mostrou que realmente tem talento para competir em alto nível. Ela conquistou o título de “primeira mulher a aparecer no top 100 dos melhores jogadores de Valorant do Brasil”.
LEAGUE OF LEGENDS
Um dos jogos com maior comunidade do mundo, o LoLzinho tem muita história pzra contar. Por muito tempo foi um jogo com o público majoritariamente masculino, mas as meninas foram conseguindo se inserir nele e agora a comunidade feminina está crescendo bastante.
Maria Julia “Fogueta” é um dos novos talentos e apostas da Riot Games para a nova temporada do CBLoL Academy, marcando presença como narradora no campeonato.
Ela trouxe muito carisma para a transmissão e, com certeza, vem inspirando muitas meninas que acreditavam não ser possível chegar aonde estamos.
Um pouco mais antiga e conhecida no cenário, Ravena Dutra também conquistou um lugar como comentarista oficial da Riot Games. Com um grande conhecimento do jogo e uma dedicação incrível, ela também é fonte de inspiração para muitas meninas.
O LoL não só está aumentando a presença feminina no casting, mas investindo em jogadoras, como Gabriela “Harumi”, suporte do time Academy da Rensga, Ariel “Ari” e Larissa “Lawi”, contratadas pelo Cruzeiro, Tainá “Yatsu”, da INTZ, Elizabeth “Liz” da LOUD, dentre outras.
FREE FIRE
Jogo da Garena, o Free Fire dá o que falar na comunidade de games. Ele é sucesso em todo Brasil e um dos jogos mais inclusivos atualmente, o que já possibilitou diversas ações incríveis de campeonatos mesmo na pandemia.
Não só com a comunidade feminina, mas o Free Fire traz a esperança de um cenário de games e esports onde literalmente todo mundo que quiser jogar e participar, vai conseguir.
No Free Fire, Maah Lopez se destacou por seu conhecimento do jogo, carisma e habilidade. Ela cresceu muito em pouco tempo no cenário e, em 2020, foi a única mulher entre as finalistas de um campeonato promovido pelo Facebook. Ela também foi convidada para comentar o campeonato do Alok e selecionada para ser comentarista e analista da série B da maior competição de Free Fire do Brasil, a LBFF.
Além disso, diversas mulheres fazem stream ou conteúdo para o YouTube de FF e mandam ver no joguinho, como por exemplo a Ingredy Barbi, Babi da LOUD, SOS DEBB entre outras.
COUNTER-STRIKE: GLOBAL OFFENSIVE
O cenário feminino de CS:GO já é um pouco mais antigo, mas ainda precisa de muita melhora também. Nele, algumas meninas estão fazendo história e inspirando outras a seguir seus sonhos.
Amanda “AMD” Abreu é veterana no joguinho que atua na Havan Liberty e já passou por grandes organizações como Team One, BootKamp, Vivo Keyd e Black Dragons. Ela ficou afastada por um tempo, mas resolveu voltar e continua arrasando no game.
Outra jogadora que também mostra ao que veio no CS:GO é Bruna “bizinha” Marvila, jogadora do MIBR e considerada a melhor jogadora do Brasil há alguns anos.
No casting, Babi Micheletto traz seu conhecimento sobre o jogo e suas habilidades para entregar um show de primeira para quem a assiste. Ela é pioneira na área e já participou de grandes campeonatos.
Babi atualmente tem um projeto chamado Pode Casting, que foi idealizado com a ideia de ajudar na inserção de novos casters no cenário de esports.
RAINBOW SIX SIEGE
Um pouco mais tímido, o cenário de R6 está trabalhando para aumentar seu público feminino e ajudar as meninas a terem seu espaço, promovendo campeonatos como o Circuito Feminino de Rainbox Six Siege 2021, com uma alta premiação.
No R6, algumas das meninas que estão lutando por um cenário mais justo e inclusivo são Gabriela “GaB” Scheffer e Vitória “viic” Rodrigues.
GaB é player do time FURY e, recentemente, lançou um projeto chamado #GameSemPreconceito, que tem o intuito de mostrar o dia a dia das jogadoras e tudo o que elas passam in game ou fora dele.
Viic é comentarista e analista da equipe de transmissão da Ubisoft Brasil, tem um amplo conhecimento sobre o jogo e já participou de campeonatos nacionais e internacionais.
A Ubisoft também tem uma mulher como diretora, Bruna Soares. E isso é de extrema importância porque mostra para as meninas que, além de caster e jogadoras, existe uma infinidade de cargos que elas podem ocupar dentro do cenário de esports. E é ótimo ver que uma empresa grande como a Ubisoft está dando esse espaço.
CONTEÚDO
Mas é claro que nem só de jogadoras e caster que vamos falar aqui, afinal, o cenário é para todas, independente do que façam.
É muito bom ter tantas mulheres fodas como inspiração, poder olhar para onde elas já chegaram e acreditar que nós também vamos conseguir chegar lá com muita dedicação e amor pelos joguinhos, afinal, isso é o que nos une.
O cenário de streamers tem crescido muito nos últimos tempos e estamos vendo cada vez mais times grandes contratando meninas para vestirem o manto durante suas streams.
Podemos citar Sher Machado e Mila Ayleen, que recentemente foram contratadas pela INTZ como streamers oficiais.
Além delas, outras meninas também representam outros times como Paula Nobre, Cute e Nayu da FURIA, Mayumi da TSM, Rawfaela também da INTZ.
Outras opções para quem curte o cenário de esports, mas não gostaria de ser pro player, são caster e streamer. Puxando a fila, e mostrando que dão um verdadeiro show onde estão, temos Nyvi Estephan, que foi eleita a maior apresentadora de esports da América Latina e terceira do mundo, Isadora Bastile e Bruna Balbino.
E jornalistas de esports e games? Também tem. Se você não conhece, é sua chance de conhecer as grandes estrelas do jornalismo de games.
Barbara Gutierrez, que já passou por grandes portais como Omelete, UOL, IGN, VS/MGG, entre outros. Helena Nogueira, que hoje é repórter na Loading. Bia Coutinho, repórter no MGG. Mari Coelho, que escreve paro o The Clutch.
São tantas mulheres incríveis, não é mesmo? E tem tantas outras que nossa esperança de um cenário cada vez mais inclusivo para as meninas continua muitíssimo viva!
Julia Macalossi é apaixonada por games e esports e colunista no ESPN Esports Brasil. Siga-a no Twitter e Instagram.
