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Solicitada por Leila do Vôlei, audiência pública sobre esports é aprovada pelo Senado

Senadora Leila Barros (PSB-DF). Pedro França/Agência Senado

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (27) a realização de uma audiência pública sobre a regulamentação dos esportes eletrônicos no Brasil. O pedido foi feito pela senadora Leila Barros (PSB-DF).

Em comunicado oficial, a ex-jogadora de vôlei afirmou que foi procurada “por diversos atores interessados, contrários e favoráveis à regulamentação dos esports no Brasil”. “Por isso, apresentei um requerimento para a realização de uma audiência pública, para que possamos ouvir todos os lados”, explica.

O objetivo da audiência pública é ouvir os interessados no Projeto de Lei 383/2017, de autoria do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), que pretende regulamentar os esports no Brasil e será analisado no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia e da Comissão de Educação.

A data da audiência ainda não foi definida, mas interessados em receber informações sobre o encontro podem se cadastrar pelo WhatsApp ao enviar a palavra “GAMES” para o número (61) 9903-7838.

ESPORTS EM DISCUSSÃO

Os esportes eletrônicos e a senadora Leila foram foco de uma polêmica no início de junho. Na ocasião, em audiência sobre o PL 383/2017, a ex-jogadora de vôlei afirmou que “isso não é esporte”.

“Nós estamos falando sobre as questões éticas, morais dos jogos eletrônicos, mas quando se fala de esporte, tem que ser ouvida a comunidade esportiva porque existe uma preparação para ser atleta, para se entrar em quadra e representar um país, uma liga ou uma empresa. O alto rendimento é isso. É uma entrega”, disse a senadora na época.

“Eu não sei o que as pessoas fantasiam quanto ao esporte, mas as pessoas abdicam de sua vida pessoal para representar o país”, continuou. “Eu queria que as pessoas entendessem que quando a gente fala sobre jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro e esportes, são coisas distintas”.

Após a repercussão negativa de suas afirmações, a senadora se desculpou (inclusive em vídeo), disse que “tem interesse em conhecer visões diferentes” e prometeu uma audiência pública sobre o assunto.

Leila Barros apontou defender “um debate amplo com entidades esportivas, atletas e gamers sobre a regulamentação dos “esportes eletrônicos” e que se preocupa “com o possível incentivo a competições de jogos extremamente violentos”, sendo este ponto “uma preocupação legítima e que merece ser trazida ao processo de construção da regulamentação”.

Dias depois, a senadora recebeu uma carta da Associação Brasileira de Clubes de Esports (ABCDE) e da Entertainment Software Association (ESA), que solicitaram a continuidade das discussões sobre o assunto.

No documento, as associações, que congregam alguns dos principais clubes de esports do Brasil e as principais desenvolvedoras de games do mundo, afirmam que o projeto deve ser “discutido de forma mais ampla com partes interessadas, sejam elas atletas de esportes tradicionais ou competidores e empresas de esports”.