Tiago Volpi vive um novo momento na carreira. Após um período de turbulência no Grêmio na última temporada, o goleiro de 35 anos aceitou um novo desafio e foi até Bragança Paulista se tornar o jogador com mais experiência em um grupo recheado de jovens.
Com a camisa do Red Bull, encontrou a ‘paz’ para trabalhar e voltar a desfrutar do futebol. Hoje, voltou a voltou a viver seu melhor momento individualmente e assumiu a titularidade da meta do Massa Bruta – que nesta quinta-feira (7) visita o Blooming na Bolívia pela CONMEBOL Sul-Americana, com transmissão ao vivo da ESPN pelo Plano Premium do Disney+ às 21h30 (de Brasília).
Em entrevista exclusiva, Volpi destaca a pressão pela necessidade de levar o Bragantino a outro patamar e as vantagens de viver o dia a dia do interior e de um clube “jovem”. “Acho que o ponto que mais chama a atenção, além de toda essa infraestrutura, eu acredito que seja essa parte de paz para trabalhar. Acho que é inegável a gente dizer que aqui não tem uma paz diferente do que tem nos outros lugares. Muito pela pressão externa que a gente tem em outros ambientes, seja de imprensa, torcida, que por um lado é bom também, eu acho que todo grande jogador, quando ele vive em ambientes assim, ele também sabe desfrutar desse tipo de pressão, desse tipo de cenário, mas aqui é um lugar diferente nesse sentido, é uma tranquilidade maior para trabalhar. A gente acaba tendo um respaldo muito grande de todas as pessoas dentro do clube nessa questão, nessa tranquilidade de tu poder desempenhar o teu melhor no dia a dia, sem ter coisas externas talvez atrapalhando tanto”, opinou.
“Não que aqui não tenha pressão, é diferente, aqui a gente tem a pressão pelos resultados, mas ela te dá essa tranquilidade maior para você trabalhar no dia a dia e poder viver e desfrutar do futebol em um ambiente um pouco diferente do que é em um ambiente de São Paulo, em um ambiente de Grêmio, e até mesmo no México, que também tem uma certa cobrança mais forte pela questão dos resultados.”
Não estranhe, mas Volpi sente saudades de balançar as redes. Não como goleiro, mas sim como cobrador de pênalti. Ao longo da carreira, o arqueiro marcou 17 gols e viveu sua “fase artilheira” pelo Toluca-MEX.
O último gol foi marcado ainda pelo Grêmio, no ano passado. A oportunidade ainda não pintou pelo Massa Bruta, mas Volpi diz que está preparado e quer voltar a honrar seu ídolo e inspiração, Rogério Ceni.
“Não teve ainda (oportunidade de cobrar), mas a gente continua treinando, acho que o último gol foi contra o Botafogo pelo Grêmio na Arena (ano passado), e a gente segue treinando, o dia que aparecer uma oportunidade e o Mancini me der essa chance, se Deus quiser, sai mais um golzinho aí. Todo mundo sabe que o Rogério Ceni foi uma grande inspiração para mim, não só na questão como goleiro debaixo das traves, mas nessa questão de fazer os gols também.”
Sonho realizado no São Paulo
A passagem de Tiago Volpi pelo São Paulo dividiu opiniões, sendo marcada por protagonismo e altos e baixos sob intensa pressão. Volpi foi peça importante na conquista do Campeonato Paulista de 2021, que encerrou um jejum de títulos do clube, mas também enfrentou críticas ao longo dos anos.
Volpi admite que a passagem pelo clube não terminou da maneira como ele gostaria, mas que cumpriu o seu maior sonho na carreira.
“Foi um sonho realizado. Jogar no São Paulo foi uma das maiores coisas que aconteceu na minha carreira, se não foi a maior. Acho que é um objetivo que a gente alcança um dia, poder jogar num time do tamanho do São Paulo, poder ter estado ali debaixo dessas traves onde o Rogério representou por muitos e muitos anos. Para mim foi um motivo de muito orgulho, de muita felicidade, e eu só tenho coisas boas a falar, por mais que a saída não tenha sido como eu esperava, as coisas no final não aconteceram da maneira como eu gostaria, mas eu só tenho gratidão e carinho por tudo que eu vivi no São Paulo.”
Fábio, do Fluminense, como 'meta'?
Aos 35 anos e vivendo grande fase, a aposentadoria não passa pela cabeça de Volpi neste momento. Ao ver o companheiro de profissão Fábio, goleiro do Fluminense, brilhar aos 45, faz o paredão do Massa Bruta se motivar ainda mais e encorajar outros colegas a esticarem um pouco mais a carreira.
“Isso aí vai depender muito do Fábio, enquanto ele seguir esticando, vai dar margem para gente poder jogar mais (risos). Eu vou fazer 36 no final do ano, mas ainda me sinto bem, vejo ele cada dia melhor, então eu não vou botar limite, acho que enquanto Deus me permitir com saúde e podendo jogar no alto nível, vou seguir desfrutando disso que a gente ama fazer, que é jogar futebol. Ele (Fábio) é um cara espetacular, o que ele vem fazendo com a idade que ele tem só faz a gente querer almejar ainda mais, prolongar a nossa carreira também.
'Rolês' de Ronaldinho Gaúcho
Das aleatoriedades do futebol, a amizade com Ronaldinho Gaúcho talvez tenha sido a maior na carreira de Tiago Volpi. O goleiro e o craque do futebol atuaram juntos pelo Querétaro, do México, por onde construíram uma relação de admiração e proximidade fora dos campos.
Mas Volpi alerta: caso você seja casado, a casa do ‘bruxo’ talvez não seja o melhor ambiente - recado que o próprio craque faz questão de deixar claro.
“O Ronaldinho é um caso à parte. Eu acho que foi talvez das melhores pessoas, sem falar o jogador que ele foi, mas das melhores pessoas que eu tenha conhecido na minha vida. É um cara que me ensinou muito, principalmente na questão da humildade que ele tinha, o carinho que ele tinha com todos os fãs dele. Não é fácil ser Ronaldinho, acho que só quem acaba estando perto dele sabe o que realmente é a vida dele, o assédio que é, um cara que talvez não possa fazer nada que um cidadão comum possa fazer, por tamanho e reconhecimento, e ele sempre muito disposto a atender todas as pessoas, sempre com aquele sorriso no rosto, então ter conhecido esse lado humano do Ronaldinho foi algo espetacular, a gente teve uma relação muito legal”.
“A questão de frequentar a casa dele era um pouco mais complicado, porque eu já era casado, e a gente sabe, e ele deixa isso público pra todo mundo, que talvez não seja o melhor ambiente para as pessoas casadas (risos), mas foi um cara que eu tenho um carinho muito grande, e me orgulho muito de poder dizer que eu joguei com o Ronaldinho Gaúcho”.
O impacto de Fernando Diniz
Volpi e Fernando Diniz construíram uma relação de forte admiração mútua e parceria durante o período em que trabalharam juntos no São Paulo. Foi com o técnico que o goleiro viveu seu melhor momento no Tricolor e teve uma qualidade ainda mais aperfeiçoada: o jogo com os pés.
Medo de errar? Não para Volpi. A confiança do treinador fez com que o arqueiro se destacasse no quesito e aproveitasse sem pressão.
“Eu acho que nesse aspecto do goleiro jogar com os pés, por mais que eu já gostasse muito e até já tinha desempenhado isso em outros clubes, e até mesmo no São Paulo, antes da chegada dele, a partir do momento aonde ele chega no São Paulo, aquilo acaba se tornando uma característica mais marcante. Posso te dizer com toda certeza que ele potencializou muito essa questão do jogo com os pés”.
“(Medo) Talvez para quem estivesse assistindo no estádio e na televisão. Para a gente que estava dentro de campo ali, desfrutávamos ao máximo, é lógico que em um começo até entender bem a ideia, ter essa coragem toda que ele pedia para a gente ter, porque muitas vezes pode parecer que dá medo pelo fato de serem jogadas muito arriscadas dentro da área, dentro da pequena área, mas a partir do momento que tu pega a confiança, que tu entende, e principalmente para o goleiro, o que facilitava muito é que não era só uma opção, a gente tinha às vezes três, quatro opções e ficava muito fácil de escolher com quem jogar, e às vezes as pessoas diziam, nossa esse goleiro joga tão bem com os pés, mas muitas vezes eram os movimentos dos jogadores que nos facilitavam e às vezes transmitia isso, então ele é um cara especial nesse sentido do jogo com os pés, aprendi muito com ele.”
