Assumir o gol do Athletico-PR, posição tão disputada e que revelou talentos nos últimos anos, é uma missão difícil, mas o desafio acompanha a carreira de Léo Linck. Atual arqueiro do clube e titular no jogo desta quinta-feira (25) contra o Cerro Porteño, pela CONMEBOL Sul-Americana, ele foi zagueiro na infância e mudou de posição por acaso.
Ser goleiro não era a sua preferência. Quando começou, Léo queria ser atacante, mas, como dito por ele mesmo, "não tinha qualidade nenhuma"; então, foi 'recuando'. Com isso, passou a atuar como fixo no futsal, mas exagerava um pouco na violência em quadra, a ponto de assustar as mães dos adversários.
"Elas falavam: 'Deixa ele no gol que pelo menos ele não machuca ninguém' (risos)" - e foi essa reclamação que o levou a defender as metas, inspirado por seu pai, que era goleiro na várzea. "Eu ia nos jogos e o assistia, para ver o que fazia", relembrou. "(E) meu avô também jogou (no gol)", adicionou.
Sua principal referência, claro, seria quem o treinaria nesse começo. E os exercícios em família eram desafiadores, contou Léo Linck à ESPN. "Meu pai é muito forte, ele sentava o pé. Os amigos dele ficavam bravos e ele falava: 'Se quiser ser goleiro, vai ter que suportar tudo. Ele não quer ser jogador? Então, quando precisar, vai estar lá', e deu certo". O 'método' funcionou e, aos 14 anos, ele chegou ao Athletico-PR.
Drama familiar na infância
Quando era criança, seus pais se desentenderam e a mãe deixou a família, ficando somente ele, o pai e a irmã mais nova - a mais velha, morava com a avó. Esse drama não trouxe somente sofrimento, pois também o preparou para ter a "boa mentalidade" de hoje em dia, como Léo mesmo diz, e se inspirar em quem o criou.
"Nenhuma criança quer passar por aquilo, mas me deixou mais forte", contou Léo Linck em entrevista à ESPN. "Fiquei muito próximo à minha família, me deu maturidade e força mental", continuou, reforçando ainda a importância de seus entes queridos até hoje: "Qualquer folga que tenho, vou para a cidade do meu pai e das minhas irmãs. Isso me deixa relaxado".
Léo já não dispunha de boas condições financeiras e, com o abandono, a situação ficou mais crítica para seguir a ambição de virar jogador de futebol. Foi a partir daí que seu pai passou a ter papel decisivo. Com todos os obstáculos, prometeu se desdobrar para ajudar o filho a realizar o sonho, desde que ele "se dedicasse 100%, e não 99% (ou menos)".
Vida sofrida na base e apoio da comissão técnica
Mesmo tendo ingressado em um time grande, Léo Linck ainda passaria por dificuldades. Ele revelou que chorava todos os dias por saudade de casa e não saber como estava sua família. Para superar, teve ajuda de muitas pessoas de dentro do clube; um deles, o atual treinador de goleiros Felipe Faria.
"Pessoas conversavam comigo diariamente para me ajudar a me manter nos trilhos. São pessoas que, se não estivessem no clube, hoje, eu não teria me tornado o Léo Linck", ressaltou.
Os treinos, desde a base, aplicavam conceitos dos profissionais, revelou Léo, que também credita o sucesso à confiança do Athletico-PR de colocar os jovens para jogar. "O clube tem a coragem", pontuou. "Quando o Santos (atualmente no Fortaleza) errava algo, os outros trabalhavam para não repetir; quando o Bento (recém-transferido ao Al Nassr) errava, a gente também trabalhava, e assim vai", falou, sobre a evolução na meta.
E quando foi convocado para treinar com a seleção brasileira em 2021, se surpreendeu em ver como os trabalhos de clube e equipe nacional eram semelhantes. "Lá, eu vi o nível que estamos no Athletico. Talvez seja por isso que nossos últimos três goleiros titulares conseguiram chegar à seleção".
Jogo decisivo contra o Cerro Porteño
O próximo compromisso de Léo Linck será nesta quinta-feira (25) às 21h30, na volta dos playoffs da CONMEBOL Sul-Americana contra o Cerro Porteño. A primeira partida, no Paraguai, foi 1 a 1 e uma simples vitória na Ligga Arena classifica o time às oitavas de final.
Para o goleiro, o maior desafio do duelo de ida foi neutralizar o jogo de "muito combate e disputa pela primeira e segunda bolas" do adversário, como contou à ESPN. A ideia para o confronto decisivo é propor o jogo, ficar com a bola e intensificar a pressão quando perder a posse.
Léo Linck será importante nesse esquema, já que a bola também passará pelo arqueiro e ele terá o trabalho de encontrar bons passes e enxergar a movimentação da equipe, algo que o atual treinador, Martín Varini, aprecia."(Isso) é muito vantajoso para nós, que temos um meio-campo de muita qualidade", pontuou.
Se passar pelo Cerro Porteño, o Athletico-PR enfrentará o Belgrano nas oitavas de final e, caso continue avançando, tem grandes chances de fazer um duelo brasileiro com Corinthians, Fortaleza ou Red Bull Bragantino nas semifinais. Ser campeão o tornaria o primeiro clube com três títulos da competição, somando as conquistas de 2018 e 2021.
