Em pronunciamento oficial, o CEO da SAF do Fortaleza, Pedro Martins, não ficou em cima do muro e foi claro para os torcedores: 'Acabou o dinheiro'. Além disso, o dirigente citou as principais dificuldades do clube neste inicio de temporada.
Apesar da conquista recente do Campeonato Cearense de 2026, o CEO revelou que as dívidas são o maior desafio da atual gestão e que os torcedores devem se acostumar com a “nova realidade”.
A tarde desta quinta-feira (8), foi marcada por protestos na sede do Fortaleza. Cerca de 50 pessoas, entre membros de torcidas organizadas e torcedores comuns, compareceram ao clube. A ação aconteceu após a repercussão negativa da declaração do zagueiro Brítez após a derrota para o Ceará por 2 a 0.
"Agora temos o Brasileiro, uma competição importante, e deixo um recado também para o pessoal da SAF, para o CEO também, que isso aqui não é uma empresa, é um time de futebol, e os times de futebol têm que seguir todos juntos para frente, senão vai ser difícil. É o recado que tenho para ele", disse o zagueiro.
Enquanto torcedores apoiaram a atitude de Brítez, que escancarou uma crise nos bastidores do Laion, e bateram o pé sobre a permanência do capitão do time, a aprovação veio também em parte do elenco, com alguns jogadores também saindo em defesa do zagueiro, como o também zagueiro Tomás Cardona. Por outro lado, a fala não caiu bem na diretoria, com Brítez tendo a permanência indefinida no clube.
Em vídeo divulgado pelo próprio Laion, Pedro Martins abriu o jogo sobre a situação que atravessa o Fortaleza e citou 'compromissos antigos' e dívidas do passado que atrapalham o atual momento.
"Alguns funcionários assimilam mais rápido, alguns jogadores assimilam mais rápido, mas outros sofrem um pouco mais para entender que essa é a realidade do Fortaleza da Série B. Essa não é uma realidade fácil de aceitar, eu sei. Não é fácil para o nosso capitão, não é fácil para o nosso torcedor, não é fácil para aquele nosso funcionário, que está aqui há 15 ou 20 anos, não é fácil para ninguém. Somos um clube que estava há sete anos na Série A. Como assim? Um clube que estava há sete anos na Série A e agora tem que lidar com dívidas imensas? Acabou o dinheiro? Acabou o dinheiro. Mas nós estamos aqui para lidar com esse cenário".
"Não é mentira que o clube passa por uma dificuldade imensa, não só por causa do rebaixamento da série A para a Série B, mas também por compromissos antigos. Desde que eu cheguei aqui, desde o dia um, eu venho lidando com dívidas passadas, venho lidando com a necessidade da gente remontar um elenco imenso e, principalmente, construir uma operação interna, um dia a dia que faça a gente ganhar jogos", completou.
Pedro Martins assumiu o cargo no fim de dezembro do ano passado, após a saída de Marcelo Paz para o Corinthians. Nesta quinta-feira, o dirigente foi alvo de críticas por torcedores que invadiram o CT do Pici para protestar pelo mau desempenho do clube.
"A gente entende a frustração do torcedor, e a gente sabe que não é esse o Fortaleza que ele quer ver representando a camisa do clube. Os nossos jogadores, a nossa comissão técnica e toda a diretoria sabem que a gente precisa dar uma resposta de maneira imediata. A gente sabe que o torcedor quer ver não só uma equipe que o represente bem, mas uma equipe que dê perspectiva, quando ele olhar, ele veja a possibilidade de subir pra série A do Campeonato Brasileiro".
Além do CEO, o técnico Thiago Carpini também foi cobrado durante a conversa e chegou a contestar os torcedores. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que os ânimos estavam exaltados. Em pauta, as más atuações da equipe e a baixa produtividade. O comandante chegou a colocar o cargo a disposição, se caso a diretoria tricolor entendesse que o ciclo deva ser encerrado.
Na Série B do Brasileirão, o time está na 13ª posição, com quatro pontos somados, e retorna a campo neste domingo (11), às 18h (de Brasília) para enfrentar o São Bernardo, fora de casa.
