Bremer: o zagueiro que 'nasceu craque' e transformou fraqueza em ponto forte para realizar sonho na Seleção

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Brasil de amarelo, azul e combinação 'diferente': os uniformes da Seleção na primeira fase da Copa do Mundo (0:54)

Ponha-se na pele de um garoto, como tantos outros, que carrega consigo o sonho de ser um jogador de futebol, mas que, a cada teste que faz, ouve que lhe falta algo. Este jovem trabalha, trabalha, trabalha. E, no suor diário, faz de uma fraqueza uma arma poderosa.

É resumidamente a história de Bremer, zagueiro titular da Juventus e prestes a disputar a segunda Copa do Mundo da carreira. Convocado pela Seleção Brasileira novamente, após a experiência em 2022, ele é mais um personagem da série publicada pela ESPN, que conta a trajetória daqueles que jogarão o Mundial nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

Natural de Itapitanga, na Bahia, Gleison Bremer Silva Nascimento pode dizer que já nasceu campeão do mundo. Seu pai, que jogava futebol amador, quis batizá-lo com um nome relacionado ao esporte. O escolhido foi Andreas Brehme, polivalente jogador da Alemanha e autor do gol do título na Copa de 1990, sete anos antes do futuro zagueiro vir ao mundo.

Não foi só o pai de Bremer que tentou uma carreira no futebol. O irmão chegou a viajar a São Paulo para realizar peneiras, mas também não conseguiu. O garoto, então, topou arriscar. Largou o interior da Bahia e se arriscou no estado mais rico e populoso do Brasil atrás de uma oportunidade, que às vezes lhe foi negada por algo que é até impensável para quem o vê hoje em dia.

"Eu era muito magro mesmo e fazia testes para volante, para zagueiro", contou Bremer, em entrevista ao site da Fifa. "Geralmente na base eles falam que um jogador dessas posições precisa ter um biotipo muito bom. E para mim não foi uma coisa inata. Tive de correr atrás".

Bremer correu. Bastante. A ponto de deixar de ser o "magrelo" que não se firmava para ser o "forte" que todos queriam ter a partir do momento em que se destacou na base do Desportivo Brasil, ainda adolescente.

"Lá meu treinador falou que, se você tem qualidade, o físico você adquire depois. Aí comecei a treinar forte na academia. Fui adquirindo, enquanto meu corpo também desenvolvia", lembrou o defensor.

Do clube de Porto Feliz, foi para a base do São Paulo, que, ao tentar mantê-lo, viu o Atlético-MG ser mais rápido na contratação. A estreia no profissional foi em junho de 2017, contra a Chapecoense, quando substituiu o machucado Rodrigão e não saiu mais do time. Quer dizer, até saiu, só que para a Europa.

Um ano depois, Bremer estava em Turim para vestir a camisa do Torino. Foi tão bem na equipe de meio de tabela no Campeonato Italiano que causou uma queda de braço entre Inter de Milão e Juventus, disputa vencida pela equipe alvinegra ao custo de 41 milhões de euros. Era a chance de seguir os passos de um dos ídolos: Giorgio Chiellini, histórico camisa 3 da Juve.

"Ele é dirigente da Juventus, então a gente conversa bastante sobre futebol. É um cara que me inspira bastante, sempre procuro aprender com ele", contou o brasileiro, em entrevista à Cazé TV.

A outra inspiração também passou pela Juve, embora tenha feito mais sucesso com outras camisas. Pentacampeão do mundo em 2002 e titular nas Copas de 2006 e 2010 (esta como capitão), Lúcio é um espelho para Bremer dentro do futebol. Se o espaço na Juventus está conquistado, falta agora se firmar dentro da Seleção Brasileira.

"Admiro muito toda a dedicação e o esforço dele, ainda mais depois da lesão que ele teve [ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em outubro de 2024]. Vi todo o esforço, então para a gente é uma alegria poder vê-lo em mais uma Copa. Tenho muito orgulho de ser esposa dele", falou Déborah Claudino, casada com o zagueiro que agora inveja pelo porte físico que não tinha.