2018 ou 2022? Danilo escolhe Copa do Mundo que mais o frustrou e compara Ancelotti a Tite: 'É o que precisávamos'

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À ESPN, Danilo compara Ancelotti a Tite e é direto sobre treinador italiano: 'Ajuda a Seleção a estar mais tranquila' (1:34)

Assista à minissérie 'REBOOT SELEÇÃO: Do Quadrado Mágico ao Mister Carlo' a partir de 23 de maio na ESPN pelo Plano Premium do Disney+ (1:34)

Perder uma Copa do Mundo quando era possível ser campeão é uma sensação ruim. Duas, então, beira o inconsolável. Danilo é um dos que sentiu isso na pele - e vai tentar que esse filme não se repita pela terceira vez agora, em 2026, nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

O lateral do Flamengo falou com exclusividade à ESPN para o documentário "Reboot Seleção - Do Quadrado Mágico ao Mister Ancelotti", série em dois capítulos que conta a trajetória do Brasil entre as Copas de 2006 e 2026. O especial vai ao ar no Disney+ neste sábado (23) e reúne depoimentos de ex-jogadores, técnicos e jornalistas.

Convocado por Carlo Ancelotti para disputar uma Copa pela terceira vez, Danilo levará na bagagem as experiências vivas em 2018 e 2022. Nas duas ocasiões, o time dirigido por Tite chegou ao Mundial como um dos favoritos ao título, mas parou em ambas nas quartas de final. Só que uma delas terminou de maneira mais triste.

"A frustração foi maior em 2022", admite o flamenguista. "Havia tanta confiança de que venceríamos aquela Copa do Mundo, ainda mais do que em 2018. Não existia soberba, nada desse tipo. O trabalho e a preparação, dentro e fora de campo, tinham sido tão bem feitos. Tínhamos certeza absoluta de que venceríamos aquela Copa do Mundo".

Danilo chegou ao Mundial de 2022 como titular da lateral-direita da Seleção, mas se machucou logo depois da estreia e não participou da campanha inteira. Ele voltou a tempo do mata-mata, quando atuou improvisado na esquerda contra a Coreia do Sul e também contra a Croácia. Estava em campo na hora que o Brasil sofreu o empate a quatro minutos para o fim da prorrogação, uma sensação que até hoje não foi apagada.

"Minha principal lembrança desse dia é o momento em que chego ao quarto do hotel com a minha família, e meu filho mais velho, Miguel, me abraça e diz: 'Papai, sei que você fez o seu melhor'. Aí eu desabo em lágrimas, abraçado a uma criança de sete anos", recorda o lateral de 34 anos, que hoje enxerga aquela derrota de outra forma.

"Tínhamos tanta certeza da nossa qualidade, da nossa vontade de jogar e de ter a bola no pé, que talvez isso tenha nos prejudicado. No momento do gol, faltou senso de urgência para todos nós. Isso não significa falta de responsabilidade ou comprometimento, mas faltou senso de urgência justamente por um excesso de confiança no que havia sido feito e construído. O futebol pune", respondeu o jogador.

"É um jogo difícil, doloroso de revisitar emocionalmente, mas não me assusta. Faz parte do futebol. Claro que é um trauma para a vida, mas também é um grande aprendizado. Nós não tínhamos medo de perder. E penso que, hoje, se eu tiver a oportunidade de disputar uma Copa novamente, terei medo de perder".

A campanha em 2018 deixou menos traumas em Danilo. Sem Daniel Alves, que se machucou às vésperas da Copa, Tite convocou o então jogador do Manchester City como titular, mas Fagner acabou herdando o lugar novamente por uma lesão do camisa 2, que o impediu de estar na eliminação para a Bélgica.

"Aquela Seleção de 2018 era um grupo cascudo, cheio de jogadores experientes, de qualidade incrível e com uma maturidade técnica, tática e mental muito importante. Para mim, foi muito difícil ficar de fora", lembrou Danilo.

"Procurei me manter lúcido para tentar ser um ponto de apoio à equipe, que fez o máximo possível e merecia vencer ou levar a partida para a prorrogação. Criamos chances para isso. Houve um pênalti no Gabriel Jesus que é muito pouco falado. Foi difícil, porque era uma seleção muito madura, que certamente merecia um resultado final melhor".

Missão 2026

De duas experiências com Tite para uma terceira nas mãos de Carlo Ancelotti. Danilo, que conhece o técnico italiano há tempos, enxerga semelhanças entre os dois e tem confiança que o Mister é justamente o que a Seleção Brasileira precisava para chegar bem à Copa.

Ancelotti era o preferido da CBF desde o Mundial passado, mas o compromisso dele com o Real Madrid impediu o acerto. Até o casamento enfim dar certo, em maio de 2025, a Seleção foi dirigida por Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com resultados bem abaixo da expectativa.

"O Tite veio de muitos anos em que conseguiu reorganizar a casa, seja em nível tático, no comprometimento, na organização de todas as estruturas e no profissionalismo. Agora, o Ancelotti chega em um momento em que sua figura e representatividade vão muito além das características e qualidades técnicas. Ele nos ajuda muito a fazer a Seleção ter equilíbrio e, de certa forma, estar mais tranquila e preparada para buscar os objetivos", avaliou Danilo.

"Tanto o Tite quanto o Ancelotti compartilham de uma energia 'materna', digamos assim, com os atletas. São figuras que, dentro de um ambiente como o da Seleção Brasileira, são sempre muito respeitadas. Eles têm voz de comando. Basta estar presente para perceber que há comando, organização, cumprimento de horários e definição de funções".

De contrato recém-renovado para a Copa de 2030, Ancelotti tem curtido tanto a experiência de trabalhar no Brasil que se adequou até mesmo aos costumes do elenco.

"Sempre fomos um grupo internamente descontraído, brincalhão, e ele entrou nessa brincadeira. Temos o trote na Seleção, e ele se mostrou disponível: cantou, falou. É um privilégio poder compartilhar essa aventura da passagem do Mister pela Seleção Brasileira. É um jovem senhor que gosta de descontração, adora o ambiente, as brincadeiras e o sorriso constante dos jogadores e da equipe de apoio", falou o lateral.

"Também é muito importante ressaltar o esforço e a dedicação para falar o máximo de português o tempo todo. É muito legal ver que ele tenta falar e usar expressões em português a todo momento, para se fazer entender. Isso demonstra o quanto ele está motivado para o desafio da Copa. É disso que precisávamos neste momento".