<
>

Com Diniz, Neymar vai para 5º técnico diferente na seleção brasileira; com quem ele foi melhor?

Neymar e Fernando Diniz são as grandes atrações do Brasil que estreia nas eliminatórias da Copa do Mundo nesta sexta-feira (8), às 21h45 (de Brasília), contra a Bolívia, no Mangueirão.

O técnico estreia na seleção brasileira absolutamente respaldado pelo craque do time, que volta a vestir a camisa amarela depois de nove meses e terá, em Diniz, um novo comandante, algo natural em sua história na equipe nacional.

Convocado pela primeira vez em agosto de 2010, Neymar vai para seu quinto treinador diferente em pouco mais de 13 anos como jogador assíduo da seleção. O atacante foi chamado por Mano Menezes, estreou em Copas com Luiz Felipe Scolari, trabalhou rapidamente com Dunga e passou anos como o cara do time de Tite.

Mas qual deles conseguiu tirar a melhor versão de Neymar? A resposta depende do ângulo a ser analisado e pode até apresentar surpresa.

Isso porque, no quesito média de gols por jogo, foi com Dunga que a seleção conheceu o Neymar mais artilheiro proporcionalmente. Em 16 jogos sob o comando do capitão do tetra, o craque marcou 11 vezes, uma média de 0,69 por partida.

Esse número supera, friamente, o rendimento nos tempos de Felipão (18 gols em 27 jogos, média de 0,67), Mano (17 gols em 27 jogos, média de 0,63) e até mesmo de Tite (31 gols em 54 jogos, ou 0,57 a cada vez que entrou em campo).

Mas foi com Tite que Neymar teve os melhores números em termos de assistências: foram 30 passes para gol em 54 partidas, o que representa uma média de 0,56. Neste quesito, o atacante supera o próprio desempenho com Felipão (0,44), Mano (0,41) e, de longe, Dunga (0,19).

As versões de Neymar

Essa diferença dos números é explicada também pelo amadurecimento do jogador na carreira e também de seu posicionamento tático dentro da seleção.

Com Mano, Neymar ainda era um garoto que era diferencial do Santos, mas que, na seleção, ainda não tinha uma função central. Atuava pela beirada esquerda, a mesma posição que exercia na Vila Belmiro, o que naturalmente limitava sua participação a uma faixa específica do campo.

Felipão já assumiu um Neymar mais maduro, que pulou de estrela local para jogador do Barcelona. Não à toa, o técnico foi o primeiro a dar-lhe a camisa 10, como forma de reconhecimento de que a seleção, a partir daquele instante, giraria em torno de seu atleta mais talentoso.

A experiência com Dunga foi curta e basicamente se restringiu a amistosos (o que explica a média mais elevada de gols) e uma frustrante participação na Copa América de 2015. Neymar já era o grande nome da seleção e estava no auge com a camisa do Barça, então a impressão era que faltava alguém capaz de potencializar seu talento em campo.

Foi assim que apareceu Tite. Apesar das críticas pela forma de tratar o jogador extracampo, o técnico soube dar a Neymar a liberdade criativa que o transformou em um jogador decisivo nas finalizações, mas sobretudo em assistências, capaz de criar mais de um gol por partida.

A vez de Diniz

É a evolução desse jogador, que passou por diversas culturas futebolísticas, que Fernando Diniz recebe em sua primeira experiência na seleção. Neymar já não é um menino, não tem o arranque de outros tempos e escolheu sair da Europa para viver a experiência do, até agora, pouco desafiador futebol da Arábia Saudita.

Tudo isso será levado em conta na hora de pensar a nova seleção, mas, pelo que indicam os primeiros trabalhos, Neymar se posicionará como o camisa 10 autêntico, centralizado, armador e com liberdade para encostar no centroavante, que ao menos de cara deve ser Richarlison.

Parte desse Neymar 5.0 será mostrado contra a Bolívia, seleção que, surpreendentemente, não costuma sofrer tanto com o craque brasileiro. Dos 77 gols que tem com a camisa amarela, apenas três foram contra a adversária desta noite, o que a deixa longe do ranking dos que mais foram vazados pelo atacante.

Veja a lista de vítimas abaixo:

  • 9 - Japão

  • 6 - Peru

  • 5 - Estados Unidos

  • 4 - Colômbia, Coreia do Sul, Croácia, Equador

  • 3 - África do Sul, Argentina, Bolívia, China, Uruguai

  • 2 - Camarões, Chile, Costa Rica, Escócia, México, Paraguai, Turquia

  • 1 - Alemanha, Austrália, Áustria, El Salvador, Espanha, França, Iraque, Itália, Panamá, Portugal, Tunísia, Venezuela