A estreia do Brasil nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, às 21h45 (de Brasília) desta sexta-feira (8), contra a Bolívia, marca o começo de Fernando Diniz em um cargo bastante almejado, mas que pouquíssimos tiveram a chance de ocupar ao longo da história nacional.
Criada em 1914, a seleção brasileira passou a ter um comandante efetivo somente nove anos depois, com Chico Netto, o primeiro dos 34 que dirigiram a equipe (sem contar os interinos, como era Ramon Menezes, por exemplo). E, desses, somente dois abriram seus trabalhos contra a Bolívia, oportunidade que Diniz terá agora: Aymoré Moreira e Telê Santana (veja como foram todas as estreias ao fim da reportagem).
Aymoré foi o treinador da seleção bicampeã mundial na Copa do Mundo de 1962, no Chile, mas sua primeira passagem pelo cargo ocorreu quase uma década antes, por sugestão do irmão Zezé Moreira – a quem substituiu, por sinal.
Em 1º de março de 1953, o comandante estreou pelo Brasil com goleada por 8 a 1 sobre os bolivianos, em partida realizada em Lima, no Peru, e válida pelo Sul-Americano.
O trabalho de Aymoré durou exatamente um mês, justamente o período de disputa do torneio, em que o Brasil ganhou quatro jogos, perdeu três e ficou com o vice-campeonato. A despedida do técnico foi com derrota por 3 a 2 para o campeão Paraguai, em uma época que a seleção, por mais grandes jogadores que tivesse, ainda não era a camisa pesada, cheia de títulos e temida que virou depois.

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Aymoré saiu, viu seu irmão Zezé retomar o posto, mas teve a possibilidade de assumir o cargo novamente em 1961 para liderar o Brasil rumo ao segundo título seguido da Copa do Mundo. Essa campanha ficou marcada pela genialidade de Mané Garrincha, que assumiu o protagonismo após a lesão de Pelé e foi o grande nome do elenco canarinho.
Passaram-se mais de 30 anos até a Bolívia entrar novamente no caminho de um treinador estreante da seleção. Reestreante, no caso, porque a partida de 2 de junho de 1985, em Santa Cruz de la Sierra, marcou a volta de Telê Santana.
Mentor do time que encantou o mundo na Copa de 1982, Telê estava no Al Ahli, da Arábia Saudita, até topar retomar o cargo para o Mundial de 1986. Seu primeiro desafio foi logo na abertura das eliminatórias, disputada em formato diferente do atual, quando o Brasil venceu os donos da casa por 2 a 0, gols de Casagrande e Miguel Noro (contra).
Com Telê, o Brasil voltou a ganhar jogos, embora sem o mesmo brilhantismo da primeira passagem, e garantiu a vaga na Copa como líder de um grupo que também tinha o Paraguai. Mas, no Mundial realizado no México, de novo a seleção ficou pelo caminho na busca pelo então tetracampeonato.
Após 100% na fase de grupos e vitória sobre a Polônia, o Brasil empatou por 1 a 1 com a França, à época estrelada por Michel Platini, e foi eliminada nos pênaltis. Foi o último jogo na seleção de Telê, que, anos depois, seria eternizado como maior técnico da história do São Paulo após o bicampeonato da CONMEBOL Libertadores e do Mundial de Clubes em 1992 e 1993.
Agora é a vez de Fernando Diniz também fazer sua estreia pelo Brasil contra a Bolívia, um adversário que historicamente é pouco desafiador. As cinco únicas vitórias do país sobre a seleção verde e amarela foram na altitude (a última delas em 2009).
O técnico do Fluminense assinou contrato por um ano e fica no cargo até as vésperas da Copa América, quando a intenção da CBF é ter Carlo Ancelotti, hoje no Real Madrid, já no comando da seleção.
Relembre todas as estreias de técnicos efetivos da seleção:
CHICO NETTO (1923) - Brasil 0 x 1 Paraguai (Sul-Americano)
JOAQUIM GUIMARÃES e RAMÓN PLATERO (1925) - Brasil 5 x 2 Paraguai (Sul-Americana)
PÍNDARO DE CARVALHO (1930) - Brasil 1 x 2 Iugoslávia (Copa do Mundo)
LUIS VINHAES (1931) - Brasil 2 x 0 Uruguai (Copa Rio Branco)
ADEMAR PIMENTA (1936) - Brasil 3 x 2 Peru (Sul-Americano)
CARLOS NASCIMENTO (1939) - Brasil 1 x 5 Argentina (Copa Roca)
SYLVIO LAGRECA (1940) - Brasil 2 x 2 Argentina (Copa Roca)
JAYME BARCELLOS (1940) - Argentina 6 x 1 Brasil (Copa Roca)
ADEMAR PIMENTA (1942) - Brasil 6 x 1 Chile (Sul-Americano)
FLÁVIO COSTA E JORECA (1944) - Brasil 6 x 1 Uruguai (amistoso)
FLÁVIO COSTA (1945) - Brasil 3 x 0 Colômbia (Sul-Americano)
ZEZÉ MOREIRA (1952) - Brasil 2 x 0 México (Pan-Americano)
AYMORÉ MOREIRA (1953) - Brasil 8 x 1 Bolívia (Sul-Americano)
ZEZÉ MOREIRA (1954) - Chile 0 x 2 Brasil (eliminatórias)
VICENTE FEOLA (1955) - Brasil 2 x 1 Chile (Taça Bernardo O'Higgins)
FLÁVIO COSTA (1955) - Brasil 3 x 0 Paraguai (Taça Oswaldo Cruz)
OSVALDO BRANDÃO (1955) - Brasil 3 x 3 Paraguai (Taça Osvaldo Cruz)
TETÉ (1956) - Brasil 2 x 1 Chile (Pan-Americano)
FLÁVIO COSTA (1956) - Portugal 0 x 1 Brasil (amistoso)
OSVALDO BRANDÃO (1957) - Brasil 4 x 2 Chile (Sul-Americano)
SYLVIO PIRILLO (1957) - Brasil 2 x 1 Portugal (amistoso)
PEDRINHO (1957) - Chile 1 x 0 Brasil (Taça Bernardo O'Higgins)
VICENTE FEOLA (1958) - Brasil 5 x 1 Paraguai (Taça Oswaldo Cruz)
AYMORÉ MOREIRA (1961) - Paraguai 0 x 2 Brasil (Taça Oswaldo Cruz)
VICENTE FEOLA (1964) - Brasil 5 x 1 Inglaterra (Taça das Nações)
AYMORÉ MOREIRA (1967) - Uruguai 0 x 0 Brasil (Copa Rio Branco)
JOÃO SALDANHA (1969) - Brasil 2 x 1 Peru (amistoso)
ZAGALLO (1970) - Brasil 5 x 0 Chile (amistoso)
OSVALDO BRANDÃO (1975) - Venezuela 0 x 4 Brasil (Copa América)
CLÁUDIO COUTINHO (1977) - Brasil 6 x 0 Colômbia (eliminatórias)
TELÊ SANTANA (1980) - Brasil 2 x 0 México (amistoso)
CARLOS ALBERTO PARREIRA (1983) - Brasil 3 x 2 Chile (amistoso)
EDUARDO COIMBRA (1984) - Brasil 0 x 2 Inglaterra (amistoso)
EVARISTO DE MACEDO (1985) - Brasil 2 x 1 Colômbia (amistoso)
TELÊ SANTANA (1985) - Brasil 2 x 0 Bolívia (eliminatórias)
CARLOS ALBERTO SILVA (1987) - Inglaterra 1 x 1 Brasil (Taça Stanley Rous)
SEBASTIÃO LAZARONI (1989) - Brasil 1 x 0 Equador (amistoso)
FALCÃO (1990) - Espanha 3 x 0 Brasil (amistoso)
CARLOS ALBERTO PARREIRA (1991) - Brasil 3 x 1 Iugoslávia (amistoso)
ZAGALLO (1994) - Brasil 2 x 0 Iugoslávia (amistoso)
VANDERLEI LUXEMBURGO (1998) - Brasil 1 x 1 Iugoslávia (amistoso)
EMERSON LEÃO (2000) - Brasil 1 x 0 Colômbia (eliminatórias)
LUIZ FELIPE SCOLARI (2001) - Uruguai 1 x 0 Brasil (eliminatórias)
CARLOS ALBERTO PARREIRA (2003) - China 0 x 0 Brasil (amistoso)
DUNGA (2006) - Brasil 1 x 1 Noruega (amistoso)
MANO MENEZES (2010) - Estados Unidos 0 x 2 Brasil (amistoso)
LUIZ FELIPE SCOLARI (2013) - Inglaterra 2 x 1 Brasil (amistoso)
DUNGA (2014) - Brasil 1 x 0 Colômbia (amistoso)
TITE (2016) - Equador 0 x 3 Brasil (eliminatórias)
