Daniel Alves foi, de longe, jogador mais contestado da convocação de Tite para a Copa do Mundo do Qatar, mas tem prestígio na seleção brasileira
Daniel Alves pode até não ser titular na vaga de Danilo nesta segunda-feira (28), contra a Suíça. Mas, dentro da seleção brasileira, ninguém duvida que o lateral de 39 anos tem todas as condições de jogar, em um grande contraponto a todas as críticas de quem não entendeu sua convocação.
Desde o início da preparação para a Copa do Mundo do Qatar, o veterano vem sendo defendido por seus companheiros, que ressaltam sua qualidade em campo e importância fora dele. Mas a ESPN também ouviu ex-jogadores da seleção brasileira e mesmo o técnico Xavi, que comunicou que não contaria mais com Daniel na última temporada no Barcelona, e todos saíram em defesa da escolha de Tite.
Sem Danilo, Daniel compete com Éder Militão para estar entre os 11 iniciais na segunda rodada do grupo G da Copa do Mundo. Neste momento, o zagueiro do Real Madrid é o favorito pela vaga.
Não se surpreenda, porém, se o jogador do Pumas, do México, começar jogando. "Se o Daniel está aqui, confiamos nele. Não precisamos nem falar, contamos com ele. Está treinando bem, empenhado. Mas quem vai jogar é decisão do treinador", disse Casemiro, o mais decente "defensor" do lateral-direito entre os convocados para a Copa.
"Daniel não veio a passeio, veio porque é um jogador competente. Não entendo muito bem (os questionamentos) pelo nível do Daniel Alves. Já mostrou isso para o mundo inteiro. Podemos contar com ele. Se o treinador trouxe, é porque contamos. É inevitável falar que característica é diferente do Militão, que é mais defensivo. Daniel é mais de qualidade (com a bola), pé diferente. E tenho certeza que ele veio aqui para jogar, como todo mundo", complementou o volante.
Antes de Casemiro, Danilo, titular da posição e agora com uma lesão ligamentar no tornozelo esquerdo, já havia defendido Daniel por sua qualidade e também liderança, atributo que também foi citado por jogadores mais jovens, como Richarlison e Rodrygo.
A voz da experiência
Ex-jogadores com passagem pela seleção também defendem Daniel Alves na Copa. Pentacampeão do mundo em 2002, Lúcio enumerou motivos pelos quais entende Tite.
"Pelo fato da experiência, de ter tanto tempo de seleção, outras Copas do Mundo, acredito que a função dele é poder ajudar os mais jovens, passando um pouco mais de tranquilidade e lutar para vencer. Ali, eu acredito que todos têm um mesmo objetivo. A idade, estar em um clube de menor expressão, faz diferença e vêm os questionamentos. Mas acho que, com o aumento na lista de convocados, ele possa vir a somar, principalmente com a experiência”, disse.
Gilberto, que disputou as Copas de 2006 e 2010, sendo essa segunda já com a presença de Daniel no grupo, concorda com a percepção de Lúcio – que também estava naquele time na África do Sul.
"O Daniel era um atleta mais calado, ficava mais na dele, respeitando aquela posição dele no momento. Mas óbvio que, depois dali, foi ganhando mais espaço, cresceu dentro da seleção brasileira, se tornou um líder e até referência para alguns jogadores. Essa convocação do Daniel, apesar de muitos não gostarem, é em cima disso. Um jogador líder dessa geração e já demonstrou isso em momentos difíceis. É um cara que pede a palavra, que mesmo com a derrota vai chamar a responsabilidade para si."
"O Daniel é um jogador que tem essa liderança dentro do grupo. Ele já demonstrou isso em algumas ocasiões, como na Olimpíada. Então ele foi convocado mais por essa liderança, por ser o jogador que é, que já conquistou muitos títulos. O Tite chamou justamente por isso, para dar uma freada na hora que precisar, para chamar o jogador no canto quando precisar, incentivar os jogadores e deixar outros mais tranquilos em relação a Copa do Mundo."
Mas não é só a liderança de Daniel que agrada o ex-lateral-esquerdo. "Fora a parte técnica. Apesar de ter sido contestado, por estar jogando em uma liga que as pessoas acham que não tem tanta expressão assim, apesar da Liga Mexicana ser complicada, acho que o Daniel foi super bem convocado. Ele goza de uma experiência, já passou por quase tudo nesse mundo do futebol e está ali como um líder que vai ajudar os jogadores a fazerem o melhor para que o Brasil consiga buscar o tão sonhado hexa", avaliou.
"Na lateral, talvez, a gente não tenha no Brasil alguém assim. Ele é um cara que se cuida. Os profissionais que estão hoje na seleção brasileira são capazes de colocar o Daniel em condição física para que ele possa desempenhar o seu melhor papel.”
Elogio de Xavi
Antes de se transferir para o Pumas, do México, Daniel disputou a temporada passada pelo Barcelona, mas não teve seu contrato renovado após uma conversa com Xavi.
O treinador, seu ex-companheiro de time, já o havia deixado de fora dos inscritos da Europa League 2021/22, por exemplo, e foi sincero ao comunicar o lateral de que ele não jogaria muito. Apesar da "dispensa", Xavi é outro que entende o fato de Daniel estar na seleção na Copa do Mundo.
"Dani é um amigo e, além disso, um jogador espetacular. Já estava se recuperando nas instalações do Barça, estava conosco, e eu segui sua recuperação. É um profissional de cabo a rabo e, se ele tiver a oportunidade de jogar, vai render perfeitamente. É um jogador experimentado, de muito talento, que sabe se posicionar, tem liderança. Ele é uma garantia e acredito que é por isso que Tite o tem em seu elenco", analisou ele, em entrevista exclusiva à ESPN.
A definição de quem será titular entre Daniel e Militão no Brasil que enfrenta a Suíça deve acontecer neste domingo, no último treino antes da partida de segunda, no Estádio 974, às 13h (de Brasília).
