'Como vinho', Thiago Silva faz até pentacampeão do mundo não saber se seria titular no Brasil de 2022

Thiago Silva chega a sua quarta Copa do Mundo aos 38 anos e como capitão da seleção brasileira


Pentacampeão do mundo em 2002, Lúcio tem seu nome na história da seleção brasileira. Na Copa do Qatar, Thiago Silva espera entrar para essa mesma galeria aos 38 anos. O respeito do antigo camisa 3, no entanto, ele já conquistou com sobras.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Lúcio chegou a duvidar até mesmo se teria um lugar na defesa com Thiago Silva e Marquinhos, dupla que deve ser titular nesta quinta-feira (24), na estreia do Brasil contra a Sérvia, às 16h (horário de Brasília).

"A defesa é um ponto importante da equipe, dá uma estabilidade maior. Eu acredito que o Brasil está bem servido, com zagueiros experientes, que jogam na Europa, já tiveram a oportunidade de jogar contra ou junto de atacantes de outras seleções. Acho que podem desempenhar um bom resultado", avaliou o ex-jogador, hoje com 44 anos.

"A gente sabe que a seleção brasileira sempre teve, durante muito tempo, um destaque muito maior dos atacantes. E é normal. Acho que, a partir de 2002, quando fomos campeões, conseguimos ter uma defesa estável, forte, com Cafu, Roberto Carlos, eu, Edmílson, Roque Jr. A partir daquele momento, também, só foi uma crescente de confiança, de grandes nomes na defesa."

"Claro, hoje, a seleção tendo nomes que atuam na Europa, com experiência e muita qualidade, ainda. Acho que isso faz diferença. A defesa é sempre um pilar importante dentro dos jogos e, principalmente, dentro de uma Copa do Mundo. Por isso eu acredito que o Brasil está muito bem servido com os titulares e os reservas na Copa. A defesa passa uma confiança, também, muito grande para a nossa seleção e nossa torcida", complementou.

Lúcio conheceu Thiago Silva de perto ainda em 2010, quando o então defensor do Milan foi convocado para sua primeira Copa, na África do Sul. Só que o hoje capitão do Brasil não teve espaço entre os titulares. A dupla foi formada pelo pentacampeão e Juan.

Mas os dois, hoje, desbancariam Thiago Silva ou Marquinhos? Lúcio acredita que eles até teriam um lugar no Qatar, mas não necessariamente no time de Tite. "É difícil dizer. Em 2010, o futebol era um pouco diferente. Mas acho que, pela qualidade e pela nossa dedicação, a gente poderia estar jogando em muitas outras seleções."

Exercício de imaginação à parte, o que Lúcio vê de concreto em Thiago Silva, principalmente, é que a experiência de ter ido para a Copa de 2010 o ajudou a consolidar a carreira e chegar a 2022 mais preparado. Com o tempo, como um bom vinho, ele só melhorou. O próprio zagueiro do Chelsea afirmou nesta quarta-feira que se vê em sua "melhor versão".

"A qualidade dele sempre vem crescendo muito. Em 2010, pelo fato de estar chegando em uma Copa do Mundo, ter outros jogadores mais experientes, com uma rodagem maior pela seleção, ele era um cara muito tranquilo, de grupo, que soma muito. Foi muito importante essa participação dele. Para ele, como jogador e como pessoa, acredito que foi um grande aprendizado, crescimento."

"Tanto que, depois, ele pôde jogar como titular nas outras Copas do Mundo. Claro, naquele momento era muito mais difícil de eu poder falar mais a fundo o que poderia se transformar o Thiago Silva. Isso foi no decorrer da carreira, ganhando experiência. Agora, é um dos grandes líderes da seleção brasileira. A gente, que jogou mais tempo na seleção brasileira, sabe que a experiência só vem com o tempo. Sem dúvida, ele está colhendo bons frutos que vieram lá atrás."

Na fila para assumir o lugar de Thiago, estão Éder Militão e Bremer, os reservas convocados por Tite para essa Copa. "Acho que, ali na seleção, a idade chega para todos. E a gente sabe que quando chega esse momento, outros que estão chegando mais novos vão ter o momento deles. Claro, tem que estar preparado para essa Copa do Mundo, até porque tudo pode acontecer, é uma Copa mais curta, são jogos intensos, com menor tempo de recuperação, eles têm que estar preparados caso o treinador optar por utilizá-los.”

"Um jogador que chega na seleção brasileira, por mais novo que seja, está preparado para estar ali. Os mais velhos começam a ver os últimos momentos na seleção, mas é importante dar mais espaço para os mais jovens", opinou Lúcio.