Após um 2025 muito complicado, Lucas Moura está voltando ao status de protagonista no São Paulo. O camisa 7 foi bastante importante nas últimas partidas e marcou seu primeiro gol na temporada no último sábado (7), na vitória de virada para cima do Primavera.
Em entrevista à ESPN, o meia desabafou sobre tudo o que viveu no último ano, em que teve problemas no joelho, teve algumas tentativas frustradas de volta, mas só agora parece estar realmente apto a voltar ao alto nível.
"Feliz de estar de volta, depois de um ano muito difícil. Sem dúvida foi o mais desafiador da minha carreira, uma lesão no joelho que me tirou praticamente da temporada inteira. Cirurgia, e volta, e a dor não me ajudava, não me deixava correr, e eu fazendo sacrifício para tentar voltar e ajudar o time, mas não conseguia. Foi um período bem complicado, bem difícil. Mas graças a Deus estou recuperado e pronto para retomar meu futebol e ajudar o São Paulo", iniciou, antes de explicar todo o processo que o deixou longe dos gramados por tanto tempo.
"O primeiro diagnóstico era que não era grave, ficaria algumas semanas e tranquilo. E aí fiquei oito semanas, voltei e estava me sentindo bem, mas na hora que eu tentava dar o arranque, sentia a dor, dava uma fisgada e mesmo assim eu fui forçando, achando que a dor ia sumir com o tempo e nada. Parei de novo. Aí depois falei para o doutor, vamos fazer a cirurgia para ver o que tem aí, porque não está passando essa dor. Fizemos cirurgia, limpou tudo que tinha para limpar. Voltei depois de 20 dias, era para eu ficar umas cinco semanas, eu fiquei três semanas por causa do jogo da CONMEBOL Libertadores. Voltei, e a mesma dor. E ali veio um trevo na cabeça, porque o doutor falou que fez tudo o que tinha para fazer, limpou o que tinha para limpar e a dor não estava passando. Mas enfim, graças a Deus é um novo ano e agora eu estou sem dor, consigo fazer as minhas jogadas, consigo dar o arranque. Já estou retomando a confiança depois de oito meses sem jogar, sem conseguir arrancar, sem conseguir fazer as minhas jogadas características, é normal ter um tempinho para poder recuperar, mas agora eu já estou bem, jogo a jogo, me sentindo cada dia melhor para poder retomar o meu melhor nível."
Titular no último jogo, Lucas ainda não tem o seu lugar cativo em campo, mas sabe que a melhor forma de conquistar seu espaço com o técnico Hernán Crespo é brilhando, assim como fez contra o Primavera, marcando um gol, ou então contra o Santos, com assistência para o gol de Calleri.
"A gente não tem tanta conversa assim, as poucas conversas que a gente teve ele sempre comenta de paciência para eu estar bem, mas eu sou um cara com cabeça muito tranquila, eu estou aqui para ajudar o time. Obviamente que eu quero jogar, obviamente que eu quero ser titular, mas eu estou aqui para ajudar o time. O principal é o time. E estou fazendo o meu melhor, estou me sentindo muito bem nos treinos, cada dia melhor, cada dia mais solto, mais confiante."
Das últimas quatro partidas, o Tricolor venceu três vezes e empatou apenas uma, o que esfria um pouco a temperatura dentro de um clube que passa por uma transição política e teve um janeiro caótico, com afastamento do então presidente Julio Casares, com Harry Massis assumindo o cargo.
Para Lucas, esse momento turbulento fora de campo gerou dúvidas nos jogadores, e espera que agora tudo melhore: "Um momento muito delicado, muito triste da história do São Paulo. Eu fiquei muito chateado com toda essa situação, não imaginava vivenciar isso. É muito triste para a nossa história, para a nossa instituição, uma instituição tão grande, com uma história gigantesca. Mas eu espero que as coisas agora melhorem. Sendo bem sincero, a gente não tem acesso ao que acontece nos bastidores do clube, o que acontece lá no Morumbis, de reunião, de votação, de conselheiros. O que a gente fica sabendo é o que sai na imprensa. E por mais que a gente fale 'vamos entrar em campo, entregar o nosso melhor e tal, vamos esquecer tudo isso', só se falava nisso na imprensa, então automaticamente acabava deixando a gente chateado. 'Poxa, quem que vai ser nosso presidente amanhã? Quem que vai ser o nosso diretor?' Então, querendo ou não, isso acaba atrapalhando indiretamente, mas a gente espera que tenha resolvido isso, que tenha passado e que as coisas agora voltem para os eixos, que São Paulo volte a ser referência como foi há alguns anos. E a nossa parte dentro de campo a gente vai continuar fazendo, dando o nosso melhor para que os resultados aconteçam."
E quem está fazendo essa ligação entre o campo e a diretoria é alguém que Lucas conhece muito bem, Rafinha, capitão do time campeão da Copa do Brasil em 2023, e que agora, aposentado, trabalha como gerente de futebol.
"Eu acho que vai contribuir muito. Primeiro pela presença dele aqui. Ele é um cara que é muito ativo, motiva a gente no vestiário, fala com a gente. E acredito que ele vai fazer muito bem esse elo entre o jogador e a diretoria. Ele parou de jogar recentemente, então entende muito bem como funciona o clube, conhece todos os jogadores, entende muito bem também da parte da diretoria, então ele vai fazer muito bem esse elo e acho que vai contribuir bastante, acho que já tem dado resultado."
'O gramado sintético é um retrocesso gigantesco no nosso futebol'
Desde que voltou ao São Paulo, em 2023, após muitos anos atuando na Europa, Lucas é um dos principais críticos ao gramado sintético, que em 2026 é utilizado nos estádios de cinco times que disputam o Brasileirão. Algo bastante ruim, segundo o são-paulino.
"Para esclarecer essa questão do sintético do jogo contra o Palmeiras, já estava meio que programado. Eu fiquei oito meses praticamente sem jogar no ano passado e joguei três jogos seguidos como titular. Joguei 60, 70 minutos. Joguei contra o São Bernardo, contra o Corinthians e contra a Portuguesa. Então, até para esse controle, para a gente não correr risco, e por ser o sintético também, a gente optou por eu ficar de fora. O sintético, todo mundo sabe da minha opinião. Sou totalmente contra o sintético. Acho um retrocesso gigantesco no nosso futebol, que é tão rico em tantos aspectos. Qualidade, formação de jogador, competitividade. Eu acho que o sintético atrapalha muito nosso futebol, desvaloriza muito nosso futebol. Eu acho que tinha que ser totalmente banido. Sei que tem muitos gramados naturais que são ruins, mas o sintético não tem que ser opção. Tem um gramado ruim? Vamos trabalhar para fazer um gramado bom. Não tem que tapar o sol com a peneira. Isso eu já falei várias vezes e continua sendo a minha opinião."
Questionado na sequência se ele se recusa a atuar em gramados sintéticos, o atleta foi sincero sobre a sua vontade, mas que pode abrir exceções dependendo da necessidade do São Paulo.
"Se eu puder escolher, eu prefiro não jogar. Mas, obviamente, dependendo da situação do time, dependendo do jogo, joguei ano passado contra o Palmeiras, inclusive foi lá que eu machuquei o meu joelho, na semifinal do Campeonato Paulista. Dependendo da situação do time, um jogo decisivo, e dependendo como eu estiver, eu vou jogar, não tem como. Mas, o sintético, eu tenho certeza que 99% dos jogadores são contra. E eu acho que é um grande retrocesso no nosso futebol. Vai depender muito do momento de como eu vou estar me sentindo também, da sequência que eu fiz antes de chegar nesse jogo no sintético. Esse jogo contra o Palmeiras mesmo, eu vim de três jogos seguidos. Se eu jogo e acontece alguma coisa ali, eu perco a temporada inteira de novo. Não valia o risco. A gente optou por eu ficar de fora e voltar depois."
Próximos jogos do São Paulo:
Grêmio (C) - 11/02, às 21h30 (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
Ponte Preta (F) - 15/02, às 20h30 (de Brasília) - Campeonato Paulista
Coritiba (F) - 26/02, às 20h (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
