Orçamento do Santos para 2024 previa time mais caro do que o que foi rebaixado

Andres Rueda, presidente do Santos, durante coletiva no CT Rei Pelé Divulgação/Santos F.C.

Na semana que antecedeu o inédito rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, o Santos havia aprovado seu orçamento para 2024. Na projeção financeira, o clube contava com R$ 394 milhões em receitas, valor que será bastante difícil de ser alcançado na nova realidade alvinegra.

É que, com a queda, o Santos terá uma redução drástica nas cotas de televisão, que são parte considerável do faturamento. Além disso, a equipe está fora da Copa do Brasil ou de competições sul-americanas, tirando do clube qualquer previsão de valores variáveis por desempenho.

Na comparação com 2023, por exemplo, em que o Santos foi até as oitavas da Copa do Brasil e disputou a CONMEBOL Sul-Americana, a projeção foi de conseguir R$ 437,68 milhões em receitas totais.

Para 2024, ainda que previsse redução, o Santos deve experimentar queda muito mais drástica. Para honrar o faturamento de R$ 394 milhões, o orçamento previa R$ 47,8 milhões em premiações – foram R$ 30,7 milhões em 2023 – e R$ 90,9 milhões em receitas de TV, publicidade estática e pay-per-view – apenas R$ 11 milhões abaixo do que os R$ 101 milhões da atual temporada, na Série A.

Para piorar a situação do Santos, dos R$ 40 milhões que o clube teria direito por disputar o Campeonato Paulista 2024, por exemplo, R$ 30 milhões já foram antecipados pela gestão do presidente Andrés Rueda para honrar compromissos em 2023. Já a cota de TV da Série B deve ficar na casa de R$ 11,5 milhões por time.

Não é exagero dizer que será impossível honrar a meta de R$ 90,9 milhões nesse quesito.

Em contraste, a projeção de despesas do Santos era de ter gastos ainda maiores em 2024 do que em 2023 com o futebol profissional. Entre folha salarial e investimento em contratações, o clube apontou cifra de R$ 203,7 milhões com a atual equipe, rebaixada. Já para o próximo ano, a intenção era que o valor subisse para R$ 211,1 milhões.

A maior receita prevista pelo Santos para 2024 era a proveniente de venda de jogadores. O clube contava com R$ 134 milhões, valor que foi considerado elevado na ocasião pelo Conselho Fiscal. Em 2023, a arrecadação foi superior, R$ 171,2 milhões, mas muito por conta das idas de Ângelo e Deivid Washington ao Chelsea, da Inglaterra.

Do atual elenco, o maior ativo é Marcos Leonardo, que esteve muito perto de já ser negociado na última janela de transferências, mas o Santos rejeitou uma oferta de 12 milhões de euros fixos, mais 6 milhões de euros em bônus, da Roma, da Itália.