Em entrevista ao Podpah, o ex-zagueiro Edu Dracena explicou por que deixou o cargo de assessor de futebol do Palmeiras, em outubro de 2021, às vésperas da final da Conmebol Libertadores contra o Flamengo, para assumir o papel de executivo de futebol do Santos, que brigava para não ser rebaixado no Brasileirão.
Dracena comparou o momento vivido pelo Peixe atualmente, com possibilidade de queda no Paulistão, e afirmou que regressou à Vila Belmiro pela gratidão que tem ao clube praiano - vale lembrar que ele foi multicampeão e ídolo como jogador na Baixada.
Em fala forte, o ex-defensor revelou que fez trabalho motivacional nos bastidores e cravou que, se não tivesse deixado o Palmeiras, o Santos teria sido rebaixado para a Série B ao final de 2021.
"Os problemas (do Santos) vêm de cima (diretoria) para baixo, e isso acaba refletindo no elenco. É também uma questão psicológica que eu vejo ali (no elenco atual). Quando o Santos toma um gol, parece que o mundo acaba", ressaltou.
"Quando eu cheguei lá (ao Santos, em outubro de 2021), eu saí do Palmeiras, deixei uma final de Libertadores para ir para um clube pelo qual tenho uma gratidão muito grande, mas que estava perto da zona do rebaixamento. E vou ser bem sincero: se eu não chego ali, o Santos cairia", relatou.
"Eu via a autoestima dos caras lá embaixo. Então, quando eu cheguei, eles viram um cara que saiu do Palmeiras que ganhava tudo, que estava na final da Libertadores, e veio pro Santos em crise. Eu falei para eles: 'Vim para cá porque acredito em vocês e podemos sair dessa situação'. Dei moral para os caras", revelou.
"Ganhamos o primeiro jogo em casa, depois fomos jogar contra o Athletico-PR. Antes da partida, falei para eles: 'Eu nunca perdi aqui como jogador, então não vai ser hoje que vou perder'. Foi aquele jogo que a bola dos caras não queria entrar, cruzava a área do João Paulo e ninguém empurrava para dentro. Ganhamos de 1 a 0, com o João Paulo pegando tudo, e já demos aquela respirada", exaltou.
"Por isso, sou bem sincero: se eu não chego, o Santos cairia, porque era uma carga negativa muito forte, todo mundo cabisbaixo... Os caras já tinham entregado os pontos. E eu gosto de desafios! Eu deixei o Palmeiras, faltava um mês para a final da Libertadores, podia ser bicampeão junto com o pessoal, e aí fui para um clube pelo qual tenho respeito, carinho e gratidão muito grandes e coloquei a cara a tapa. Falei: 'Não vai cair'", encerrou.
Edu Dracena ficou no Peixe como executivo de futebol até julho de 2022, quando pediu demissão após a eliminação para o Deportivo Táchira, da Venezuela, na Copa Sul-Americana.
