No centro de mais uma denúncia sobre racismo no futebol, desta vez envolvendo Gianluca Prestianni, do Benfica, Vinicius Jr. foi defendido nesta sexta-feira (20) por Álvaro Arbeloa, técnico do Real Madrid.
Em entrevista coletiva antes da partida contra o Osasuna, pela 25ª rodada de LALIGA, o treinador afirmou que a decisão de continuar com o jogo em Lisboa, pela Champions League, partiu do brasileiro.
Tudo começou após o golaço feito por Vinicius Jr. no início da segunda etapa. Durante a comemoração, o brasileiro se envolveu em uma confusão com Prestianni.
Depois de um bate-boca, o camisa 7 do Real correu em direção ao árbitro acusando uma fala racista do jogador do Benfica, que chegou a cobrir a boca durante a discussão. O jogo ficou paralisado por 10 minutos por conta do protocolo antirracista.
“Foi decisão do Vinicius voltar ao campo e continuar jogando. Se ele tivesse decidido que não continuaríamos jogando, iríamos todos para o vestiário um atrás do outro”, disse Arbeloa.
“Vou dizer o que disse aos jogadores: não há nenhum título, nem nenhuma vitória que possa ter com o Real Madrid que me faça sentir mais orgulhoso do que senti em Lisboa. Como reagiram todos os companheiros naquele momento, como continuaram jogando e depois as declarações depois do jogo. Uma equipe unida, que defende os companheiros e todos unidos”.
“Vinicius ficou triste, como todos os outros. Acima de tudo, estamos indignados. É um ato racista que nunca mais queremos ver acontecer. Temos uma enorme oportunidade de não deixar isso passar em branco e de continuar lutando contra esse flagelo do racismo. O que é importante é lutar contra atos como o que testemunhamos, uma situação inaceitável que não toleraremos. Isso não deveria acontecer em um campo de futebol. Absolutamente nada justifica um ato racista”.
Como a ESPN publicou nesta sexta-feira, Gianluca Prestianni já foi ouvido pela Uefa na sequência do inquérito aberto para investigar o possível caso de racismo. O jogador argentino do Benfica declarou no depoimento que chamou o atacante brasileiro de "maricón" (marica, em castelhano), e não de "mono" (macaco, em castelhano).
A versão em questão, aliás, vai ao encontro do que Prestianni disse na saída de campo, logo após a vitória merengue por 1 a 0, para se justificar com o adversário francês Aurélien Tchouameni.
Ainda segundo apurou a nossa reportagem, o termo "maricón" teria sido usado pelo jogador encarnado, de acordo com o próprio, mais num contexto provocativo, ou seja, a chamar Vini Jr. de "chorão", por exemplo.
Vale recordar que, além da acusação feita pelo atacante brasileiro ainda durante o jogo, o companheiro francês Kylian Mbappé reforçou a versão do camisa 7, ao dizer que ouviu por cinco vezes a palavra "mono" da boca do argentino.
A defesa de Gianluca Prestianni, no entanto, acaba por ser baseada em um insulto passível de ser enquadrado na mesma moldura de punição da Uefa. Ou seja, trocaria o "racismo" pela "homofobia". Nesse caso, um eventual castigo pela entidade poderia ser igual (suspensão de, no mínimo, dez jogos).
Benfica trabalha para punir torcedores
O Benfica abriu um processo interno para investigar - e punir - os torcedores que fizeram gestos e sons discriminatórios durante a partida diante do Real Madrid. Há imagens que mostram algumas atitudes racistas, como, por exemplo, dois jovens a imitarem um macaco na direção de Vinicius Jr.
O clube português vai verificar o posicionamento exato de cada um deles no Estádio da Luz e, com isso, fazer uma pesquisa através da venda - ou repasse - do Red Pass (cartão de sócio).
