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Vinicius Jr. desabafa ao falar da luta contra o racismo: 'Se eu for o único, o sistema vai me esmagar'

Vinicius Jr. em ação pelo Real Madrid em LALIGA Diego Souto/Quality Sport Images/Getty Images

Desde a última temporada, Vinicius Jr. passou a conviver mais constantemente com ataques racistas em partidas de LALIGA. Por isso, o atacante do Real Madrid passou a ser ainda mais presente na luta contra o preconceito no meio do futebol.

Em entrevista ao jornal L'Équipe, da França, Vini falou sobre a importância de obter apoio nesta luta para conseguir vitórias cada vez mais expressivas.

"Claro, e tudo em uníssono. Se eu enfrentar o racismo sozinho, o sistema me esmagará facilmente. Quando estamos todos juntos, quando pessoas importantes abordam o assunto, como o presidente do Brasil (Lula), como o presidente da UEFA, como Kylian (Mbappé), como Neymar, grandes jogadores, como o Rio Ferdinand, que sempre me escreve e que está comigo nessa luta, isso necessariamente tem mais peso", disse.

O atacante da seleção brasileira ainda citou o quanto aprendeu sobre racismo nos últimos anos e falou sobre a importância de falar sobre a luta para as crianças.

“Aprendi muito sobre racismo. Cada dia eu sei mais. É um tema muito complexo. No passado, as pessoas sofriam com a escravidão. Estou interessado nisso (aprender mais sobre lutar contra o racismo). Eu realmente espero que esses episódios não aconteçam novamente. Não só comigo, mas com todos os jogadores, todos... E principalmente as crianças”, afirmou.

“Eles não estão preparados para esse tipo de momento (uma menina de 8 anos com a camisa do Vinicius foi vítima de insultos e ameaças racistas durante o Atlético-Real, 3 a 1, no dia 24 de setembro). Desde os 19 anos me interesso pelo tema racismo. Entendo um pouco mais como devo reagir. Estou feliz que as coisas estejam mudando”, seguiu.

“As leis vão mudar e, nos estádios, acredito que isso vai acontecer cada vez menos graças a isso. Entre nós, falamos sobre isso. Muitos jogadores conversam comigo. Varane, Kylian (Mbappé), Hakimi, Lukaku... Devemos todos agir juntos para que este tipo de evento aconteça cada vez menos”, completou.

O aprendizado de Vini sobre racismo também foi importante para ele ter um entendimento sobre sua luta e as vivências de seus antepassados.

“Porque sou muito jovem e não experimentei o que outros viveram no passado. Nunca me foi negado acesso a um banheiro porque sou negro. Nunca me pediram para passar pela porta dos fundos de um restaurante porque sou negro. Mas era importante para mim saber que isso acontecia com outras pessoas. Eu não vivi isso, nem meu pai, mas meu avô, meu bisavô sim”, falou

“Eles sofreram esses momentos tristes da história e eu tinha que saber disso. Hoje, sei mais do que meus pais sobre isso. Ainda sei pouco, apesar de tudo. Aproximei-me de pessoas que estudaram o racismo de verdade, de pessoas cujas famílias passaram por momentos graves, de pessoas que sabem muito sobre escravidão”, continuou.

“Eu também leio muito. E quero continuar a ter influência. Minha voz pesa. Eu posso ajudar. Não diz respeito apenas ao futebol ou apenas aos negros. Se alguém te insulta de uma forma que te magoa, você tem que lutar contra isso. Até que as coisas mudem”, acrescentou.

Por fim, o atacante relembrou o episódio vivido no estádio Mestalla, casa do Valencia, para explicar as críticas feitas a LALIGA, afirmando ser "propriedade dos racistas".

“Porque o que aconteceu em Valência foi na 35ª jornada, mas em todos os jogos fora de casa disputados antes deste houve episódios de racismo. Eles nunca fizeram nada. Já tinha falado com a LALIGA para dizer que isso tinha que mudar. Eles não me ouviram. Eles me ouviram desde o momento em que o mundo inteiro começou a falar da Espanha”, reavaliou.

“Isso os fez reagir. Pessoalmente, sei que não vou mudar a história, que não vou fazer da Espanha um país sem racistas, nem do mundo inteiro. Mas sei que posso mudar algumas coisas. Para que quem chegar nos próximos anos não passe por isso, para que as crianças possam ter tranquilidade no futuro. Por eles, farei tudo o que puder”, finalizou.