Ex-diretor esportivo do Paris Saint-Germain, Leonardo revelou como foi lidar com os astros Kylian Mbappé, Neymar e Lionel Messi. Em entrevista ao ge, ele falou sobre as razões pelas quais o clube francês nunca venceu uma edição de Champions League, apesar do altíssimo investimento feito nos últimos anos. O brasileiro usou como exemplo outros times com projetos bilionários que levaram um certo tempo até chegarem ao topo da Europa.
"Olha, a Champions League não é fácil ganhar. O Manchester City acabou de ganhar agora depois de 15 anos tentando. São muitas coisas juntas, times como Real Madrid, Milan, Manchester United, esses times, se estiverem num momento médio ou bom, tudo acontece naturalmente. O jogador quer ir para esses clubes, a imprensa quer falar desses clubes. O número de torcedores é infinitamente superior a dos outros clubes. Esses estádios têm tradições infinitamente superiores a de outros clubes. Então tudo isso já está criado, isso existe, é uma coisa estabelecida", disse.
Ele acredita que uma hora o PSG irá vencer o tão sonhado título da Liga dos Campeões em um futuro próximo.
"Vai passar por momentos melhores ou piores, bateu na trave na final contra o Bayern de Munique e perdeu de 1 a 0 (em 2020), chegou numa semifinal depois e perdeu para o Manchester City. Mais cedo ou mais tarde vai acontecer", projetou.
Na atual temporada, a equipe francesa está no "grupo da morte", ao lado de Milan, Borussia Dortmund e Newcastle. Para Leonardo, o peso de ainda não ter vencido o torneio pode prejudicar os franceses na busca pela taça.
"Entrar nesse grupo de elite já é difícil. Claro que o fato de não ter ganho é como se carregasse um pouquinho essa bola de chumbo amarrada no teu tornozelo. Mas o PSG já está entre aqueles que podem ganhar", disse Leonardo.
O brasileiro ainda comentou sobre o badalado trio Messi, Neymar e Mbappé, que não deu certo no PSG. Os jornais franceses publicaram diversas reportagens sobre as supostas brigas de ego que os jogadores sul-americanos tiveram no período com o astro francês.
"Sinceramente eu acho que ego não. Existem pessoas que são mais complicadas, e não quero aqui ficar definindo quem é mais complicado ou menos complicado. Esses caras que têm esse nível de talento não são complicados. Essas pessoas resolvem mais problemas do que criam. E, se você tem que resolver o problema deles, faz parte. Você tem que assumir o ônus e o bônus. Isso aí faz parte. Então se você pegar um ataque como esse, você fez o máximo que poderia fazer por um time. Depois, não funciona. E não funciona por um motivo".
"As pessoas têm que se sentir bem. Esses caras precisam de estado de espírito, precisam estar bem, precisam ser reconhecidos. E esse trabalho quem tem que fazer é o clube, somos nós, dirigentes. Eles também têm que se colocar numa posição de disponibilidade para que isso aconteça".
"Para mim, jogador e treinador, mesmo que sejam desse nível, ganham jogos. Quem ganha campeonato é clube. Quem ganha campeonato é a empresa. Porque existe uma linha, que é muito forte, que é determinante, que não importa quem chegue, entre nessa linha. Isso facilita o trabalho. Quem administra e quem chega, porque sabe para onde ir. Falar é mole. Fazer no dia a dia é difícil".
