Por que PSG, que torrou bilhões em estrelas no passado, foge de medalhões nesta janela de mercado

Diretoria e novo comando do futebol do PSG querem uma equipe mais "humilde" e dedicada para atender a anseios da torcida na próxima temporada


Pela primeira vez em muito tempo, o Paris Saint-Germain não é protagonista de nenhuma das transferências mais impactantes do mercado europeu. E isso tem uma explicação clara pela postura dos dirigentes à frente e por trás dos microfones.

Em pré-temporada no Japão, onde enfrenta o Urawa Red Diamonds neste sábado (23), às 7h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+, o PSG trocou a obsessão por grandes estrelas pelo investimento em jogadores de pouco nome no mercado.

Até o momento, o clube fechou apenas com o meio-campista Vitinha, do Porto, e com o atacante Hugo Ekitiké, emprestado pelo Reims. O lateral Nordi Mukiele (RB Leipzig), o zagueiro Milan Skriniar (Inter de Milão) e o atacante Gianluca Scamacca (Sassuolo) também interessam à equipe de Paris.

Todos os alvos da atual janela são jogadores relativamente modestos para quem, há menos de um ano, anunciava um pacote estelar com Gianluigi Donnarumma, Sergio Ramos, Achraf Hakimi, Georginio Wijnaldum e, claro, Lionel Messi.

A ausência do time de Paris na briga por atletas com pinta de estrelas não é coincidência e apenas reflete uma mudança de filosofia no clube, iniciada pelo presidente Nasser Al-Khelaifi, antes mesmo da contratação de Christophe Galtier como novo treinador.

"Não queremos mais jogadores chamativos. É o fim do glitter", chegou a dizer o dirigente, em entrevista que causou polêmica ao jornal Le Parisien. Na mesma conversa, Al-Khelaifi disse o que espera do elenco no futuro e bateu forte na tecla do comprometimento.

"Espero que todos os jogadores façam muito mais do que na temporada passada. Muito mais! Para a próxima temporada, o objetivo é claro: trabalhar todos os dias a 200%. Dê tudo o que temos para esta camisa, dê o máximo e veremos o resultado", afirmou o cartola.

"Temos que nos tornar humildes novamente. Você tem que mudar para evitar lesões, suspensões e faltas que viram o jogo de cabeça para baixo. Paramos de dizer: queremos ganhar isso e isso e isso. Estamos construindo. Você tem que se disciplinar, dentro e fora do campo. Quem não quiser, ficará de lado".

Para apostar em um elenco mais trabalhador e humilde, o PSG abriu mão de entrar em disputas no mercado. Cristiano Ronaldo, por exemplo, foi oferecido via Jorge Mendes, um dos grandes empresários do futebol, mas o nome foi descartado por não se enquadrar na política financeira e esportiva de momento.

Paul Pogba, que chegou a ser ventilado no PSG antes de deixar o Manchester United, acabou na Juventus. E até mesmo estrelas do atual elenco têm permanência indefinida. O maior caso é o de Neymar, que até começou como titular o primeiro amistoso da pré-temporada, mas ainda não tem futuro assegurado no PSG.

A mudança de filosofia passa também pela escolha do novo diretor (Luís Campos, em detrimento ao brasileiro Leonardo) e do técnico (Galtier, e não Zinedine Zidane como muitos na França apostavam). Os dois têm uma visão semelhante do que fazer para o PSG mudar os rumos de sua história recente.

"Nós estivemos em constante diálogo e preparando o futuro do clube. Luís Campos sabe o que espero do time, o que quero ver dos jogadores. Conversamos sobre como podemos convencer jogadores a se juntarem a nós. Eu tenho total confiança na habilidade dele de negociar com atletas", afirmou o técnico logo em sua chegada.

Relembre o top 10 de reforços mais caros da história do PSG (em milhões de euros):

1 - Neymar - 222

2 - Kylian Mbappé - 180

3 - Achraf Hakimi - 66,5

4 - Edinson Cavani - 64

5 - Ángel Di María - 63

6 - Mauro Icardi - 50

7 - David Luiz - 49,5

8 - Thiago Silva - 42

9 - Javier Pastore - 42

10 - Vitinha - 42