Apesar do final feliz após ser absolvido da acusação de má conduta em relação a apostas esportivas na Inglaterra, Lucas Paquetá viveu dois anos muito difíceis na carreira. E o brasileiro revelou que precisou até mesmo de acompanhamento psicológico para superar o complicado momento.
Em entrevista ao GE, o meia disse como se apoiou na própria família antes do veredito final do caso e lembrou que ficou a, literalmente, uma assinatura para fechar a sua transferência do Manchester City antes da acusação.
"Sem dúvida alguma foi um momento muito difícil, não só para mim, mas para minha família. Eu e minha esposa passamos por dois anos longos, dolorosos, mas com um final feliz. O mais importante foi ter entendido o porquê de tudo, de estar passando por tudo isso. Muitas especulações, muitos julgamentos antecipados, mas a gente se agarrou a Deus, se transformou, se ajudou muito", disse.
"Isso fortaleceu também o nosso casamento, nossa história como família: eu, ela e as crianças. Fico feliz de ter terminado da maneira que foi, lutei muito contra isso e é muito difícil você não poder falar, escutar várias narrativas e não poder contar o seu lado da história. É algo também que eu venho me preparando para, mais detalhadamente, poder contar a todo mundo o meu lado da história. Fico muito feliz de poder voltar à seleção brasileira, como foi no Maracanã, com um gol, reconquistar o meu espaço e brigar por uma vaga na Copa", prosseguiu, citando a possível ida para o City.
"Todo mundo sabe que realmente eu tinha uma transferência para o City. Provavelmente eu assinaria na semana que recebi a carta (da Federação Inglesa). Falando profissionalmente, eu perdi isso, essa transferência, dar um salto na minha carreira. Psicologicamente, acho que foi onde eu mais fui afetado, pelo medo dessa indecisão, a incerteza do meu futuro, apesar de saber quem eu sou, o que eu faço, o que eu fiz. Mas, devido às circunstâncias que eram as investigações e da forma com que a federação fazia tudo, isso gerava um medo na gente", afirmou.
"Psicologicamente, foi difícil para mim, tive acompanhamento psicólogo para poder lidar com tudo isso, alguns problemas. Mas, como eu disse, ter entendido o porquê de tudo, que foi uma obra de Deus, para poder compartilhar um pouco desse meu encontro com Ele, ser um testemunho de fé, de resiliência, acho que isso é que eu levo, foi a minha vitória. Eu estou feliz, muito mais leve. Esse medo ficou para trás. O que diziam que seriam três meses que eu tinha durou dois anos e eu pude comprovar a minha inocência, vencer esse caso e poder fazer o que eu amo normalmente."
Paquetá também abriu o jogo sobre a possibilidade de abandonar a carreira em meio às investigações e toda a acusação.
"Deixar o futebol não, mas existiram vários momentos em que você não aguenta mais passar por tanta coisa, coloca na sua cabeça: cara, não preciso estar me provando dessa maneira. Mas é o que eu falo, a gente tem um sonho e sempre fui muito comprometido com o meu sonho, ele sempre foi inegociável em qualquer parte da minha vida. Então isso que me mantinha vivo em jogar e obviamente a minha família, minha esposa, os meus filhos, ter eles comigo me motivava. Vai lá, briga até o final porque você precisa provar quem você é, isso me tranquilizava e me dava força."
"Eu estou me preparando, montando uma maneira de contar essa história melhor, com mais detalhes, para que fique mais explicado e que as pessoas possam entender a grandeza e a gravidade do que foi também. E, obviamente, contar o meu lado, da história detalhadamente, julgamento, reuniões, entrevistas com a Federação, todo tipo de detalhe que por eles, às vezes, era soltado de uma maneira ruim, mas que não era verdade."
Apesar de o meia ter escapado de todas acusações mais graves feitas pela FA (Associação de Futebol da Inglaterra), Paquetá recebeu algumas sanções pela entidade: uma "reprimenda" e uma "advertência sobre condutas futuras", com o jogador do West Ham sendo aconselhado a colaborar com futuras investigações, caso seja necessário.
