Abel diz o que o tiraria do Palmeiras e cita pressão diferente de outros clubes: 'Não se vê isso no Flamengo, no Atlético-MG, no Botafogo'

Com a goleada por 4 a 1 para cima do Junior, o Palmeiras se garantiu nas oitavas de final da CONMEBOL Libertadores pelo 10º ano consecutivo.

Agora, o foco é no último jogo antes da paralisação para a Copa do Mundo. No domingo (31), o Alviverde recebe a Chapecoense, pela 18ª rodada do Brasileirão. E Abel terá que "quebrar a cabeça" para montar seu time, bastante desfalcado pelo fato de que todos os jogadores convocados para o Mundial não poderão estar em campo.

Em entrevista coletiva, o técnico português citou a incômoda situação e a comparou com o que acontece em alguns rivais.

"Acho que foram sete ou oito convocados. Essa é a minha função também. Quando perguntam o motivo de muitos clubes quererem o treinador do Palmeiras, é por isso também. Quando o Palmeiras quis me contratar, em uma das reuniões que tivemos, expliquei que essa era uma das minhas filosofias. Nos clubes onde fui, sempre venderam jogadores. No Palmeiras, temos que ganhar títulos. É muito difícil, em um clube como o Palmeiras, formar e ganhar. Não se vê isso no Flamengo, no Atlético-MG, no Botafogo, se vê isso no Palmeiras. E para isso, é preciso de algo que temos pouco atualmente, que é paciência", iniciou.

"Eu podia falar do Flaco, como de outros. Uma das minhas funções é potencializar ativos do Palmeiras. Só ver quanto esses jogadores valiam em 2020 e quanto valem hoje. Outra função é valorizar o futebol brasileiro, através de metodologia, maneira de jogar e continuidade. E outra, que tem a ver com o clube, que parece que a única solução é ganhar, o treinador do Palmeiras teve poucos clubes como jogador e treinador. É um treinador de projeto. Quando se está em um clube que pensa da mesma maneira, é mais fácil ganhar títulos e valorizar os jogadores. Mas, quero deixar aqui também uma anotação muito clara, que o maior responsável por isso acontecer é o López. Eu não chuto e não marco gol por ele. Se não ganhamos ou os jogadores não jogam bem, aí sim, a culpa é minha."

Abel foi também questionado sobre o mercado de treinadores, já que, com o fim da temporada europeia, vários times grandes estão atrás de novos comandantes. Ciente disso, ele respondeu qual clube faria ele deixar o Palmeiras e iniciar um novo projeto:

"A minha família é a única coisa no mundo que me faria trocar. Eu sou dono da minha alma e capitão do meu destino, já mostrei mais de uma vez que sou treinador de projeto. Um dos meus projetos foi educar as minhas filhas aqui no Brasil. Alguns de vocês sabem que a minha filha veio há mais de três anos, uma já se formou, a outra continua aqui. Portanto, há valores mais altos que estão à frente do futebol, como a família. Tem um projeto, um contrato, é verdade que cada parte pode dar fim ao contrato, mas me sinto muito bem no clube que estou, com os jogadores que tenho e a equipe que formei. Taenho muita responsabilidade na formação desse elenco. Portanto, o meu objetivo, tendo em conta aquilo que é o meu perfil de treinador, de projetos, o meu contrato é até 2027 e a minha intenção é cumprir, independentemente das adversidades."

Se nos últimos anos o Palmeiras sempre apareceu entre as melhores campanhas da fase de grupos da Libertadores, dessa vez a história foi diferente, e o time teve que se contentar com a vice-liderança do Grupo F. Nada que tire o sono do comandante palmeirense.

"Antes, um colega disse que estava acostumado a perguntar sobre a sensação de classificar em primeiro. Estavam mal acostumados. O objetivo era classificar em primeiro geral, mas infelizmente, dessa vez, não conseguimos. Nas últimas conseguimos. Infelizmente, por aquilo o que aconteceu, pelo último resultado, não conseguimos. E o futebol é assim, lutamos sempre para ganhar, por coisas boas, mas às vezes temos que seguir em frente, mesmo quando os objetivos não são o que queríamos. Quando não dá para ser primeiro, queremos classificar. Estamos vivos nas três competições. Uma já ganhamos, agora vamos competir."

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