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Técnico do Jacuipense diz por que gostaria de enfrentar Corinthians e Flamengo, cita 'fator Abel' e fala de duelo com Palmeiras: 'Tudo pode acontecer'

“Infiltrado” na quinta fase da Copa do Brasil, o Jacuipense vive um daqueles momentos raros que todo clube fora do eixo principal sonha em experimentar: encarar um gigante do futebol brasileiro em um grande palco. O desafio será nesta quinta-feira (23), às 19h30 (de Brasília), contra o Palmeiras, em São Paulo.

Um dos principais responsáveis pela campanha histórica é o técnico Rodrigo Ribeiro, de 40 anos. Em entrevista à ESPN, ele não escondeu que tinha preferência por enfrentar algumas das maiores potências do país — e acabou “acertando” ao cair justamente contra o time alviverde.

“Desde que chegamos na quinta fase, brinquei sobre enfrentar Flamengo, Palmeiras ou Corinthians. Quem não quer jogar no Maracanã, enfrentar esses times, viver isso? Eu queria o Flamengo para poder estar no Maracanã. O Palmeiras por causa do Abel, um dos treinadores mais em evidência e vitoriosos que temos hoje. E o Corinthians por causa daqueles malucos, os torcedores…”, disse.

Mesmo com a disputa da Série D em andamento, o confronto com o Palmeiras já mexe com o ambiente do clube baiano. A sensação, segundo o treinador, é de estar diante de uma vitrine única na carreira de todos os envolvidos.

“A expectativa é a melhor possível. Não existe visibilidade maior do que enfrentar um time desse nível. É como jogar contra o Real Madrid ou o Barcelona. Todo mundo quer viver esse momento. A gente tem que manter o nível, independentemente do adversário, essa é a chave".

Rodrigo também citou o chamado “fator Abel” ao projetar o duelo, apostando até em um possível foco dividido do adversário. Ainda assim, deixou claro que o Jacuipense precisa fazer sua parte para tentar surpreender.

“Quem sabe o Abel esteja preocupado com o Brasileirão ou com a CONMEBOL Libertadores, foque neles e esqueça um pouco da gente. De qualquer forma, precisamos focar na nossa parte. São dois jogos em campo bom, vamos tentar encaixar nossa estratégia. Quem sabe a gente consegue incomodar. No futebol, sempre há espaço para surpreender".

Jacuipense 'em casa' no sintético

Um ponto curioso é que o Jacuipense não chega totalmente “cru” ao Allianz Parque. A equipe já tem contato com gramado sintético, embora em condições diferentes das encontradas na casa palmeirense.

“A gente trabalha no sintético, mas não no mesmo nível que é o do Palmeiras. Mesmo assim, estamos acostumados”, explicou o treinador.

Se dentro de campo o desafio é enorme, fora dele a logística também preocupa. O clube vem enfrentando dificuldades desde o Campeonato Baiano, com viagens longas e desgastantes.

“O desafio é encontrar uma logística que funcione. Estamos sofrendo com isso desde o Campeonato Baiano. Já tivemos viagens de 13 horas. Mas confiamos que a diretoria vai fazer o melhor para que a gente possa viver esse momento e competir. Tudo pode acontecer. É um ato de esperança, mas também de trabalho".

História do Jacuipense

Fundado há 60 anos, o Jacuipense vive a melhor campanha de sua história na Copa do Brasil. O clube nunca passou da Série C do Brasileiro — disputada pela última vez em 2021 — e soma dois vice-campeonatos baianos recentes, em 2022 e 2023. Em 2025, caiu na semifinal estadual, nos pênaltis, diante do Vitória.

A base tem papel central nesse projeto. O próprio Rodrigo Ribeiro foi promovido internamente, assim como membros da comissão técnica. Em alguns jogos recentes, o tempo chegou a relacionar nove jogadores formados no clube. Entre os nomes revelados pelo Jacuipense estão Raniele, hoje no Corinthians, e Vanderlan, ex-Palmeiras e atualmente no Red Bull Bragantino.

"Quero olhar para trás e ver que deixei algo. Foi muito suor para chegar até aqui e isso não tem preço", completou o treinador.