Técnico do Palmeiras, Abel Ferreira revelou ter "contrariado" os seus próprios auxiliares com as substituições ainda no intervalo, durante a vitória por 2 a 0 sobre o Al Ahly, nesta quinta-feira (19), no grupo A do Mundial de Clubes.
Ao final do primeiro tempo, com o placar ainda em 0 a 0, o comandante do Verdão sacou Raphael Veiga e Vitor Roque do time, para as respectivas entradas de Maurício e Flaco López. E durante a coletiva após o duelo, Abel admitiu que não costuma fazer substituições ainda na etapa inicial ou no intervalo, mas que foi forçado a mudar por conta do clima em East Rutherford, local da partida.
E também revelou que seus auxiliares, Castanheira e João Martins, não queriam que ele fizesse as mudanças, explicando como funciona a dinâmica entre ele a sua comissão.
"Pelo clima (as mudanças no intervalo). É verdade que eu não gosto muito de fazer (substituições no intervalo), a não ser que o jogador realmente esteja muito mal. Acho que nunca tirei jogadores no primeiro tempo, isso, entre aspas, para mim é uma falta de respeito com o jogador, e porque foi você que apostou nele no início. É quase como dizer 'aquilo que eu fiz não está correto'. Hoje não foi por jogar mal nem bem, naquele período estavam todos iguais, era para refrescar a equipe. Ontem eu disse que jogaria no lado estratégico com o clima, o que eu fiz foi trocar os nossos dois jogadores mais próximos da frente. O Roque e o Veiga, essa foi a minha decisão, não costumo fazer muito, mas às vezes faço. Mas os meus auxiliares não queriam que eu fizesse", começou por dizer.
"Em relação aos auxiliares, fazemos sempre igual, ouço a opinião de cada um, e às vezes faço perguntas. No final, quem tem que decidir sou eu. E estava certo, se eu não mexesse também poderia estar certo, já aconteceu de eu ir pela opinião que eles me dizem, não ir pela opinião que eles me dizem, mas isso tem muito mais a ver com o seu feeling do que aquilo que tínhamos pensado para o jogo. Até porque somos uma comissão técnica muito unida, aonde eu delego muito à minha comissão, cada um sabe exatamente aquilo que tem que fazer, crescemos juntos e cada um vai se especializando em uma área daquilo que é o nosso modelo de jogo e a função específica de cada um. Gosto muito de ouvir a opinião deles quando tenho dúvidas e pergunto. Mas também estava certo se dissesse 'vamos continuar com os mesmos'. Só que entendi, em função da parte climática, que precisávamos mais de energia, que ia nos desgastar muito. É muito duro e difícil jogar nessa temperatura, seja qual foi a modalidade", prosseguiu.
Em relação à partida em si, Abel admitiu que, em campo, o desempenho do Palmeiras foi inferior ao do duelo na estreia contra o Porto, mas que em termos de resultado, o Verdão foi superior.
"Por isso que eu falo que, muitas vezes, adversários diferentes te dá jogos diferentes. A minha opinião é que jogamos muito melhor contra o Porto, fomos mais dinâmicos, mais pressionantes, criamos oportunidades, mas não tantas. Mas em termos de jogo fluído e jogado foi melhor. É verdade que baixamos a nossa pressão, e eu tinha dito ontem (na coletiva) que teríamos em conta o lado estratégico, o clima. Não sei se vocês conseguiram ler a linguagem corporal dos jogadores, mas era notório que cada sprint que você dava, para recuperar você iria recuperar o dobro. Sim, isso entrou no nosso plano estratégico de jogo, agora, o fato de não conseguirmos, sobretudo no primeiro tempo, não ligarmos o jogo, não conseguirmos entrar a bola em um corredor, tirar desse corredor, ameaçar o adversário, não tivemos dinâmica", disse.
"Vou perguntar como sempre faço aos jogadores: por que sentiram tanto essa dificuldade? Se foi o adversário, se não estavam tão frescos, se foi do clima, se foi da estratégia. É uma das coisas que costumamos fazer, mas a verdade é que a minha função muitas vezes como treinador, é surpreender o adversário. Definimos muito bem por que lado é que queríamos que o nosso adversário nos atacasse, o lado esquerdo do adversário era mais forte, nos primeiros 20 minutos só atacavam pela esquerda, e nós não estávamos cumprindo bem aquilo que tínhamos que fazer. No segundo tempo fizemos alguns ajustes, refrescamos a equipe, não tirei nem o (Vitor) Roque, nem o (Raphael) Veiga por achar que estavam jogando melhor ou pior que os outros todos. Claro que me assustei quando vi o lance do Veiga, eu falei 'vou ter que passar para o plano B, agora com esse calor vai ser difícil'. Felizmente o VAR conseguiu corrigir. Não foi um jogo tão bem jogado, mas o resultado foi muito melhor que o do jogo anterior", finalizou.
Com a bola rolando, o Palmeiras abriu o placar no início do segundo tempo, após gol contra de Abou Ali, e fechou a vitória por 2 a 0 com tento de Flaco López. Com o resultado, o Verdão terminou a segunda rodada na liderança do grupo, empatado com o Inter Miami, último adversário do Verdão na chave. O duelo acontece na próxima segunda-feira (23), às 22h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela CazéTV, disponível sem custo adicional no Disney+.
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Próximos jogos do Palmeiras:
Inter Miami (N) - 23/06, 22h (de Brasília) - Mundial de Clubes
