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Desabafo gigantesco de Abel tem 'inveja do Palmeiras', Rebeca Andrade e Simone Biles, 'facadas' e recados a 'mal-intencionados'

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'Estou aqui há quatro anos, já fui vítima de xenofobia, já fui vítima de perseguição e não sei por quê', diz Abel Ferreira (0:49)

Técnico falou após o empate do Palmeiras contra o Internacional (0:49)

Em entrevista coletiva após o empate por 1 a 1 com o Internacional, neste domingo (4), pelo Brasileirão, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, fez longos desabafos sobre diversos temas.

Entre muitos outros temas, o treinador se disse vítima de "xenofobia e perseguição", falou que o Verdão desperta "inveja" por sua fase vencedora e comentou a situação de vários de seus jogadores.

Abel ainda citou as ginastas Simone Biles e Rebeca Andrade, sensações dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, ao falar sobre saúde mental no esporte e no que seus atletas estão passando.

O português também não ficou em cima do muro ao comentar os recentes protestos da organizada "Mancha Alvi Verde" e também a constante troca de técnicos no Inter, rival deste domingo.

Abaixo, a ESPN publica a coletiva de imprensa completa de Abel Ferreira separada por cada desabafo:

Sobre possível falta no lance do gol do Internacional

Sobre esses assuntos vocês sabem que o clube tem uma forma de ser e de estar polido, não precisa ir para a frente das câmeras reclamar do que quer que seja. Mas há muitos clubes que o fazem e acabam por ser beneficiados por isso, mas o Palmeiras não tem isso como política. Portanto, eu também vou me abster de falar sobre o que eu penso sobre a arbitragem brasileira.


Momento ruim do Palmeiras na temporada

Em relação ao jogo, sabíamos que vínhamos de um mau momento, quatro ou cinco derrotas seguidas, ninguém aqui dentro está acostumado, muito menos o treinador e os jogadores, em função daquilo que tem sido o passado recente. Mas como também disso, na nossa vida e no futebol não há só alegria, também há frustrações. E é nos momentos de frustração que vemos quem está conosco e quem não está conosco. É nos momentos de frustração que vemos quem nos apoia incondicionalmente ou quem nos apoia só de vez em quando. Mas como fazemos, todos somos um, pelo menos dentro do nosso clube, pelo menos dentro do CT, todos somos um em todos os momentos, e eu falei várias vezes com os jogadores ao longo desse período difícil, de derrotas, não de perda de títulos, que faz parte. As pessoas que sabem como é o esporte sabem. Eu não conheço equipes que só vençam, não conheço treinadores que só ganhem e não conheço jogadores que só joguem bem. Nem famílias perfeitas. Por isso eu comparo sempre o futebol e a vida. E chegou nosso momento de sofrer, de sofrer juntos, para aqueles que não querem entender, que não gostam do Palmeiras ou que são contra o Palmeiras pelo passado recente ou por toda a sua história, eu já disse mais de uma vez que houve saídas, houve entradas, há um período de adaptação. Há jogadores que, infelizmente, baixaram de rendimento, alguns por questões emocionais. Também já disse que este foi um mês no qual fomos fortemente fustigados por interesse de clubes estrangeiros, e isso mexe com nossos jogadores, não há como... Há propostas que chegam com salários absurdos, valores absurdos, isso com todos. Mas mais do que isso, é a quantidade de lesões que nós tivemos nesse período, algo que não tivemos em anos anteriores. Sabemos que o Dudu não está em forma, e nós sabemos por que o Dudu não está em forma: porque precisa de ritmo, precisa jogar, jogos fora, jogos de pegada mais difícil, veio de uma lesão gravíssima. Temos o Estêvão que vocês sabem também que vinha numa performance absolutamente extraordinária, ajudando a equipe, se lesionou, recuperou, voltou a se lesionar. Temos outro caso igual, que foi o Murilo, que hoje de novo teve que sair. Lesionou, recuperou, voltou hoje e tivemos que tirar. Já para não falar do Piquerez, que está fora e não joga mais este ano. Temos tido problemas também na linha de meio-campo, algumas mazelas no Veiga, que joga muitas vezes no sacrifício. O Zé Rafael, que já esteve lesionado esse ano, tem dor nas costas, problema físico também no adutor. E para não falar por exemplo no Mayke, um jogador que nós contamos. Tem acontecido muita coisa ao mesmo tempo, mas a segunda parte ficou a imagem daquilo que é nossa equipe e aquilo que acreditamos. Eu, enquanto treinador, confio nos meus jogadores, confio nas lideranças que tenho aqui dentro. Disse aos nossos jogadores para terem cuidado, porque o jornalismo oportunista vem nesses períodos, no qual o treinador supostamente está chateado... Eu nunca tive problema com nenhum jogador, porque eu falo olho no olho do jogador, digo quando gosto e quando não gosto. Trato meus jogadores como trato a minha família. E as coisas são feitas dentro do nosso grupo, e é dentro do nosso grupo que está a força, dentro do CT que está a força. E, claro, contamos com os 15, 16 milhões de torcedores. É para eles que também jogamos. É para eles que vamos continuar a lutar por títulos ainda este ano, como temos feito. Mas a gente sabe que a vida, volto a falar, ela é feita de alegrias e tristezas. Já disse isso várias vezes: todos gostam de ganhar dentro do Palmeiras, mas não há nenhum, nenhum dentro do clube que gosta de ganhar mais do que eu. Nem diretor, nem torcedor, nem presidente. E minha função é, dentro desse contexto, para aqueles que são distraídos, mal-intencionados, oportunistas, para aqueles que têm inveja do Palmeiras pelo que tem feito no passado e no passado recente, é nesse período que temos que ver quem está do nosso lado, quem são aqueles que verdadeiramente querem continuar a pertencer e ajudar esse grupo a continuar a ganhar. Portanto, a força tem que vir de dentro. 'Todos somos um' não pode vir só nas vitórias. Não é todos ganhamos e o treinador perde. O treinador é o máximo responsável, mas, aqui dentro, todos temos responsabilidades. Desde o porteiro até a presidente, todos temos. Já falei mais de uma vez qual é a função de cada um dentro do clube. O treinador tem que ter a máxima informação toda, ele tem como função escolher os jogadores para jogar. Essa é a minha função, quer gostem ou não gostem. Quem tem a informação toda sou eu. Não é nem jornalista, nem torcedor e nem oportunista, sou eu. Essa é a minha função. A função do nosso diretor é ajudar na gestão do grupo, é contratar e vender jogadores. Da presidente nem vale à pena falar que é absolutamente extraordinária, tem mais coragem do que muito juntos. E a nossa torcida, os 16 milhões que nós temos, que já na quarta-feira nos ajudem do primeiro ao último segundo para lutar pelo nosso objetivo que é estar na próxima fase (da Copa do Brasil). É isso que o Palmeiras vai fazer.

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'Estou aqui há quatro anos, já fui vítima de xenofobia, já fui vítima de perseguição e não sei por quê', diz Abel Ferreira

Técnico falou após o empate do Palmeiras contra o Internacional


Sobre Simone Biles, Rebeca Andrade e saúde mental no esporte

Ainda bem que me falas nessa parte psicológica, e parabéns à Rebeca Andrade que ganhou absolutamente contra uma menina absolutamente extraordinária, que vocês viram que teve problemas emocionais com as críticas, e as pessoas acham, alguns torcedores acham, que os jogadores, os treinadores, os que estão dentro do CT, não querem ter resultados, que não se esforçam e que não dão o melhor. E muitas vezes, esse é um exemplo de como um atleta que é de excelência, as questões emocionais podem acontecer com qualquer um de nós. E é nos momentos que nós temos dificuldades que vemos quem é quem. E nós conseguimos ver os rostos de quem está conosco e os rostos de quem só está às vezes conosco. Isso também é importante a gente conhecer. E essa menina o que fez foi parar durante um ano, um ano e meio, porque não aguentava a pressão emocional e psicológica. E aqui no Brasil isso é um absurdo, porque aqui, muitas vezes criam-se notícias, inventam coisas, dizem que as lideranças isso e aquilo... Isso é falso, isso é ruim, é um jornalismo raso, é um jornalismo baixo. Parece que eu cheguei aqui há quatro dias. Eu não estou no futebol brasileiro há quatro dias, estou no futebol brasileiro há quatro anos, não quatro dias. Eu não preciso que falem bem de mim, só preciso que me respeitem como homem, como português. Há quatro anos estou aqui no Brasil, é só isso que preciso, que me respeitem só. O que fazem os jogadores e a direção comigo, é isso que eu exijo dos outros: respeito. Porque se não me respeitar, eu também não vou respeitar quem não me respeita. E, infelizmente, eu conheço muito bem quem faz o jornalismo sério... Eu não estou dizendo que sou perfeito, não estou dizendo que acerto em tudo o que faço. Mas, olhando para o passado recente, acho que tenho acertado mais do que aquilo que tenho errado. Mas peço desculpas pelos erros que cometi. É que parece que são todos perfeitos. Só os que estão à frente do futebol, o treinador, os dirigentes e os jogadores é que são os incompetentes. E, portanto, volto a dizer: darei sempre a cara para defender meus jogadores, darei sempre a cara quando for preciso, como sempre fiz, mas volto a dizer: muita coisa aconteceu ao mesmo tempo. E volto a dizer: este ano, vai ser contra tudo e contra todos. Este ano, já preparei os jogadores para isso: vai ser contra tudo e contra todos.


Sobre calendário insano do futebol brasileiro

Eu já falei, vocês veem... Não sou o único treinador que fala nisso. Mas há quem tem o poder de decidir e não decide. Não adianta ser o treinador do Flamengo a falar, que é um conhecedor profundo. Quando ele falou uma expressão muito boa, a gente está sempre a aprender: 'Eu não faço gestão, eu cuido dos jogadores'. Adorei essa expressão, porque é mesmo isso que temos que fazer, em razão do calendário insano que nós temos. Mas vou repetir: jogadores saíram, jogadores entraram, (precisa de) adaptação. Quantidade de lesões absurda, que não aconteceu em anos anteriores, jogadores que entraram e saíram (do departamento médico). Já falei do Murilo, o Lázaro que começou hoje de novo como titular quando saiu estava muito bem no jogo contra o Atlético-MG. Uma conjuntura de situações, mercado europeu aberto, vendemos três jogadores e o clube tem que parar, porque continuam a chegar propostas absurdas de clubes do exterior, até para os jogadores que jogam menos. E nós temos que continuar juntos. Assumo também a minha responsabilidade, porque, em meio a todo esse contexto, uma ou outra decisão se calhar não foi a melhor, sem problema nenhum (de admitir)... Eu também tenho essa responsabilidade. Agora, neste contexto, eu lamento... Lamento que os palmeirenses estejam mal-habituados, muitas vitórias seguidas, não estão acostumados a perder, eu muito menos estou acostumado a perder, meus jogadores não estão acostumados a perder. Mas, como já disse, o esporte, o futebol é a coisa mais importante das menos importantes. É só o meu trabalho, é só aonde eu faço o que posso com os recursos que tenho para continuar dando alegria aos 16 milhões de torcedores do Palmeiras. Isso sempre foi minha única certeza e garantia. E é isso que posso prometer aos nossos jogadores, olhando sempre para os recursos que temos disponíveis, e como você disse bem, não há como não gerir em função do calendário, das lesões, da importância de todos os jogos. Como eu sempre falo à minha esposa: o jogo mais importante é sempre o seguinte. As mulheres às vezes têm um 6º sentido, eu tenho que ouvir mais, porque acho que há mulheres que entendem mais de futebol do que muitos homens.


Sobre Rony e as cobranças que faz em cima de seus jogadores

(Rony) É criticado pelo torcedor, é cobrado pelo treinador, e ele sabe disso, que nós esperamos dele mais e melhor. Não é o único, mas esperamos mais rendimento dele. Como já falei a todos, os jogadores não são máquinas e não são perfeitas. Tem momentos em que estão top, tem momentos em que estão em baixa. Estava a falar da Simone Biles que foi campeã do mundo e que um ano depois teve que parar por problemas psicológicos, voltou em grande forma, vocês viram, não dando a mínima chance à Rebeca, que fez Jogos Olímpicos absolutamente extraordinários. Mas o futebol é mesmo isso. Há momentos em que a equipe ajuda o jogador a puxar a sua forma, mas é isso que queremos e esperamos do Rony e dos nossos centroavantes. Somos uma equipe que produz, temos tido uma boa eficácia defensiva, mas em relação à nossa eficácia ofensiva não estamos no nosso melhor momento, por tudo aquilo que já falei: quebra de confiança, questões emocionais ainda a serem trabalhadas, o ritmo competitivo de alguns jogadores, melhorar nossa equipe fisicamente também. Tem muito a ver com isso. Em relação às dinâmicas, temos que olhar para os jogadores que temos disponíveis. Hoje não tínhamos o Mayke, o Estêvão, o López, o Caio Paulista jogou no último jogo 90 minutos e sabemos como isso impacta no jogo seguinte. O Vanderlan acabou por aproveitar e nós sabemos da forma como ele gosta de uma linha de três para nos dar profundidade, acabou por fazer um bom jogo. Metemos o Vitor Reis, tem sido um elemento importantíssimo na nossa dinâmica, liderando a linha defensiva, tem sido ele o nosso líder em colocar sempre a equipe curta, tem feito jogos extraordinários. O Murilo voltou agora de lesão, precisa jogar e recuperar ritmo. Fizemos uma troca no 2º tempo porque o Gómez estava cansado no corredor direito, então puxamos para dentro e baixamos o Veiga para nos dar um pouquinho de criatividade ao nosso meio-campo. Nos últimos jogos o nosso meio-campo não tem estado tão criativo, tão inspirado, e eu entendi que deveríamos trazer o Veiga uma casa atrás, dar ao Maurício a possibilidade de jogar e flutuar entre as linhas. O Lázaro vocês sabem da capacidade de flutuar entre as linhas e ganhar as costas. Enquanto teve energia, ele fez um belíssimo jogo. O Dudu nós queremos que ataque a profundidade, mas ainda faz muitos movimentos de apoio para trás do Vanderlan para depois tentar combinar, e nós fizemos essa alteração na segunda parte para dar um pouquinho de mais, uma equipe mais aguda, a furar a linha de quatro do nosso adversário. Tentamos, fizemos três gols, só um foi validado, e parabéns ao nosso adversário, fez um belíssimo gol de fora da área. Disse isso à minha equipe: quando um jogador tem a coragem e a audácia de arriscar e fazer um gol daqueles, só temos que bater palmas e dar parabéns, porque não há nada a fazer. Mas no 2º tempo tivemos bem, estivemos dinâmicos, um campo extraordinário.


Sobre Dudu e o tempo que levará para ele voltar a ser o mesmo de antes

Falar do Dudu é sempre muito delicado, porque é um jogador que é um cara que todos nós gostamos, mas não podemos esquecer que ficou 10 meses parado devido a uma lesão muito grave. Ele quer nos ajudar e vai nos ajudar. Ele tem característica de gostar mais de ter a bola, de enfrentar os jogadores, mas quando o jogo vai para a pegada física, como hoje, teve mais dificuldade, e isso é normal. Sabemos que é um jogador que pode nos ajudar a entrar do banco, quando tivermos que arriscar e ir para cima, é um jogador que tem essa criatividade. E ele sabe da forma que eu conto com ele, quando conto com ele, quando temos que tê-lo em campo. Logicamente, o momento em que a equipe precisa de mais robustez física não é o momento, nem para defender. O ponto forte dele é o desequilíbrio, criar desequilíbrio, chegar mais à área. Mas em função daquilo que era a estratégia hoje e do desgaste físico do último jogo, entendi que ele deveria jogar. Treinou muito bem esta semana e com toda a certeza coloquei para jogar hoje. Mas, como já disse, não é só o Dudu, mas o Giay, que já chegou agora e tem três jogos seguidos, falamos do Murilo, do Mayke, falamos do Veiga, do Estêvão, do Lázaro, do Piquerez... Enfim, o Núcleo de Saúde e Performance tem tido mais trabalho neste mês do que nos nossos quatro anos juntos, mas felizmente temos gente competente à frente do clube, que sabe tudo o que se passa. Nós não temos que dar explicações para fora, porque dentro cada um sabe a sua função e aquilo que tem que fazer. Somos verdadeiros e frontais uns com os outros. E os nossos torcedores podem ter a certeza que nós só temos uma solução à nossa frente: continuar nosso caminho, continuar juntos, continuar a trabalhar, contra tudo e contra todos, e continuar a lutar por títulos como a gente vem fazendo ao longo destes quatro anos.


Sobre sua comissão completar 300 jogos pelo Palmeiras

Ninguém quer saber disso... Aqui todos só querem saber de ganhar.


Sobre a constante mudança de treinadores no Internacional

Cultura do futebol brasileiro. Isso eu não vou mudar. Cultura do futebol brasileiro, dos dirigentes brasileiros, da torcida brasileira. Vocês viram o que o (Vanderlei) Luxemburgo disse? Não sou amigo dele, não somos próximos. Prestem bem atenção ao que um senhor que esteve na Europa, esteve num clube fraquinho, que foi o Real Madrid, né? Prestem atenção ao que ele disse. Mas ninguém quer saber... Eu já falei uma coisa: educação, quer as pessoas gostem ou não, tudo vem da educação e da formação. E vou voltar a dizer: no futebol e na vida, nós não vamos ganhar sempre. Vamos ter frustrações, desilusões, como eu tenho frustrações e desilusões. Algumas entram como facas. E eu já disse: eu perdoo, mas não esqueço.


Sobre protesto da organizada no CT e cultura do futebol brasileiro

Os protestos a gente sabe quem são, vocês veem as caras, está bem identificado. Entendo, estão frustrados... Eu também estou, meus jogadores também estão, a única coisa que posso prometer aos 16 milhões de torcedores é que vamos continuar o nosso caminho para melhorar os nossos jogadores. Mas também deixe-me dizer uma coisa: uma coisa é aquilo que a gente ouve, que escrevem, outra coisa é o que eu sinto na minha vida diária... Eu nunca, em país nenhum em que estive, nem em Portugal, fui tão bem tratado, eu e minha família, tão acarinhado, tão respeitado como pela gente brasileira, seja de que clube for: corintianos, palmeirenses, são-paulinos, santistas, flamenguistas... Tem a ver com respeito. Sou muito competitivo, mas respeito meus adversários. É só isso que exijo dos outros: respeito. Quando tiverem que criticar, critiquem, mas com respeito. 'Abel escalou mal, Abel substituiu mal'... Com respeito. Eu não cheguei ao Brasil há quatro meses, estou aqui há quatro anos. Cheguei no Brasil em 2011. Quando cheguei aqui para assinar contrato, eu já tinha CPF. As pessoas acham que cheguei aqui em 2020, mas foi em 2011. É um país absolutamente maravilhoso, tem pessoas maravilhosas, um país com potencial extraordinário. Pena que a evolução, a inovação, a 'Ordem e Progresso' da bandeira, pena que seja lenta, mas ela é feita. 'Ordem e Progresso', sabe aonde está escrito isso? Todo santo jogo se canta o hino. Pena que nós todos, gringos ou brasileiros, que sejam portugueses, italianos, alemães, porque tem tudo aqui, e muitos são brasileiros, e outros que vieram filhos de japoneses que se tornaram brasileiros, filhos de portugueses que se tornaram brasileiros, pena que não respeitem a bandeira brasileira, que não respeitem a 'Ordem e Progresso' que devia ter e que devia ser cobrado, como cobram no futebol. Pena que não seja assim em todos os setores da sociedade. Pena que não é assim. Vou repetir de novo: eu não sei só ganhar. Vou perder, e vou perder muito.

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