OPINIÃO: Ideias certas, inteligência e suor, o Fluminense vence e segue

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MUITA FESTA: VEJA a reação da torcida do Fluminense após o gol de Germán Cano contra a Inter de Milão (0:54)

Se o plano do Fluminense era esperar a Internazionale e atacar esporadicamente, o início do jogo ofereceu ao time brasileiro tudo que ele queria. Um duelo individual vencido por Martinelli contra de Vrij acionou Jhon Arias pelo corredor direito, mas o cruzamento do colombiano não saiu como o planejado. De fato, ficou melhor. O desvio em Bastoni fez a bola subir e provocou um segundo de indecisão no goleiro Sommer. Foi o suficiente para Cano surgir à frente dele e cabecear entre suas pernas, abrindo a contagem quando o relógio em Charlotte ainda não tinha chegado aos três minutos.

Um gol capaz de mudar tudo, mesmo que a ideia de Renato Portaluppi não sofresse qualquer alteração. Jogador atrevido, e, como técnico, adepto do futebol de ataque, Renato não costuma precisar de muitos motivos para orientar seus times a jogar evitando riscos, mesmo que a necessidade seja discutível. Nesta segunda-feira (30), diante do atual vice-campeão europeu, debater com o treinador gaúcho seria uma proposta ousada. O gol de Cano, em sua ducentésima atuação pelo Fluminense, obrigou a Inter a enfrentar a defesa brasileira, o calor de 33 graus e a preocupação por se ver em desvantagem contra um adversário não europeu. Sim, era apenas um gol, mas poderiam ser mais. Deveriam ser, na verdade. Samuel Xavier errou o alvo por um palmo após um rebote de Sommer, e Renato olhou para o céu azul perguntando por quê.

O segundo tempo prometia ser rápido para os italianos, caso a busca pelo empate seguisse infrutífera. O trabalho do Fluminense era aproveitar essa ansiedade para construir um hipotético golpe final. E que fique claro: não se tratava de um time brasileiro se limitando a trancar o próprio gol para sobreviver. O Fluminense executava um jogo estratégico de defesa forte e volume ofensivo suficiente para preocupar, sempre investindo na capacidade e categoria de Arias. À distância, parecia mais capaz fisicamente, o que seria natural considerando o fato de os europeus estarem no pós-temporada. A Inter fazia força para jogar e pressionava; o Fluminense aguardava seu momento, mas deixava a sensação de que faltava um pouco mais de capricho para botar o jogo para dormir.

O trecho final transcorreu em marcha lenta, com Lautaro Martínez procurado dentro da área para salvar a Inter. Quando Fábio - em jornada exuberante - não defendeu, a trave evitou o gol que fatalmente determinaria a prorrogação. Até Hércules, nome de herói mitológico, rolar para a rede de Sommer o gol que levou o Fluminense para as quartas de final do Mundial de Clubes. Resultado de um jogo disputado pelo time brasileiro do primeiro ao último minuto com as ideias certas, a inteligência e o suor necessários para mandar o vice-campeão da Europa para suas merecidas férias. Palmas ao Fluminense.