Guardiola no City: de domínio na Premier League a Real Madrid e Klopp de rivais, relembre 10 momentos icônicos

Dez anos. É muito ou pouco tempo? Depende de quem analisa. Quem precisa desafiar quase que semanalmente um maluco genial, tanto tempo assim é torturante. Do contrário, os que têm alguém como Pep Guardiola a seu lado sentem como se a década tivesse passado num espaço de um instante.

Não há certo ou errado aqui, a não ser que a história chegou ao fim. Guardiola, como anunciado por ele próprio e pelo clube nesta sexta-feira (22), está de saída do Manchester City após dez anos, 20 títulos, quase 600 jogos e momentos que merecem sempre de recordação.

Abaixo, o ESPN.com.br lista dez momentos que resumem o que foi a passagem do, para quase todos, mais genial técnico que o futebol produziu nas últimas décadas.

Guardiola ou Fraudiola?

Ao trocar o Bayern de Munique pelo Manchester City, Pep Guardiola enfrentou resistência de muitos que diziam que seu estilo de jogo, baseado em trocas de passes, posse de bola e controle, jamais daria certo na Inglaterra. O começo foi excelente, mas bastaram os primeiros maus resultados e uma temporada sem título para as críticas pesarem.

O apelido "Fraudiola", como se o espanhol fosse uma fraude, ganhou manchetes pelo país nos quase sempre questionáveis tabloides ingleses. Ali, no meio de 2017, os críticos tinham a certeza que a passagem de Guardiola por Manchester não seria o sucesso que foi em Barcelona e Munique. O tempo mostrou quem estava certo.

A Premier League dos 100 pontos

Apoiado pela direção do City, Guardiola reformulou um elenco envelhecido. Buscou Walker, Ederson, Mendy, Bernardo Silva e Laporte, que se juntaram aos que já estavam no elenco para entrar para a história.

Com um estilo de jogo apaixonante de triangulações e jogadas plásticas, o City não só conquistou a Premier League pela primeira vez com o técnico, como também bateu diversos recordes. O maior deles: ser o único campeão com 100 pontos de toda a história da liga inglesa. Quem é a fraude mesmo?

Domestic Quadruple

A Premier League tinha dono, mas era preciso expandir os horizontes e buscar novos troféus para garantir uma era dominante. Foi isso que o Manchester City fez em 2018/19. Mais maduro e com adição do atacante Mahrez, estrela do Leicester City, Guardiola e elenco foram buscar um novo feito inédito no país.

A Supercopa da Inglaterra foi vencida contra o Chelsea, que voltou a ser vítima na Copa da Liga Inglesa, dessa vez nos pênaltis. A Copa da Inglaterra veio com 6 a 0 sobre o Watford. Faltava a Premier League, cuja conquista foi para cima do Liverpool, pela diferença de um ponto (98 e 97). E, assim, o City se tornou o único clube da história a papar os quatro títulos nacionais em uma mesma temporada.

Klopp, o rival amado

Se com José Mourinho a rivalidade ultrapassou qualquer limite do aceitável nos tempos de Barcelona x Real Madrid, Guardiola encontrou um rival à altura para competir dentro de campo e dividir vinhos e jantares fora dele: Jürgen Klopp, adversário nos tempos de Bayern x Borussia Dortmund e que se tornou algo mais.

Com o alemão à frente do Liverpool, Guardiola travou embates espetaculares ao longo dos anos. Klopp levou a melhor em números gerais, sendo até hoje o técnico que mais venceu Pep. Mas o espanhol levou o maior número de troféus, incluindo seis de sete edições da Premier League. O respeito mútuo entre os técnicos só fez crescer um clássico histórico.

Champions League, inferno ao céu

O troféu que a Europa toda deseja escapou nos tempos de Bayern. Conquistá-lo era uma missão de honra para Guardiola em Manchester, ainda mais porque o clube jamais chegou perto de ganhá-lo. Só que foram necessárias algumas eliminações, várias delas traumáticas, para poder tocar na taça mais cobiçada do futebol.

O City caiu para Monaco e Lyon. Perdeu por um gol anulado por centímetros contra o Tottenham. Levou uma improvável virada do Real Madrid nos acréscimos. Foi vice para o Chelsea. Tudo isso até chegar em 2023, quando Guardiola, Haaland, De Bruyne e companhia levantaram a Orelhuda com uma campanha invicta e vitória sobre a Inter de Milão na final.

O sonho estava desbloqueado, mas nunca mais foi possível alcançá-lo.

Real Madrid, por que sempre você?

Guardiola está mais do que acostumado a enfrentar o Real Madrid, adversário desde os tempos de base do Barcelona. Mas, pelo Manchester City, o eterno rival virou mais do que um simples adversário. Tornou-se uma pedra no sapato que, sem medo de errar, tirou ao menos dois títulos de Champions League do Etihad Stadium.

Os merengues foram os responsáveis por eliminar o City da Liga dos Campeões em quatro temporadas: semifinal em 2022, quartas em 2024, fase 16 avos em 2025 e oitavas em 2026. Nos dois primeiros anos, Guardiola tinha tudo para ir até o título. Mas, se há memórias ruins, também existem as boas. A goleada por 4 a 0 na semi de 2023, no penúltimo passo até a conquista da Europa, é lembrada por todos.

Tríplice Coroa

Dos 20 títulos ganhos por Guardiola em uma década de Inglaterra, três estarão eternizados por terem sido praticamente juntos e garantirem algo que apenas o Manchester United de Alex Ferguson havia conseguido dentro do país.

Em 2022/23, o City faturou primeiro a Premier League, em uma virada sobre o Arsenal. Depois, encarou o United e embolsou também a Copa da Inglaterra, com direito a gol logo aos 8 segundos. O ato final foi em Istambul, com vitória sobre a Inter de Milão e o título da Champions League. A Tríplice Coroa, antes inimaginável, era real.

Four in a row

Os ingleses jamais haviam visto um time, em mais de 100 anos de futebol, vencer quatro campeonatos consecutivos na primeira divisão, seja antes ou depois da criação da Premier League. Pois o Manchester City de Pep Guardiola apareceu para, como de costume, mudar a história.

Campeão em 2021, 2022 e 2023, o clube ficou perto de deixar a conquista escapar em 2024, mas a nova corrida contra o Arsenal pendeu para o lado azul do confronto. O triunfo por 3 a 1 sobre o West Ham sacramentou o tetracampeonato consecutivo, um feito imenso.

Fluminense que me perdoe...

Ao vencer a Champions League, o City viu a possibilidade de disputar dois títulos inéditos. O primeiro foi a Supercopa da Uefa, vencida nos pênaltis em cima do Sevilla. No fim de 2023, outro desafio: o Mundial de Clubes.

Vitória por 3 a 0 sobre o Urawa Reds na semifinal e confronto marcado com o Fluminense, campeão da CONMEBOL Libertadores naquele ano. Em uma decisão sem Haaland e De Bruyne, o time de Guardiola saiu na frente antes de um minuto e goleou por 4 a 0 para somar mais um troféu inédito à galeria.

Premier League, um caso de amor

Títulos sobraram na década de Guardiola no Etihad Stadium. Mas, se alguma competição de fato o fazia brilhar os olhos, não era a cobiçada Champions, nem as copas democráticas que unem o país. A menina dos olhos do técnico era mesmo a Premier League.

Pep sempre a priorizou enquanto dirigiu o City e vai embora como o segundo maior campeão, atrás somente dos 13 troféus de Alex Ferguson. Foram seis conquistas, além de dois vice-campeonatos e outros dois terceiros lugares.