Há mais de uma década, o Manchester City persegue o inédito título da Champions League. Um dos favoritos nesta temporada, o clube inglês está quase garantido nas semifinais depois de vencer o Bayern no jogo de ida por 3 a 0. As equipes se enfrentam no jogo de volta pelas quartas de final, nesta quarta-feira (19).
Em 2008, o City foi comprado por uma holding dos Emirados Árabes e passou a investir pesado em reforços renomados para transformar um clube modesto em uma potência na Europa. Um dos jogadores contratados no começo do projeto foi o lateral-esquerdo Sylvinho, multicampeão pelo Barcelona entre 2004 e 2009, que não teve seu vínculo renovado no Camp Nou.
O brasileiro, que havia se despedido do Barça com uma temporada dos sonhos sob o comando do técnico Pep Guardiola, topou o desafio de chegar a um novo projeto na Inglaterra após 'ser campeão de tudo' na Espanha.
"Estava em boas condições e me cuidei bem, mas é reciclagem, o tempo e o Barcelona entendeu que acabou. Terminei com triplete (LaLiga, Champions e Copa do Rei), foi interessante e o melhor momento na minha carreira. Foi o primeiro ano do Guardiola como treinador, que não tinha nem 40 anos. Ele é fora da curva e extraordinário", disse ao ESPN.com.br.
Sylvinho morava na Catalunha e conversou em um hotel com o então técnico do City, Mark Hughes, que em poucos dias jogaria o Troféu Joan Gamper contra o Barcelona.
"Eu fui para lá porque me vendo um atleta vencedor e a minha fama é de que sou um cara educado e leal. A vida me premiou. Ele me disse: ‘Quero um cara como você dentro do meu vestiário e quero mudar. Queremos construir’", contou.
Aos 34 anos, o brasileiro jogou apenas uma temporada na Inglaterra antes de pendurar as chuteiras: foram 15 partidas e um gol marcado. "Era um final de carreira e o ritmo da Premier League era muito pesado. Reencontrei o Patrick Vieira, um cara extraordinário, e sofríamos nos treinamentos e jogos", revelou.
Naquela época, o City ainda buscava uma estrutura digna de uma potência na Europa para brigar de frente contra o outro time de Manchester, que vivia grande fase e enfileirando títulos.
"Era outro momento porque o United prevalecia ao City, que tinha uma situação inferior. Depois que passaram a equilibrar, a rivalidade aumentou bastante", explicou.
"Vi a filosofia do clube e vi que estavam indo por um grande caminho. Estavam fazendo na época um ótimo Centro de Treinamentos. Você não ganha tantos títulos sem um grande planejamento. Eles mantiveram um planejamento com o passar dos anos".
Sylvinho viu essa mentalidade dos diretores do clube de perto. Mesmo após ficar na quinta posição da Premier League na temporada 2009-2010 e perder a vaga na Champions League para o Tottenham, o trabalho do técnico Roberto Mancini, contratado no meio da temporada, foi mantido.
"Lembro que a conversa no vestiário com a diretoria e o Mancini foi de altíssimo nível. Todo mundo estava triste no fim ao campeonato por não atingir a Champions, mas (o papo) foi sereno e calmo. Com o passar do tempo, eu entendi que aquela conversa mostrou que o planejamento estava ali. O clube tomou proporções grandes até mesmo no cenário europeu".
Depois disso, o City venceu uma série de títulos, incluindo Premier League, Copa da Inglaterra e Copa da Liga. Sylvinho aposta que Guardiola é o técnico certo para conquistar a tão sonhada Champions.
"É uma das grandes equipes do futebol mundial, bem dirigida e com jogadores muito bons. Tem a organização como o treinador gosta. As pessoas não entendem quando o Guardiola diz que se preocupa com a parte defensiva. As pessoas só se preocupam com a posse de bola. Eu vejo ele comentar como saber defender e leva poucos gols. Ele trabalha muito esse aspecto e tem o DNA para jogar. Um jogo bem posicional e com atletas que compreendem as suas ideias. Quase sempre é o time que menos leva gols e o que mais faz".
