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Gol antológico, perda do pai e Copa: Alisson abre coração à ESPN e tenta explicar temporada atípica do Liverpool

Em sua oitava temporada no Liverpool, Alisson Becker vive a expectativa de disputar a terceira Copa do Mundo da carreira. O goleiro de 33 anos já atuou nos Mundiais da Rússia, em 2018, e do Qatar, em 2022, ambas como titular da equipe de Tite.

Presença constante nas convocações de Carlo Ancelotti, Alisson está entre os jogadores com vaga assegurada para a Copa do Mundo deste ano, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México. Em entrevista exclusiva à ESPN, o goleiro conta como o desejo de conquistar o hexa com a seleção brasileira tem motivado sua carreira.

“Não é nem o que está faltando, é o mais desejável. Acho que desde que eu comecei a jogar pela seleção brasileira, aquilo que me move e continua me movendo é esse desejo de vencer a Copa do Mundo. E não só espero, como vou trabalhar para que a gente possa trazer o hexa para o Brasil, para todos os torcedores, para a nação”, disse.

“Nós precisamos desse título. Não só futebolisticamente, mas como nação. Espero que a gente possa também ser um símbolo de união de um povo que está dividido por várias razões”, completou o experiente goleiro, campeão da Copa América em 2019, ao dizer que o futebol pode ajudar o país muito além do esporte.

“Acho que há uma divisão em todas as áreas e principalmente por causa da política. E aqui não é sobre certo ou errado. Não deveria ser sobre certo ou errado, deveria ser sobre unir os lados, unir pensamentos, ter respeito um com o outro, com as com as diferenças. Porque são as diferenças que nos tornam especiais como nação. É a riqueza cultural do nordestino, do gaúcho, do pessoal do Mato Grosso, do Amazonas, do Acre, do Pará, de todos os estados”, seguiu o camisa 1.

“Mas a gente não está tendo a capacidade de sentar juntos na mesma mesa e conversar, mesmo tendo opiniões diferentes sobre certos detalhes. E o futebol em vários momentos uniu o país em um só objetivo. E a conquista traz essa sensação de união. Então, eu espero que que a gente possa trazer isso para o Brasil, porque a gente precisa”, finalizou Alisson.

Perda do pai e gol antológico: coincidência?

Escrever sobre Alisson é falar sobre seleção brasileira e Copa do Mundo, mas, principalmente, de Liverpool. Desde 2018/19 nos Reds, o goleiro soma 8 títulos, 324 jogos, 3 assistências e 1 gol com a camisa do clube inglês.

O único tento marcado por Alisson em sua carreira ocorreu em maio de 2021. O goleiro decidiu a vitória do Liverpool contra o West Bromwich, na 36ª rodada da Premier League. Após o heróico resultado, o brasileiro dedicou o gol ao seu pai, falecido em fevereiro daquele ano.

Questionado se o gol foi apenas uma coincidência, Alisson diz que “gosta de acreditar que não”.

“Muitas coisas influenciam dentro do futebol. Agora, o que influencia? Se é uma energia, se é não sei o que, se é Deus... A minha fé é muito mais racional nesse sentido. Eu não tento fantasiar as coisas. Mas eu entendo que na minha vida é o espírito de Deus que me move. Então todas as minhas ações são afetadas por Deus na minha vida. Então, aquilo ali com certeza eu não consigo enxergar como com uma coincidência, assim como várias outras situações dentro do futebol”, disse.

“E não tem só a ver comigo, tem a ver com o time também, com o momento que a equipe vivia. O momento que o mundo estava vivendo. Então o futebol nos traz essas alegrias, nos dá essa surpresa nesses momentos. E ali foi com certeza um desses momentos importantíssimos na minha história e na história do Liverpool”, completou o goleiro.

A emoção que Alisson sentiu ao marcar aquele gol não se deve apenas à ligação de sangue, mas, também, com a sua criação. O goleiro relembra como sua infância foi moldada por seu pai e seu irmão em cima do futebol.

“Futebol sempre foi, desde que eu tenho na minha lembrança sobre a minha infância. São belas memórias que eu tenho desses momentos, mas principalmente com o meu irmão, jogando dentro de casa. A gente, junto com o meu pai também. Mas eu e o meu irmão tínhamos uma garagem na casa, onde tinha uma porta em cada lado e ali eram os gols”, relembra.

“Com certeza foi um impacto gigante dos dois. Do meu pai, do estilo dele, esse estilo arrojado que tanto eu e o meu irmão nós temos de ser um goleiro ativo, de querer ser agressivo em alguns momentos dentro da área, de antecipar os movimentos. Ele tinha isso quando ele jogava nas brincadeiras, finalizou.

Alisson analisa temporada do Liverpool: 'Em outro lugar, já estariam vaiando'

Atual campeão da Premier League, o Liverpool vive uma temporada “muito abaixo”. Quem diz isso é o próprio Alisson. A equipe comandada por Arne Slot ocupa a 6ª posição no campeonato, estando 17 pontos atrás do líder Arsenal.

O Liverpool foi o time inglês que mais gastou em contratações na temporada 2025/26. Entre os motivos que podem explicar a fase da equipe, segundo o goleiro, estão as mudanças.

“Muito, muito abaixo nossa temporada. Acho que a gente reconhece, a gente sente, todas essas coisas que se deve, a gente tem a consciência disso. Pela qualidade da equipe, pelo tamanho do Liverpool. Porém, todos os fatores que você falou de mudança, se tivesse tido um só já teria sido muito difícil. Porque, se a gente for olhar, a equipe que ganhou a Premier League do ano passado e equipe dos 11 que começam jogando é uma equipe muito diferente, inclusive de características”.

Alisson também conta como a morte de Diogo Jota, ex-jogador português que atuava nos Reds, em julho do ano passado, afetou o elenco.

“Vivemos questões emocionais que vão além do ser humano. O ser humano não consegue lidar. Cada um lida da sua maneira. Perdemos um companheiro, perdemos um amigo e temos os problemas de lesões. Então tudo o que tu puder botar de problemas que possa acontecer, talvez no futebol, grande parte pelo menos do que possa acontecer de desafios, nós temos aqui nessa temporada. Mas em nenhum momento a gente pega isso de desculpa”.

Apesar da fase conturbada do Liverpool, Alisson destaca como a torcida do clube inglês não abandona o time.

“A torcida tem apoiado. E acho que com a campanha que a gente tem, se fosse em qualquer outro lugar do mundo, todo mundo já estaria vaiando desde o início do jogo, durante o jogo. E a torcida do Liverpool não. Ela está sempre ali, sempre presente, nos apoiando, tentando reagir junto com a equipe e ter a esperança que a gente possa logo viver dias melhores”, finalizou.