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Peñarol x Atlético-MG: À ESPN, jogador uruguaio responde por que times do país não conquistam mais a Libertadores

O Atlético-MG enfrenta o Peñarol nesta terça-feira (14), às 19h (horário de Brasília), em Montevidéu, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. O clube uruguaio, por sinal, é o último do país a chegar à uma final de CONMEBOL Libertadores, o que aconteceu em 2011 e acabou em derrota para o Santos de Neymar e Ganso – a última taça da principal disputa continental das Américas ganha por uma equipe celeste foi há mais de 35 anos, com o Nacional-URU em 1988. Com isto, fica a pergunta: por que um país que ostenta oito conquistas da competição, cinco do Peñarol e 3 do Nacional, não consegue mais levantar o troféu? Ou mesmo chegar à decisão? E ainda, é possível que uma equipe uruguaia volte a ser campeã da maior competição de clubes da América do Sul?

Giovanni González, lateral ítalo-uruguaio do Mallorca, da Espanha, deu entrevista exclusiva à ESPN e analisou a situação dos clubes de seu país.

“É complicado, porque temos clubes com muita história no Uruguai, construída especialmente há muitos anos, como você disse, com muitas Libertadores, muitos campeonatos, e a verdade é um pouco triste, não estamos mais nesse nível internacionalmente falando”, começou. “Agora dá para notar muita diferença hoje em comparação com o futebol brasileiro ou o futebol argentino, a diferença é bem grande. No nível de clubes, falando do Peñarol, por exemplo, não conseguimos nem passar da fase de grupos”, concluiu. Quanto aos motivos para uma queda tão drástica no futebol de clubes do Uruguai, González foi enfático e acusou a saída precoce de atletas rumo ao exterior.

“Acho que é um pouco por conta do fato de sermos um futebol de exportação. Então, o que fazemos é revelar os jogadores e vender, vender, vender. Portanto, um bom jogador não dura mais do que uma temporada no Uruguai.” “Hoje em dia, clubes do exterior vêm com o dinheiro e os nossos times aceitam. Como também somos um país um pouco mais humilde economicamente, os clubes não têm a possibilidade de reter esses jogadores, não apenas por causa do salário que eles oferecem, mas por causa do dinheiro que recebem por essas vendas”, explicou.

Assim, González entende que é muito difícil ver boas performances dos clubes uruguaios uma vez que a continuidade é prejudicada. “É um pouco difícil de um ano para o outro manter um bom desempenho. Se uma equipe fez um bom campeonato, é difícil manter a base dessa equipe porque a maioria deles [jogadores], se jogar bem, será vendida”, seguiu. “Não é uma desculpa, mas acho que também é um pouco do porquê. Não competimos internacionalmente nos últimos anos, trazemos muitos jogadores jovens ano após ano, e, obviamente, sem essa experiência, é um pouco mais difícil”, detalhou.

É nesta realidade que o Peñarol encara o Atlético-MG no Estádio Campeón del Siglo e de olho na segunda vaga do grupo G para ir às oitavas de final da Copa Libertadores – líder da chave, a equipe brasileira já está classificada com 12 pontos em 12 possíveis. O time uruguaio, comandado pelo técnico Diego Aguirre, tem 4 pontos e divide o segundo lugar com o Rosário Central, mas leva vantagem nos critérios de desempate – o time argentino receberá o Caracas-VEN, lanterna com apenas 1 ponto, na quinta-feira (16), às 19h.

*Colaborou Vinicius Garcia, de São Paulo