Visão do estádio: a noite em que a torcida do Palmeiras classificou seu time na Libertadores da forma mais ensandecida que já testemunhei

Palmeiras venceu Atlético-MG e se classificou para a semifinal da Libertadores em noite de show incrível da torcida


Faz quase 10 anos que atuo na cobertura do Palmeiras. Nesta década de trabalho, testemunhei grandes shows da torcida alviverde no Allianz Parque. Jogos como os contra Internacional e Santos, na campanha da Copa do Brasil de 2015, deixaram todos surdos. Houve o duelo contra o Peñarol, decidido aos "trocentos" minutos de acréscimo no 2º tempo na Libertadores de 2017, com o urro da comemoração do gol de Fabiano sendo ouvido até em Montevidéu. Ou aquele famoso 3 a 3 com o Cruzeiro, na Copa do Brasil de 2017, que deixou até o cruzeirense Thiago Neves assustado (e admirado).

Mas nada se compara ao que vi nesta quarta-feira (10), dia que o Verdão eliminou o Atlético-MG nas quartas da Conmebol Libertadores com todos os contornos épicos e heróicos possíveis.

Nesta quarta, os 40.433 torcedores que foram ao estádio simplesmente "carregaram" sua equipe até a semifinal da competição. Foi na base do berro, do grito, do gogó. Foi enlouquecedor.

Com dois jogadores a menos, cada grito de "lutem sem parar" parecia injetar gasolina aditivada no tanque de combustível dos atletas palmeirenses.

Rony, Dudu, Raphael Veiga, Zé Rafael, Piquerez, Gustavo Gómez, Murilo... Todos visivelmente exauridos, tendo que correr em dobro após Danilo e Gustavo Scarpa serem expulsos - de maneira justa, diga-se.

"Lutem sem parar", pediam os ensandecidos palestrinos, cantando a nova música que já virou hit no Allianz Parque - e que foi criada a partir de um pedido do técnico Abel Ferreira.

Os jogadores obedeceram. Disputaram cada dividida como se fosse a última de suas vidas. Saltaram o dobro para tirar bolas de cabeça. Empurraram, reclamaram, "catimbaram"... Lutaram! Lutaram sem parar.

Contra o ótimo time do Atlético-MG, o Verdão segurou 0 a 0 após cinco minutos de acréscimo que pareceram durar uma eternidade e levou para os pênaltis. E, mais uma vez, a força da torcida fez a diferença.

Claro que os jogadores alviverdes têm todos os méritos na classificação. Deixaram cada gota de suor e brigaram pela classificação histórica com um comprometimento defensivo poucas vezes visto.

Mas, se a Conmebol tivesse que eleger o verdadeiro "Homem do Jogo" nesta quarta, teria que dar o troféu aos mais de 40 mil palmeirenses no Allianz Parque.