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Esperança do Inter na Libertadores 'contrariou' desejo do pai, ex-companheiro de Ibra, para virar jogador

Jogador do Internacional, que enfrentará o Fluminense pela primeira partida da semifinal da CONMEBOL Libertadores no Maracanã, nesta quarta-feira (27), às 21h30 (de Brasília), Wanderson tem o futebol no sangue.

Nascido na Bélgica, ele é filho do ex-atacante Wamberto, que teve passagens de sucesso pelo Ajax entre 1998 e 2003. Além disso, seu irmão mais velho, Richard Danilo, foi um meio-campista que defendeu a seleção belga nas categorias de base.

"Vou contar um segredo que quase ninguém sabe. Quando a gente era pequeno, meu pai sempre falava que preferia que a gente fosse estudar e não queria que a gente jogasse futebol (risos). Mas estava no sangue, né? Vendo meu pai jogando, a gente queria seguir o mesmo caminho", disse Wanderson ao ESPN.com.br.

Wamberto então foi uma peça importante para que o filho pudesse realizar o sonho. "Por ele ser jogador, foi bem mais fácil. Mas é claro que no início tinha aquela pressão, principalmente na Bélgica e na Holanda. Mas meu pai sempre me ajudou", contou Wanderson.

O jovem começou na base do próprio Ajax, conhecido por formar jogadores que fizeram sucesso na Europa.

"Era uma estrutura toda muito boa. Tive o prazer de ter grandes treinadores, como o (ex-zagueiro) Frank de Boer. Eles sabem trabalhar muito bem os jovens".

Destaque desde cedo, o garoto franzino chamava bastante atenção de Zlatan Ibrahimovic, companheiro de ataque com seu pai na equipe profissional.

"Ele ia com meu pai depois dos treinos para ver os nossos jogos. Eu tinha as mesmas características do meu pai: era muito rápido, gostava de driblar e partia para cima dos defensores. Aí os caras ficavam doidos (risos)".

O atacante deixou o Ajax quando o pai voltou para a Bélgica. Em seguida, ele foi morar por um ano em São Luís-MA, terra natal da família.

"Fui para o Brasil e fiz um tratamento para crescer porque era muito baixinho. Para não ficar parado, comecei a jogar na escola. Foi uma experiência muito boa e que me fez voltar com uma mentalidade diferente".

Recomeço da carreira

Wanderson retornou à Europa sem pretensões de seguir no futebol, mas recebeu o convite de um amigo para fazer um teste no Germinal Beerschot, da Bélgica.

"Estava parado há quase dois anos, treinava bem pouco e só jogava bola com os amigos mesmo. Estava fora de forma, mas fui aprovado. Depois disso, mudei a minha visão e passei a focar até virar um jogador profissional".

Pouco tempo depois, o atacante passou a se destacar e foi chamado para a seleção belga de base ao lado de Jordan Lukaku (irmão do centroavante Romelu Lukaku), Leandro Trossard (atacante do Arsenal) e Adnan Januzaj (meia do Sevilla).

"Nossa geração era muito forte. Alguns não vingaram, mas naquela época eram jogadores de muito destaque, craques de bola mesmo".

Na temporada 2012/2013, ele se profissionalizou pelo Beerschot e parou os estudos. Em seguida passou pelo Lierse antes de ir para o Getafe, da Espanha. Depois disso, o jogador defendeu o Red Bull Salzburg, da Áustria, por um ano, no qual se destacou.

Com várias propostas na Europa, o atacante foi vendido para o Krasnodar, da Rússia.

"Vou ser bem sincero, foi uma escolha louca, mas não me arrependo em nenhum momento. Já conhecia o clube, porque tive a oportunidade de jogar contra eles e fiquei maravilhado com a estrutura. A proposta e o projeto deles foram o mais concreto para mim. Foi tudo muito rápido, não deu tempo nem dos outros (clubes) respirarem direito e a gente fechou o contrato (risos)".

Em quatro temporadas no time russo, Wanderson realizou o sonho de jogar a Champions League. "Tive momentos maravilhosos da minha carreira e cresci também como como homem".

Além disso, ele adicionou mais um idioma ao seu vasto repertório. "Falo português, francês, holandês, espanhol, inglês e um pouco de russo, que estou esquecendo (risos). Isso me ajudou muito ao longo da vida porque morei em vários países diferentes", explicou.

Acerto com o Inter

No começo do ano passado, quando eclodiu a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o atacante decidiu mudar de país. Após ter conversas com algumas equipes, ele foi contratado pelo Inter, em março.

"Não queria mais voltar para a Rússia. Minha cabeça estava bem tranquila. Nisso, pensei que poderia voltar ao Brasil e ficar mais perto da minha família. Sempre tive o sonho de jogar aqui".

"Quando surgiu na mídia a respeito de Flamengo, Botafogo e tudo mais, meu irmão recebeu uma ligação da direção do Inter. Eles apresentaram um projeto e a decisão de aceitar foi bem fácil. Era uma proposta que eu senti no coração. Tudo fluiu de uma forma muito rápida e vim para cá".

Wanderson recebeu boas referências do ex-atacante Kléber Pereira, amigo de Wamberto, que defendeu o "Colorado".

"Meu pai conhecia Porto Alegre muito bem. Ele já tinha vários amigos na cidade. Tudo isso facilitou a minha chegada".

Desde então, o atacante exerceu funções diferentes com os técnicos Mano Menezes e Eduardo Coudet, atual comandante colorado.

"Cada treinador tem uma forma de ver o futebol. E são dois estilos de jogos totalmente diferentes. Com o Mano, eu jogava muito mais como um extremo. Agora, estou muito mais pelo meio, fazendo aquela função toda de defender e de atacar também. São dois grandes profissionais que tive o prazer de trabalhar".

Agora, o atacante espera ajudar o Internacional a levantar a terceira taça da Libertadores.

"O time está com os pés no chão e bem tranquilo, mas estamos confiantes. Temos que trabalhar duro para fazer um bom jogo no Rio de Janeiro e depois conseguir a classificação em casa".

Próximos jogos do Internacional: