'Quando vi jogar pela 1ª vez, achei ainda melhor do que tinham me falado': ex-seleção explica por que Paquetá é o 'jogador completo'

Paquetá entra em campo com o Lyon nesta quinta, contra o Sparta Praga, com transmissão pela ESPN no Star+


Nesta quinta-feira, o Lyon recebe o Sparta Praga, pela 4ª rodada da fase de grupos da Uefa Europa League, às 14h45 (de Brasília).

Para vencer mais uma e garantir a classificação aos mata-matas, o time francês conta com os gols e passes de Lucas Paquetá, que já soma 5 tentos e 3 assistências pelo clube na atual temporada.

Lyon x Sparta Praga tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ nesta quinta-feira (4), às 14h45 (de Brasília)

Um dos nomes que acompanhou Paquetá bem de perto desde sua chegada ao OL foi o ex-zagueiro Cláudio Caçapa, hexacampeão francês com o Lyon nos tempos de jogador e atualmente auxiliar-técnico da equipe principal dos Gones.

A história da ida do ex-Flamengo ao futebol francês, aliás, foi recheada de momentos peculiares, segundo relato de Caçapa.

"Foi curioso que meu filho de 15 anos, o Matheus, soube pela imprensa antes de mim que o Lyon estava interessado no Paquetá e veio conversar comigo (risos)", contou o ex-defensor de Atlético-MG e Cruzeiro e seleção brasileira, em entrevista ao ESPN.com.br.

"O Matheus conhecia bem o Paquetá do tempo do Flamengo e me deu todos os detalhes de como ele jogava, as características principais. Eu seguida, fui observá-lo pessoalmente e analisar o jogo dele", relatou.

"Quando vi, notei que era realmente tudo aquilo que meu filho me falou e ainda mais, porque é um jogador de uma qualidade técnica incrível. É tipo um meia clássico, que tem velocidade, visão de jogo excelente e ainda um diferencial, que é a vontade, a briga por todas as bolas", exaltou.

"Com ele, não existe bola perdida. Ele pensa no time antes de pensar nele próprio. É um cara que, além de armar o jogo e finalizar, também marca, defende na hora da briga, batalha pela bola que vai sair pela lateral. Esse é o grande diferencial dele", elogiou.

Muito satisfeito com o início de temporada de Paquetá, que também vem se firmando cada vez mais na seleção brasileira, Caçapa salientou a obediência tática e a polivalência do meio-campista.

"Aqui nós já o escalamos pela direita, como centroavante, como camisa 10, como segundo volante, estilo camisa 8... Ele consegue jogar em muitas posições, e em qualquer lugar que você o escalar ele se dá bem", explicou.

"Paquetá é muito inteligente, já sabe antes de receber a bola o que vai fazer e se está sozinho ou não no lance. Ainda tem uma canhota incrível, clássica dos grandes jogadores, e consegue colocar a bola onde quer", seguiu.

"O posicionamento dele também é muito bom. Consegue jogar e combinar com todos, seja os companheiros mais técnicos ou os velocistas. Ele consegue se adaptar muito bem ao estilo dos outros", acrescentou.

"O Lucas é um jogador completo. Claro que ainda tem detalhes que pode evoluir, como qualquer atleta, mas está fazendo uma grande temporada até aqui", complementou.

O ex-zagueiro ressaltou que a adaptação ao Campeonato Francês não é fácil, já que o torneio tem um jogo muito físico, mas Paquetá, aos poucos, foi pegando o jeito.

"Nunca é fácil você chegar a um país sem conhecer o idioma, e a Ligue 1 não é fácil. Os brasileiros do time ajudaram o Paquetá a ganhar tempo de adaptação. Eles passaram para ele sobre as dificuldades e ensinaram que não deve jogar só de costas, porque os marcadores têm o costume de chegar junto e os árbitros mandam o lance seguir", ensinou.

"E ele ainda teve a ajuda do (diretor de futebol) Juninho Pernambucano, que jogou quase na mesma função que ele. Isso colaborou para o Lucas estar vivendo, como ele mesmo disse, uma das melhores fases da vida dele atualmente", afirmou.

Caçapa revela que o ex-flamenguista gosta muito de ouvir os conselhos dos ídolos brasileiros do Lyon.

"O Juninho conversa muito bom ele no dia-a-dia, e eu convivo muito bem com o Paquetá também. Falo muito com ele nos treinos diários, nos jogos, no banco, no vestiário ou na concentração. Procuro sempre passar informações e um pouco da minha experiência", ressaltou.

Por fim, o hoje auxiliar do OL ainda elogiou o fato de que Paquetá é muito maduro para receber críticas.

"Ele é um cara muito aberto e fácil de lidar. Aí você vê como ele é inteligente, porque é aberto às críticas. Quando a gente fala para ele que ele não foi bem em uma partida e poderia ter feito alguma coisa diferente, ele absorve, reflete e responde: 'É verdade, poderia ter feito isso diferente, mas pode deixar que no próximo jogo vou melhorar'", contou.

"Ele sabe que estamos aqui para ajudá-lo, e todas as informações e conselhos que damos é porque já passamos e vivemos tudo o que ele está vivendo agora. Também editamos muitos vídeos e passamos para ele para mostrar as maneiras que ele pode evoluir. São informações para o crescimento dele, e ele absorve tudo de maneira incrível", finalizou.