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Conheça a lenda que supera média de gols de Pelé e 'briga' com Cristiano Ronaldo pelo posto de maior artilheiro da história

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É só alegria! Bonucci leva troféu da Supercopa da Itália ao vestiário da Juventus; veja a festa (0:35)

Andrea Pirlo, tantas vezes campeão como jogador, sentiu o gostinho de erguer o primeiro troféu como técnico nesta quarta-feira (20). E graças a Cristiano Ronaldo e Morata, que decidiram a Supercopa da Itália para a Juventus contra o Napoli. (0:35)

Na última quarta-feira, Cristiano Ronaldo quebrou mais um recorde em sua carreira no futebol. Ao marcar sobre o Napoli, na final da Supercopa da Itália, o craque português chegou aos 760 gols em partidas oficiais, superando o tcheco Josef Bican, que, entre os anos de 1931 e 1935, teria marcado 759 gols.

Mas, o recorde foi posto em xeque pela FACR (Federação de Futebol da República Tcheca). Isso porque, após recontagem, foi apurado que Bican marcou 821, e não 759 gols, por todos os times que passou em jogos oficiais. Tais cifras fazem o ex-atacante superar, além de CR7, Romário (772), Pelé (767), Ferenc Puskas (746) e Gerd Müller (735)

O atacante morreu em 2001. Mesmo assim, seu nome é lembrado como uma lenda na República Tcheca. Seu túmulo possui uma bola como destaque e é constantemente homenageado com ramos de rosas vermelhas e brancas, cores do Slavia Praga, clube pelo qual marcou mais de 500 gols.

"Quem é o maior goleador da história: Josef Bican ou Cristiano Ronaldo? Uma questão simples, mas com resposta complicada, principalmente porque, de grande parte dos gols de Bican, você tem que separar apenas os feitos em jogos oficiais, o que é complicado", afirmou Jaroslav Kolar, presidente do Comitê de História e Estatística da Federação Tcheca de Futebol.

Nascido em 1913, em Viena, capital da Áustria, Bican conseguiu fazer parte da história também fora dos gramados. Durante sua carreira no futebol, peitou o nazismo, quando a Áustria foi anexada pelo regime, e o comunismo, quando implementado na Tchecoslováquia, país que rumou após deixar sua terra natal.

Em 1938, depois da anexação da Áustria por parte da Alemanha nazista, Bican se negou a jogar por sua seleção e decidiu marchar à Tchecoslováquia, para jogar pelo Slavia, onde sua capacidade goleadora veio à tona ao ponto de conseguir 395 gols em 217 partidas oficiais com o clube. Sua excepcional carreira esportiva, no entanto, não evitou com que voltasse a ter problemas com os nazistas, que já tinham ocupado a Tchecoslováquia e desmembrado também a seleção.

Em maio de 1945, não hesitou em fazer parte do movimento da população de Praga contra os nazistas, junto a muitos outros esportistas, entre os quais se encontrava o futuro jogador do Barcelona, Jiri Hanke. Ao acabar a Segunda Guerra Mundial, a Tchecoslováquia pareceu recuperar a calma, até que em 1948 chegou ao poder o Partido Comunista, que viu com maus olhos o Slavia, clube considerado da burguesia de Praga. O regime fundou o Dukla e deu maior consideração ao Sparta. O governo aconselhou Bican a afiliar-se ao Partido Comunista. Ele se negou, e pagou por isso.

Acusado de burguês, foi obrigado a abandonar o Slavia em 1949 e ir ao modesto Banik Ostrava, no qual permaneceu por três temporadas, jogando outra pelo Hradec Kralove. Ele não teve permitida sua volta ao Slavia - rebatizado como Dynamo Praga - até 1953, já com 40 anos, pelo qual se aposentou ao final de três temporadas.

Despossuído de todas as honras que corresponderam ao maior goleador da história do país e acusado sempre de desafeto ao regime, Bican, o herói da bola, sobreviveu como motorista de ônibus ou empregado do zoológico. Sua figura foi absolutamente ignorada e afastada dos holofotes até que a Revolução de Veludom em 1989, acabou com o regime comunista e devolveu a ele o reconhecimento de todo o país.