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Lucas Braga já trabalhou em gráfica e viu vida mudar na 3ª divisão do Paraná; hoje volta com o Santos para encarar Athletico-PR

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A mensagem do Santos no Dia da Consciência Negra: 'Todo dia tem que ser dia de negro' (1:53)

Via Instagram @santosfc | Clube alvinegro usou sua plataforma para passar mensagem no Dia da Consciência Negra (1:53)

Torcedor do Santos desde a infância, Lucas Braga virou um dos principais xodós do técnico Cuca nos últimos meses. No jogo contra o Athletico-PR pelo Brasileirão, o atacante irá reencontrar o estado onde sua carreira mudou.

Nascido na periferia da Zona Oeste de São Paulo, ele frequentava as arquibancadas do Pacaembu para ver a equipe santista e chegou a entrar como mascote na Vila Belmiro em 2006 ao lado do volante Rodrigo Souto, pois atuava na escolinha Meninos da Vila.

Depois de jogar por vários anos no Ajax, tradicional time de várzea da capital paulista, o jovem trabalhou com o pai na gráfica montada na garagem de casa. Com o dinheiro ganho no período, ele pagou as passagens para fazer peneiras em um projeto em Bragança Paulista.

Aprovado, Lucas foi levado junto com outros meninos para fazer testes em clubes na Europa por oito meses, mas não ficou por causa de problemas de documentação.

Ao voltar para o Brasil, tentou a sorte em outras equipes e quase desistiu do futebol, mas acabou sendo aprovado no JMalucelli-PR, onde se profissionalizou.

Com poucas chances, Lucas saiu do clube, que vivia problemas judiciais, em 2017. Pegou R$ 1.500 na saída e foi para o Batel-PR, na terceira divisão do Campeonato Paranaense. Como o dinheiro que recebia, mal dava para se bancar. Ele fracionou o valor da rescisão para se sustentar no período que disputou o torneio.

“Disseram que tinha um atacante se destacando e fui vê-lo. Lembro que o jogo que fui contra o Grecal-PR e tinha uns 17 pagantes comigo. O ingresso custava R$ 10. O Lucas se destacou muito”, disse o empresário Miguel Calluf, ao ESPN.com.br.

O agente conversou com o jogador, mas eles passaram a trabalhar juntos somente depois de um mês e meio. Após o fim do Estadual, Lucas foi levado para o Luverdense-MT – que jogava a Série C do Brasileiro - e conquistou espaço depois de alguns meses.

O jovem ganhou maior destaque quando a equipe do Mato Grosso enfrentou o Santos na Vila Belmiro pelas oitavas da Copa do Brasil. “O Lucas foi bem nesse jogo apesar do time ter perdido. Saíram algumas reportagens falando que ele era torcedor santista de infância – a família dele levou até faixa no jogo - e ele passou a ser mais falado”.

“No jogo de volta, o Luverdense venceu, e o Lucas teve um bom desempenho. Vieram propostas de Portugal e Coreia, mas não chegaram a um acordo. Depois, ele foi ao Vila Nova, mas não teve muitas chances e voltou para a Luverdense”.

A vida de Lucas mudou em uma reunião de Miguel Calluf com José Carlos Peres. O agente negociava a renovação de contrato de outro cliente, o zagueiro Luiz Felipe, quando foi questionado se não tinha algum jogador que pudesse reforçar a equipe.

“Eu falei sobre o Lucas e um diretor se lembrou. Ele veio de graça para o sub-23 do Santos para ser testado e jogou bem pela equipe. Sem espaço com Sampaoli, Lucas foi para o Cuiabá jogar a Série B de 2019 e despertou interesse de Athletico-PR, Fortaleza, Ceará e Coritiba, mas queriam que liberasse, de graça”, disse o empresário.

No fim do ano, ele recebeu uma ligação de Elano o convidando para jogar o Paulistão de 2020 para a Inter de Limeira por empréstimo. “Ele achou que fosse trote e quase não acreditou porque o Elano era um ídolo dele. Deu tudo certo, e o Lucas jogou bem o Paulistão”.

Estreia pelo Santos

Após o Estadual, o atacante estava fora dos planos do técnico Jesualdo Ferreira, mas Peres bancou a sua permanência.

“A gente tinha propostas do Famalicão e do Santa Clara, mas o presidente queria que ele tivesse pelo menos uma chance”.

Com a saída do português e a chegada de Cuca, tudo mudou. Lucas foi chamado às pressas para o jogo contra o Sport depois que Uribe se lesionou. Ele estreou pelo Santos na partida e deu uma assistência para o gol de Marinho.

“O Cuca diz que o Lucas ajuda muito na marcação e na parte tática. Ele sempre vira o jogador de confiança nos clubes onde jogou. Há três anos ele estava jogando uma Série C de Paranaense e hoje está na Série A do Brasileiro e na Libertadores. Ele está evoluindo dentro da competição e pode melhorar ainda mais”.

Com alguns altos e baixos, Lucas já fez mais de 16 partidas pela equipe santista.

“O sonho dele é subir no Santos. Já tivemos proposta de fora para ganhar três vezes mais, mas ele quis ficar para vencer. Mas tem que saber conviver com as críticas também. Ele me disse que tem ganhado confiança a cada jogo. É um menino muito trabalhador”.

Miguel afirma que tinha uma renovação de contrato encaminhada com Peres, mas, com a saída do presidente, a situação está indefinida.