Ex-Vasco vira maior artilheiro da história da Liga Tailandesa: 'Nem nos meus sonhos poderia imaginar'

Conheça a história do atacante Heberty, maior artilheiro da história da Liga Tailandesa


No último final de semana, o atacante Heberty virou o maior artilheiro da história da Liga Tailandesa, com 145 gols marcados. Há nove anos no país, ele conseguiu o feito após balançar as redes na goleada do Bangkok United sobre o BEC Tero Sasana por 4 a 1.

"Já vivi muitos momentos especiais na minha carreira, mas o de hoje tem uma dimensão diferente. Ser o maior artilheiro em todos os tempos de uma liga nacional de um país que não é o seu, é algo que nem nos meus sonhos mais otimistas eu pude imaginar. Tenho bastante orgulho do que já escrevi na minha história profissional. Este capítulo é certamente um dos mais espetaculares", disse o atacante.

Hoje artilheiro e ídolo na Tailândia, Heberty é quase um desconhecido no Brasil, onde pouco atuou. Após começar em escolinhas na zona leste de São Paulo, ele passou pela base do Palmeiras e do Juventus antes de ficar sem clube.

Neste período, ele chegou a desistir da carreira e trabalhar no almoxarifado – e depois da parte contábil – de um hotel. Depois de seis meses, o jovem abandonou o emprego e resolveu tentar ser jogador pela última vez.

“Eu comecei a treinar em um time de um empresário polonês muito rico que nos levou por seis meses para fazermos testes e amistosos na Europa”, contou à ESPN, em 2020.

Os brasileiros jogaram contra times sub-20 ou b de clubes como Schalke, Bayer Leverkusen e Fenerbahce.

“Eles tinham um gasto muito alto conosco e pediram valores muito grandes para nos venderem. Mesmo jogando bem, tivemos que voltar ao Brasil”, lamentou.

Decepcionado, Heberty saiu da equipe e fechou com o Taboão da Serra antes de ir para o Vasco.

“Eu treinei nos juniores, mas não joguei partidas oficiais. Só fiz amistosos. Como não era aproveitado, eu saí em 2008”, explicou.

No ano seguinte, o atacante passou três meses em clubes italianos da terceira divisão, mas não quis ficar.

A vida do jogador começou a mudar depois que ele foi aprovado no Juventus para jogar a Série A3 do Paulista e a Copa Paulista.

“Eu virei titular e consegui me destacar. Logo em seguida, fui para o São Caetano, mas não consegui jogar. Mudei para o Paulista e fui campeão da Copa Paulista de 2011”, recordou.

Destaque na Ásia

No meio de 2012, ele foi para o Thespa Kusatsu, da segunda divisão do Japão. Depois, passou por Cerezo Osaka e Vegalta Sendai antes de ir para o Ratchaburi, da Tailândia.

Heberty virou artilheiro da Liga Tailandesa e quebrou o recorde de gols na temporada (26).

“No meu último jogo tinha muita gente para fora do estádio que não conseguiu entrar. Eles fizeram um monte de faixas, foi um carinho excepcional. Até a torcida adversaria gritou meu nome”, garantiu.

Com o sucesso em três temporadas, ele foi comprado pelo Al Shabbab, da Arábia Saudita.

No Oriente Médio, porém, o jogador sofreu com calotes e ficou impedido de deixar o país por um tempo.

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“Demorei quase meses até receber o primeiro salário. No fim do ano eu fui à Fifa para rescindir meu contrato. Não me deixavam sair, mas eu dei várias entrevistas contando a minha situação. A pressão foi tão grande que um dia eles me liberaram”, explicou.

Perto do Corinthians

Ao retornar ao Brasil, Heberty afirma que teve conversas com diretores do Corinthians no começo de 2017.

“Eu quase acertei com o Corinthians. Cheguei a falar com o Andrés Sanches, mas ele ficou meio assim por eu estar saindo da Fifa e ficou preocupado se não iria ter problemas e conseguiria me inscrever”, lamentou.

“O técnico do Corinthians era o Fábio Carille, que viu vários jogos meus no Juventus e já me conhecia”, disse.

Em 2017, o time alvinegro foi campeão do Paulista e do Brasileiro.

Após não ter acertado com o Corinthians, Heberty voltou para a Tailândia para defender o Muangthong United, mas por problemas burocráticos precisou esperar seis meses até conseguir jogar.

Pantera Negra

O atacante virou um dos maiores nomes do futebol local e ídolo da torcida. Além disso, ganhou um apelido de Pantera Negra.

“Eu vi o filme e tive a ideia. Pedi para minha esposa comprar uma máscara e a deixei com o fotógrafo. Depois de fazer o gol, coloquei a máscara e repeti o gesto dele. A foto ficou muito famosa, em todo lugar que vou os torcedores pedem para que eu faça a pose. Virou minha marca registrada”, contou.

Um torcedor tatuou no peito a comemoração. A máscara, porém, só foi utilizada uma vez porque o brasileiro foi multado pela federação local.

Depois, ele foi emprestado ao Port FC, grande rival do Muangthong. Atualmente, ele defende o Bangkok United.