Em entrevista ao ESPN.com.br, Lucas Pires contou detalhes sobre a história do Monsoon FC, sensação da terceira divisão do Gaúcho
Clubes de futebol podem surgir de diversas formas, seja pela compra de ações ou parcerias. A história do Monsoon FC, do Rio Grande do Sul, é mais sobre o segundo exemplo. Fundado em 2021, a equipe é resultado da amizade entre dois empresários.
Presidente do clube, Lucas Pires trabalhava com pós-produção de filmes de sucesso de Hollywood, como Avatar e Star Wars. Certa vez, quando estava em um aeroporto para viajar e participar de filmagens com o ator Jean-Claude Van Damme, o brasileiro conheceu Sumant Sharma, empresário indiano do ramo de tecnologia.
Anos depois, quando os dois estavam na casa do indiano, uma ligação para o brasileiro mudou os rumos da parceria. “Tocou meu telefone e era uma empresa procurando um atleta para fazer um negócio. Ele ficou olhando eu fazer a negociação, eu fechei rapidinho e ele me perguntou: ‘Por que tu não faz isso para viver? Por que não volta a trabalhar com esporte? O brilho que você tem no olhar quando estava fazendo essa negociação, eu não vejo na tua outra empresa’. Ele é um cara muito de energia, e eu disse: ‘só vou fazer esse trabalho se for contigo”, relatou Lucas ao ESPN.com.br.
Naquele dia, surgiu então a ideia do Monsoon FC, clube que passou a se instalar em Campo Novo, no interior do Rio Grande do Sul, em local alugado por Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho. “Eu aluguei o local por 10 anos para a gente desenvolver esse projeto. Cabem 3500 pessoas, a gente pensa em ampliar para 12 mil. Tem alojamento para 300 atletas, dormitório, refeitório, lavanderia, fisioterapia. Toda uma estrutura que muito time de primeira divisão não tem foi feita por pessoas que entendem de futebol”.
CEO da equipe, Sumant tem um trabalho como mentor do projeto, cobrando o bom tratamento como as pessoas como primordial. Depois de terem aberto o time sub-15, a nova meta é a construção de escolinhas de futebol para “retribuir o carinho da comunidade com o clube”.
O sucesso no profissional
Atualmente, em seu primeiro ano como time profissional, o Monsoon disputa a terceira divisão do Campeonato Gaúcho. E, após a penúltima rodada da fase de grupos, o time está invicto com quatro vitórias e um empate, já classificado no grupo B e com uma das melhores campanhas ao lado do Sapucaiense.
Os resultados, porém, não surpreendem a Lucas. “É uma campanha muito surpreendente para quem está de fora do projeto. Para nós e para os nossos objetivos, já era nossa meta, queríamos subir já no primeiro ano. Para a montagem desse elenco, a gente teve a ajuda do Da Silva, que é nosso vice-presidente, foi ex-jogador, assim como o Marcelo (Sander)”.
“Eles conseguiram montar um time forte. Também tenho que agradecer ao Alexandre Lopes, técnico que esteve lá e nos ajudou por um tempo. Temos um time forte, jogadores como Maicon Santana, com passagem por grandes clubes do Brasil”, avaliou.
E as metas para o futuro são ousadas, visando a primeira divisão já em 2024 e sonhando com a disputa da Copa do Brasil em um futuro próximo. “A gente quer subir em três anos. Esse ano, ano que vem e em 2024 estar na Série A. A gente vai disputar a Copa da Federação Gaúcha, que começa em setembro e dá vaga na Copa do Brasil. Estaremos em busca dessa vaga, também”.
Além disso, a equipe trabalha com o intercâmbio de jogadores de todo o mundo, trocando atletas com equipes da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia, além de conseguir negociar com gigantes do Brasil.
O carinho da cidade
Apesar de não se surpreender com os resultados dentro de campo, Lucas vê outro fator como diferente do imaginado: o acolhimento da cidade. “O acolhimento da comunidade, da imprensa. Eu acho que esse acolhimento está sendo muito legal, muito gratificante esse trabalho”, lembrou.
Ex-jogador e parceiro do projeto, Marcelo Sander ainda comentou o diferencial que vê na vida dos próprios atletas. “Os atletas, também, dentro de campo. Você vê que no Brasil falta oportunidade. Nós temos muito coisa boa, a sociedade cobra demais, mas falta oportunidade. Hoje, a gente está falando de futebol".
"E é satisfatório isso de ver o brilho nos olhos dos meninos. Está tudo tão pesado, se a gente poder dar um pouco de sorriso. Isso é o legal do esporte”, finalizou.
