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Isaque Silva, ex-Fluminense e hoje no Shakhtar Donetsk, lamenta pouco espaço com Renato Gaúcho e realiza desejo do pai

Isaque Silva durante jogo do Shakhtar Donetsk Marcin Golba/NurPhoto via Getty Images

Tudo foi muito rápido na vida de Isaque Silva. Desde a despedida do interior de São Paulo para a ida ao Rio de Janeiro à estreia no Fluminense e, pouco tempo depois, o adeus precoce rumo ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia e que topou pagar pela joia R$ 63 milhões (com a possibilidade de o negócio chegar a R$ 75 milhões, com bônus por metas e outras coisas). A equipe carioca manteve 10% dos direitos.

O meia-atacante foi promovido ao time profissional tricolor na reta final do Brasileirão de 2024. Isso ocorreu contra o Cuiabá, no Maracanã, no dia 5 de dezembro. Ao entrar em campo, não realizou apenas um sonho pessoal, mas também o do seu pai, Fernando, como contou em entrevista exclusiva à ESPN.

Na adolescência, Fernando morava na Bahia quando teve a chance de ser jogador, mas viu o sonho frustrado ao não ter condições financeiras de seguir com a tentativa.

“Eu conversava muito com o meu pai, e uma das coisas que ele mais falava era isso, que o maior sonho dele era me ver se tornando um jogador profissional, porque ele tentou, era isso que ele queria, e infelizmente não conseguiu. Eu fico muito feliz de olhar para trás e ver tudo que a gente passou e agora o sonho está realizado. Isso é muito gratificante”, afirmou o jovem de 18 anos.

“Pai e mãe são todos babões pelos filhos. Ele fica todo bobo, não acredita nas paradas, ainda mais quando cheguei e pude fazer o meu primeiro gol como profissional. Fica me mandando mensagem direto, emocionado e chorando. Eu fico muito honrado e feliz de poder dar esse orgulho para ele”, seguiu.

O destino poderia ter sido diferente para Isaque. Nascido em São Carlos, interior de São Paulo, ele se destacou nos campinhos da sua cidade e foi convidado pelo São Paulo para integrar a base. Porém, uma ligação do Fluminense balançou seu coração e mudou sua história.

“Na época, eu tinha 10 anos. Passei nos testes e quando eu fui assinar com o São Paulo, acabou que fui disputar a mesma competição que o pessoal do São Paulo tinha me visto, mas pela escolinha da minha cidade, foi quando o pessoal do Fluminense me viu. Fui conhecer as estruturas por 15 dias e acabei me apaixonando por lá, fui muito bem tratado. O começo foi muito difícil, sou do interior de São Paulo e não conhecia muita coisa, mas graças a Deus deu tudo certo e fui muito feliz lá”, explicou.

O jovem, porém, disputou apenas 11 jogos no Tricolor carioca após a concorrência no setor aumentar com a chegada de Acosta e a preferência de Renato Gaúcho, então técnico da equipe, por uma formação com três volantes. O meia-atacante confessa que esperava ter recebido mais oportunidades.

“Eu acho que o sonho de todo o moleque que começa a jogar bola é se tornar jogador profissional e ir jogar na Europa. Mas eu queria ter ficado no Fluminense mais, ter esse gostinho de mostrar quem eu era no profissional. Infelizmente, eu joguei pouco, não consegui os objetivos que eu queria, mas estou feliz e vim realizar um sonho de jogar fora [do Brasil]. Tenho muita gratidão ao Fluminense, por tudo que fizeram por mim e por me mostrarem para o mundo. No futuro, espero voltar e terminar uma história linda por lá”.

Rodeado de jogadores experientes no Flu, Isaque Silva teve um ‘mentor’ no dia a dia: Thiago Silva. A idolatria, que antes já existia como fã, se estendeu para o colega de trabalho.

“O Thiago Silva foi um cara que me ajudou bastante, me dava muitos conselhos. Foi muito importante passar por momentos com esses caras. O Thiago, eu assistia na televisão desde pequeno, um consagrado do futebol, um ídolo mundial, foi uma experiência incrível e que vou levar de aprendizado para o resto da vida”.

Hoje no Shakhtar Donetsk, a cria do Tricolor das Laranjeiras vem ganhando suas oportunidades e tem recebido elogios nos bastidores. Apesar do frio ucraniano, os churrascos e resenhas com os brasileiros do elenco (12 no total) ajudaram na adaptação.

“Está sendo uma experiência muito nova para mim. Um país muito diferente, uma cultura diferente, e estou muito feliz. Consegui chegar com o pé direito, fazendo gol, e como tem muito brasileiro aqui, acabou que facilitou um pouco nessa adaptação. O dia a dia com o pessoal aqui é maravilhoso. Muita resenha, o pessoal me acolheu superbem, saímos juntos, fazemos churrasco. É tudo leve e em família”, finalizou.